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Comportamento

Com 14 netos, casal celebrou 60 anos de casamento "sem desgrudar"

Na comunidade quilombola em Dourados, Desidério e Efigênia dizem que parceria, amor e fé são o segredo

Por Natália Olliver | 31/01/2026 07:10
Com 14 netos, casal celebrou 60 anos de casamento "sem desgrudar"
Desidério e Efigênia são casados há 60 anos e relevam segredo da felicidade (Foto: Arquivo pessoal)

Desidério de Oliveira, hoje com 88 anos, e Efigênia Eugênia de Oliveira, de 86, comemoraram 60 anos de casamento, a vinda de 6 filhos, 14 netos e 6 bisnetos. Moradores da comunidade quilombola Picadinha, localizada a cerca de 20 quilômetros de Dourados, o casal mostrou que o segredo para uma união tão longa é a parceria.

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Casal quilombola de Dourados celebra 60 anos de união marcada por superação e amor. Desidério de Oliveira, 88 anos, e Efigênia Eugênia de Oliveira, 86, construíram uma família com 6 filhos, 14 netos e 6 bisnetos, enfrentando juntos períodos de extrema pobreza e dificuldades.Moradores da comunidade Picadinha, o casal atribui a longevidade do relacionamento à parceria, respeito e fé. Mesmo diante da falta de escolaridade e períodos de fome, permaneceram unidos. Só receberam suas primeiras alianças próximo aos 50 anos de casamento, provando que o amor supera as adversidades materiais.

“Eu me casei com ela para viver até que a morte nos separe. E como a gente sempre quer viver muito, imaginei que, se fosse da vontade de Deus, ao menos bodas de ouro a gente faria”, conta Desidério.

Os primeiros anos foram os mais difíceis. Sem escolaridade formal, ele com apenas a segunda série do ensino primário e ela sem ter frequentado a escola, o casal enfrentou desemprego, instabilidade e fome. Desidério trabalhava como diarista em lavouras e Efigênia lavava roupas para fora.

Com 14 netos, casal celebrou 60 anos de casamento "sem desgrudar"
Com 14 netos, casal celebrou 60 anos de casamento "sem desgrudar"
Comemoração dos 50 e 60 anos de casamento da Dona Efigênia e Desidério (Foto: Arquivo pessoal)

Logo após o casamento, veio a gravidez do primeiro filho, que nasceu dez meses depois da união. Em muitos períodos, o trabalho faltava. E com ele, a comida.

“Houve tempo em que o que a gente tinha era chá com mandioca no café da manhã. No almoço, mandioca com ovos mexidos. À noite, sopa de mandioca. Às vezes, abóbora madura com um pouquinho de açúcar”, relembra ele.

Apesar das dificuldades, o casal nunca se desfez. “Acredito que, por maior que seja a dificuldade, se o casal se apoia, se respeita e confia em Deus, vence”, resume Desidério. Para ele, os 60 anos podem ser definidos em uma palavra: amor.

O casal teve 6 filhos: Ramão, Antônia, Lourdes, Ramona, Vilma e Rildo. Ao todo, são 14 netos: Kelly Fernanda, Guilherme, Alexsandro, Eleandro, William, Kellyton Alfredo, Deisy Carolliny Ana Júlia, Ana Karolina, Beatriz, Marciana, João Victor e Wesley.

Na Conta ainda entram os 6 bisnetos Renato, Anthony, Heloísa Fernanda, Enzo, Eduardo e Hadassa. Efigênia conta que não conheceu os pais e foi criada na casa de outras pessoas. Veio de Minas Gerais ainda muito jovem e começou a trabalhar como doméstica aos 14 anos. Naquela época relatos como esse, infelizmente eram comuns.

Apesar de estarem juntos há anos, eles só foram ter a 1ª aliança no dia do aniversário dela, próximo de completarem 50 anos de casados.

Com 14 netos, casal celebrou 60 anos de casamento "sem desgrudar"
Com 14 netos, casal celebrou 60 anos de casamento "sem desgrudar"
Desidério e Efigênia tem 6 filhos, 14 netos e 6 bisnetos; Registro da primeira aliança dos dois (Foto: Arquivo pessoal)

Quando conheceu Desidério, decidiu que queria formar a própria família e queria ficar junto até morrer. Segundo ela, o casal nunca brigou. “Ele nunca falou alto comigo. Só o fato de acordar todos os dias já é motivo para agradecer a Deus.”

A filha Lourdes Castro de Oliveira Kuttert, 55 anos, afirma que crescer nesse lar mostrou que um casamento duradouro é possível. Ela lembra que, mesmo nos momentos mais difíceis, quando faltava comida e até agasalho nos dias frios, os pais permaneciam unidos. “Nunca vimos eles discutindo por falta das coisas.” Para ela o maior aprendizado é que  eles ensinaram a passar pelas dificuldades com sabedoria, sem desistir.

Um dos netos, Kellyton Alfredo de Oliveira Kuttert, de 22 anos, explica que a história do avô e da avó enche a família de orgulho. "O que mais me chama a atenção é o carinho e o cuidado que sempre tiveram um com o outro, juntamente com o amor e a fé, que são verdadeiros exemplos para todos nós. Em um mundo onde as pessoas correm contra o tempo e os relacionamentos são cada vez mais rápidos, eles nos mostram que o amor e a paciência são a base para um relacionamento saudável e duradouro."

Ana Júlia, outra revela que a relação deles sempre despertar curiosidade por eles sempre estarem juntos em todos os lugares.  "Mesmo nas dificuldades, nunca soltaram a mão um do outro. cresceram juntos, aprenderam juntos e construíram uma família baseada em amor, respeito e muita cumplicidade".

Segundo ela, o cuidado que eles sempre tiveram um com o outro. "Lembro de ver meu avô sempre atento à minha avó, e minha avó cuidando dele nos pequenos detalhes do dia a dia. Mesmo com o passar do tempo, esse cuidado nunca mudou. Eles mostram que amor também é zelo, é presença e é se preocupar de verdade. Nos Dias de hoje  muitos relacionamentos acabam na primeira dificuldade, e a história dos meus avós ensina que amar é permanecer e cuidar um do outro".

Com 14 netos, casal celebrou 60 anos de casamento "sem desgrudar"
Desidério de Oliveira e Efigênia Eugênia de Oliveira (Foto: Arquivo pessoal)

A filha caçula, Vilma de Oliveira Orlando, de 48 anos, define a infância como um privilégio, mesmo sem luxo. “Era um lar humilde, mas vimos como Deus sempre cuidou da gente. Aprendi que respeito é essencial.”

A filha, Antônia Aparecida de Oliveira Sousa, de 57 anos, recorda cenas marcantes da pobreza “Nos dias frios, vi meus pais passarem a noite ao redor do fogo, no chão, para deixar os únicos cobertores com os filhos.” Segundo ela, doações de roupas e alimentos feitas por pessoas que surgiram ao longo do caminho ajudaram a família a sobreviver.

Para os filhos, a mensagem deixada pelos pais é clara e repetida sem variações milagrosas: não existem barreiras intransponíveis quando há união, respeito e fé.