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Campo Grande, Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

03/09/2019 08:15

Dennis partiu cedo, mas paixão por barbearia deu força para filha continuar

O pai sempre foi jardineiro e há 4 anos decidiu realizar o sonho de se tornar barbeiro

Danielle Valentim
(Foto: Danielle Valentim)(Foto: Danielle Valentim)

O barbeiro Dennis Martins da Rocha, de 40 anos, se foi no dia 23 de junho de 2019, vítima de um infarto fulminante. A partida precoce veio como um baque para toda a família, mas a paixão pela profissão deu forças para que os filhos dessem continuidade ao sonho do pai.

Dennis sempre foi jardineiro e quem o acompanhava era o filho mais velho, Marcos Augusto Soares Martins, de 22 anos. Mas decidiu entrar no ramo da barbearia, e a nova companheira passou a ser Mayume Vitória Soares Martins, de 18 anos, a caçula.

“Há quatro anos ele decidiu realizar o sonho de ser barbeiro. A minha família já tinha um histórico no ramo na beleza e ele iniciou o curso à noite. Os primeiros cortes aconteciam no quintal de casa até ele iniciar uma sociedade. Mas logo depois, pensou: Por que não montar a minha?”, lembra a filha.

(Foto: Arquivo Pessoal)(Foto: Arquivo Pessoal)
Dennis antes do espaço físico. (Foto: Arquivo Pessoal)Dennis antes do espaço físico. (Foto: Arquivo Pessoal)

O primeiro espaço na Rua Jerônimo de Albuquerque, no Nova Lima, foi aberto em março de 2018. A arte criada por Mayume e a data foram tatuados em seu braço para marcar o que seria uma nova vida.

“Eu tinha um outro trabalho, mas fim de semana eu ficava no bar da antiga barbearia, que ficava aqui ao lado. Aí eu comentei que poderia fazer um curso e ele me incentivou desde o começo, pois seria mais uma da família na área e que também poderia trabalhar ao seu lado”, conta.

Mayume lembra que todos os sonhos que teve, a primeira pessoa a incentivá-la e apoiá-la era o pai. “Quando quis ser fotógrafa ele comprou a câmera, quando quis ser musicista ele comprou o violão e foi ele quem pagou meu curso de barbearia também, que fiz durante as férias do meu antigo serviço. Desde então passei a cortar a cabelos aos fins de semana, sob sua supervisão”, frisa.

Assim que surgiu a oportunidade de expandir o espaço, Dennis não pensou duas vezes e iniciou a mudança para o salão ao lado. A filha conta que o olhar artístico do pai era admirável e toda a decoração foi escolhida por ele.

“Ele já foi jardineiro, barbeiro e ainda tinha um olhar para a Arquitetura. Para não ficar muito caro foi comprando e montando aos poucos. Até ficar a cara dele”, conta.

A partida - Antes mesmo que inaugurasse o espaço, Dennis faleceu. Um ataque cardíaco fulminante tirou sua vida de repente. “Foi um baque. Eu pensei em desistir, mas era o sonho dele. Aí pensei, que se abrisse a mão eu estaria desistindo de tudo que ele construiu. Foi aí, que eu e eu irmãos nos juntamos e demos continuidade”, conta.

Dennis não sentia dores ou qualquer tipo de sintoma, mas a autópsia revelou uma “bomba” no coração. “Meu pai nunca foi de reclamar de dor. Quando ele faleceu, a autópsia mostrou que ele já tinha problemas no coração, mas que era assintomático. Conversando com o médico, minha mãe descobriu que o coração dele era uma bomba e que se ele praticasse esporte talvez teria morrido anos antes”, lembra Mayume.

Espaço para assinaturas de clientes. (Foto: Danielle Valentim)Espaço para assinaturas de clientes. (Foto: Danielle Valentim)
Mayume atende junto a outro barbeiro.(Foto: Danielle Valentim)Mayume atende junto a outro barbeiro.(Foto: Danielle Valentim)

Apesar da pouca idade, Mayume arregaçou as mangas e ao lado do irmão, que ajuda a gerenciar o espaço continuaram o sonho do pai. “Meu irmão sempre trabalhou com meu pai também, quando ele era jardineiro. Aí quando meu pai começou no ramo da barbearia, meu irmão continuou na jardinagem, por isso, que aqui na barbearia ele atua nos bastidores e eu cortando os cabelos”, frisa.

Ao recordar do pai, Mayume se emociona e lembra que nos últimos anos ele se tornou seu melhor amigo. “É um privilégio. Eu nunca imaginei dar seguimento ao sonho de alguém. Eu não tenho outra palavra para descrever. Ele sempre deu início aos meus sonhos e hoje é uma honra para mim dar continuidade ao dele. É o meu herói. E a morte dele foi um baque porque a gente sempre foi distante e quando começamos a trabalhar juntos, nos tornamos melhores amigos”, finalizou.

Dennis também era um paizão para a galera. Sempre muito atencioso, tinha paciência para ouvir e aconselhar até desconhecidos.

“Meu pai era muito conselheiro. Se você chegasse e dissesse que estava enfrentando uma dificuldade sem enxergar a saída, meu pai sentava e sempre dizia: Veja bem, olha até onde você chegou, será que é isso? Ele sempre apoiou todo mundo. O mesmo acontecia comigo, sempre me ajudava e aconselhava”, finaliza.

Mayume compartilhou sua história no quadro “O que Ficou de Quem Partiu” do Lado B. Se você quiser compartilhar algo com a gente nos envie pelo Facebook, Instagram ou e-mail: ladob@news.com.br

Pai (ao fundo) e filha atendendo juntos.  (Foto: Arquivo Pessoal)Pai (ao fundo) e filha atendendo juntos. (Foto: Arquivo Pessoal)
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