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Comportamento

Eles encararam "rodovia fantasma", sede e lama para cumprir desafio

De Campo Grande, amigos percorreram cerca de seis mil quilômetros até à Rodovia Transamazônica

Por Jéssica Fernandes | 15/01/2022 08:47
Luciano e o amigo Helto ao fundo. (Foto: Arquivo Pessoal)
Luciano e o amigo Helto ao fundo. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Uma das estradas e caminhos mais difíceis que já fiz”, conta Luciano Aparecido Lima Cristaldo, 40 anos, conhecido como Matucho. Nos últimos dias, ele e o amigo Helton Viana Araújo, 39 anos, percorreram cerca de seis mil quilômetros com suas respectivas Kawasaki Versys-X 300. De Campo Grande, os motociclistas partiram rumo à BR-319, que liga as cidades de Manaus (AM) e Porto Velho (RO).

Conhecida como “Rodovia Fantasma”, a estrada é um desafio até para os motoristas mais experientes do Brasil. Ao Lado B, Luciano contou que o trecho não é indicado para ser percorrido de moto, pois alguns pontos são quase intrafegáveis. “Neste período de chuva, não é recomendado viajar pela 319, exceto de camionete com tração. Os próprios moradores da região falavam que a gente era louco”, diz.

Apesar da vivência inédita, os motociclistas já tinham viajado outras vezes apenas com uma mala nas costas e as Kawasakis. Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Pará foram alguns dos estados que percorreram. Mesmo com toda a experiência de estrada, a BR-319 conseguiu os levar ao limite “Essa foi a mais desafiadora”, garante Luciano.

Motociclistas com moradores da região. (Foto: Arquivo Pessoal)
Motociclistas com moradores da região. (Foto: Arquivo Pessoal)

A viagem começou no dia cinco deste mês, foi cheia de perrengues, mas no fim, rendeu histórias para a dupla. As dificuldades, segundo Luciano, foram incontáveis. “Atoleiros gigantes de dois quilômetros nos levaram à exaustão, porque qualquer tombo poderia nos machucar e não teríamos ninguém para socorrer, pois estávamos em meio à selva. Apesar de termos levado muita água, passamos sede e calor”, fala.

Devido ao barro nas estradas, os amigos não conseguiam chegar até o final do dia em alguma pousada ou outros locais de hospedagem. Por isso, tiveram que improvisar acampamento em meio à natureza. “Animais, como onças, poderiam ser um perigo, porque tivemos que ficar acampando na selva e, infelizmente, não conseguimos apoio ou abrigo seguro”, desabafa.

No dia 13, eles concluíram a viagem e, agora, retornam para Campo Grande. Feliz por ter cumprido o desafio, Luciano relata que não teria conseguido sem o amigo. “O Helton é meu irmão de viagem. É muito difícil atravessar a Transamazônica sozinho e, se ele não estivesse junto, acho que desistiria. É muito sofrido”, afirma.

Na estrada, ônibus e caminhões ficaram atolados na lama. (Foto: Arquivo Pessoal)
Na estrada, ônibus e caminhões ficaram atolados na lama. (Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre todo o sentimento que o trajeto percorrido trouxe, ele comenta que teve oportunidade de rever alguns valores na vida. “Foi uma experiência muito boa para mim, conheci pessoas nesta viagem que me mostraram que eu estava reclamando muito. Pessoas alegres com o pouco que tem. Não foi só uma viagem pra mim, foi um despertar para as coisas boas que tenho e não dou valor”, conclui.

Amigos fizeram registro ao lado da placa de Manaus. (Foto: Arquivo Pessoal)
Amigos fizeram registro ao lado da placa de Manaus. (Foto: Arquivo Pessoal)

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