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Comportamento

Em mundo de “caloteiro”, freezer da honestidade é esperança para Alex

Síndico colocou máquina em condomínio da Capital para mostrar que caráter ainda existe

Por Natália Olliver | 30/11/2023 06:22
Sídico mostra como moradores compram na honestidade e pagam pelo celular (Foto: Natália Olliver)
Sídico mostra como moradores compram na honestidade e pagam pelo celular (Foto: Natália Olliver)

Contrariando expectativas e para comprovar que em um mundo repleto de "caloteiros" a honestidade ainda existe, o síndico Alex Azambuja, de 43 anos, instalou um freezer no residencial Itayami, no bairro Vila Carlota, onde os próprios moradores calculam o valor do produto e pagam pelo celular. O entusiasmo foi tanto que Alex batizou a máquina de “freezer da honestidade”.

Os preços são predefinidos, mas não há fiscalização incisiva para saber se de fato o condômino vai pagar pelo que consumiu. O caráter moral, esquecido por muitas pessoas na vida cotidiana, é celebrado com a frase “por incrível que pareça, não tomamos nenhum calote”.

Além da felicidade em ver que boas ideias podem dar certo, o síndico explica que o recurso tem ajudado a diminuir os gastos extraordinários, ou seja, não aumentar a taxa de condomínio quando alguma eventualidade acontece nos prédios.

O local tem 96 apartamentos distribuídos por 8 blocos. Até o momento, a máquina, que conta apenas com refrigerantes, água e suco, tem rendido R$ 125,00 por dia ao condomínio. Ao Lado B, Alex explicou que a ideia surgiu também devido a onda de calor que tingiu o Estado e a necessidade de hidratação. Outro fator que ajudou a convencer os residentes sobre a implementação foi a distância do imóvel até os supermercados da região.

Uso de freezer é restrito a moradores no condomínio Itayami, bairro Vila Carlota (Foto: Natália Olliver)
Uso de freezer é restrito a moradores no condomínio Itayami, bairro Vila Carlota (Foto: Natália Olliver)

“O mercado autônomo seria uma opção, foi então que montei este freezer. É 100% na honestidade e confiança. As pessoas achavam que não ira dar certo. Pelo contrário, tivemos um caso de alguém que comprou, calculou errado e pagou a diferença depois. Não fica uma pessoa olhando o tempo todo, o sistema de segurança já estava no local antes, só colocamos a máquina em um ponto estratégico.”

O recurso é voltado apenas para moradores e para abrir o freezer é preciso usar uma chave própria do condomínio, as chamadas ‘tags’. O esquema é parecido com os mercadinhos instalados em diversos residenciais populares de Campo Grande.

Alex Azambuja acredita que honestidade e esperança andam juntas (Foto: Natália Olliver)
Alex Azambuja acredita que honestidade e esperança andam juntas (Foto: Natália Olliver)

“Os moradores acharam super prático e com muita comodidade, o que trouxe mais interação entre eles e também um exemplo a ser seguido, pois o princípio é a honestidade. Nesse mundo de hoje, a questão tem ficado de canto, elas precisam relembrar no dia a dia. Isso começa no lugar que você mora, você já sai inspirado a fazer as coisas. Eu tenho essa visão mais positiva da vida. Sempre tenho esperança no ser humano.”

Alex acredita que o caráter é um dos segredos e que a esperança caminha junto para impedir que ele se perca no caminho. “Vemos mães e pais comprando os produtos e mostrando o exemplo para seus filhos em ser honesto, isso é muito gratificante em uma comunidade como ao todo”.

Síndico abre freezer usando tag, destinada aos condôminos (Foto: Natália Olliver)
Síndico abre freezer usando tag, destinada aos condôminos (Foto: Natália Olliver)

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