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Campo Grande, Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

14/01/2018 07:05

Foto de 1971 foi parar nos braços do filho, depois que câncer levou o pai

Thailla Torres
Retrato foi reproduzido em homenagem ao pai,
com avião no fundo para lembrar o sonho de Yohann. (Foto: Kallel Henrique)Retrato foi reproduzido em homenagem ao pai, com avião no fundo para lembrar o sonho de Yohann. (Foto: Kallel Henrique)

De Edson Bueno Barbosa, ficaram os sorrisos e abraços apertados que eram distribuídos diariamente na família. Mas há três meses o mundo se despediu do pai, amigo e companheiro fiel. Foi super rápido, em menos de dois meses depois do diagnóstico de câncer no pulmão, Edson disse adeus à vida.

E foi carregando a saudade no peito, que um dos filhos, Yohann Dyego Bueno Barbosa, de 34 anos, pegou uma fotografia na caixa de recordações para imprimir na pele a luta e perseverança do pai em todos os momentos da vida. Nas mãos do tatuador Kallel Henrique, após 6 horas de sessão, a fotografia de 1971, quando Edson servia ao Exército em Curitiba, ficou pronta no braço do filho.

Nas mãos de Kallel, foram mais de 6 horas para a tatuagem ficar pronta. Nas mãos de Kallel, foram mais de 6 horas para a tatuagem ficar pronta.

"Poderia ser qualquer outra foto, mas nessa vejo a luta do meu pai no dia a dia para criar os filhos. Ele sempre batalhou muito pela nossa felicidade e formou nós três, mesmo sem ele nunca ter feito um curso superior ", lembra Yohann.

O momento da fotografia também era lembrado com carinho pelo pai. "Ele estava o Batalhão de Infantaria Blindado em Curitiba, e naquele ano, foi um dos únicos invernos que nevou em Curitiba. Ele sempre comentava sobre isso. Também soube que ele era o mais alegre do grupo e acorda os amigos com uma corneta, sempre muito divertido, apesar do trabalho intenso".

Edson nasceu no Paraná, mas vivou maior parte do tempo em Campo Grande, atuando como representante de vendas. Era paizão e amigo dos filhos. "Ele era daquele que levava todos os meus amigos para fazer festa dentro de casa, fazia churrasco, abraçava e brincava com todo mundo. Quando ele partiu, meu amigos sentiram demais".

Os primeiros sinais foram em abril, quando Edson viajava para o casamento de um filhos e reclamou de dores nas costas. "Ele tomou relaxantes musculares, mas no retorno para casa as dores começaram a se intensificar e ele acabou buscando um ortopedista acreditando que o problema era na coluna". 

Isso porque no anterior os exames de rotina não apontaram nenhum problema de saúde. "Por isso ninguém imaginava que poderia ser algo tão sério. Mas depois do feriado do dia 7 de setembro, ele foi hospitalizado, o m'edico diagnosticou o câncer no pulmão e não saiu mais do hospital".

Foram foram 41 dias hospitalizados desde a suspeita do câncer até o falecimento. "Ele ficou na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], precisou ser entubado e em seguida a família autorizou a traqueostomia. Desde então ele não conseguia mais se comunicar com palavras. Dois dias antes da morte, os médicos chamaram a família e disseram que os cuidados dali pra frente seriam só paliativos".

Edson descansou no dia 25 de outubro, deixando impresso na família o amor e honestidade que sempre teve na vida. "O que ficou dele é a alegria pra viver a vida e a honestidade para ganhar o pão de cada dia. Cada atitude dele, levo como espelho na minha vida e esse avião junto à fotografia, é porque ainda vou ser piloto e meu pai sempre me incentivou a isso".

Edson deixou esposa, três filhos e um neto.



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