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Comportamento

Imagem vira estratégia para LGBT+ vencer barreiras no trabalho

Durante cinco dias, participantes descobriram que a imagem vai muito além do look

Por Clayton Neves | 29/11/2025 08:42
Imagem vira estratégia para LGBT+ vencer barreiras no trabalho
Oficina aconteceu no Centro Cultural José Octávio Guizzo. (Foto: Juliano Almeida)

Em um mercado de trabalho que ainda fecha portas para pessoas LGBT+, especialmente para mulheres trans, uma oficina de moda organizada em Campo Grande virou espaço de sobrevivência, estratégia e autoestima.

RESUMO

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Uma oficina de moda em Campo Grande tem se tornado um espaço de empoderamento para pessoas LGBT+, especialmente mulheres trans, que enfrentam dificuldades no mercado de trabalho. O projeto, idealizado pelo designer Edson Almeida, vai além das combinações de roupas, focando em como a imagem pode ser uma ferramenta estratégica profissional. Durante cinco dias, os participantes aprenderam sobre comportamento, construção de estilo, temperamentos e dress codes corporativos. Para as mulheres trans, como Nalanda Cabreira e Mariana Barbosa, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer a autoestima e conquistar espaços profissionais tradicionalmente excludentes.

Durante cinco dias, participantes descobriram que a imagem vai muito além do look, mas é uma forma de se posicionar diante de um mundo que exige o dobro de esforço para quem faz parte da comunidade LGBT+.

Idealizador da oficina, o designer de moda e consultor de imagem Edson Almeida explica que a proposta foi pensada não apenas para ensinar combinações prontas de roupas, mas revelar como corpo, comportamento e estilo podem se transformar em ferramentas profissionais. “A imagem não é vaidade, é estratégia. É intencionalidade. Todos nós estamos nos vendendo o tempo todo, então como queremos nos apresentar?”, aponta.

Imagem vira estratégia para LGBT+ vencer barreiras no trabalho
Oficina foi idealizada pelo designer de moda Edson Almeida. (Foto: Juliano Almeida)

A oficina foi estruturada para trabalhar comportamento, construção de estilo, temperamentos, biotipos e dress codes corporativos. Tudo pensado para que pessoas LGBT+, historicamente apontadas como “não adequadas” ou “não contratáveis”, pudessem entender como a própria presença impacta na forma como são recebidas em qualquer ambiente, especialmente no profissional.

Miss Trans Mato Grosso do Sul, Nalanda Cabreira, buscou a oficina pela paixão que tem por moda. “Look também é comportamento, é como a gente se apresenta. Para nós, mulheres trans, o mercado de trabalho é muito complicado. Então aprender a se portar, a se vestir e a transmitir segurança abre oportunidades que antes nem existiam”, comenta.

Para pessoas que tentam ingressar no mundo artístico, as aulas também foram um divisor de águas. Krelviz, ator e estudante de música, encontrou no curso uma nova forma de enxergar a própria imagem. “Na arte, sua imagem é tudo. Nos primeiros três segundos você causa uma impressão. Se chega mal vestido, te tratam de qualquer jeito. A roupa é ferramenta de comunicação e de acesso”, pontua.

Imagem vira estratégia para LGBT+ vencer barreiras no trabalho
Mulher trans, Mariana viu na oficina meio de se fortalecer para disputar espaço. (Foto: Juliano Almeida)

Mariana Barbosa, de 20 anos, também viu a oficina como chance de se fortalecer para disputar espaço. Mulher trans e estudante de moda e teatro, ela fala sobre a realidade em que cada barreira é multiplicada. “Se já é difícil para uma pessoa gay ou negra, para uma mulher trans preta é o triplo. Sempre inventam uma desculpa para não te contratar. Então, dominar a imagem ajuda a gente a não ser empurrada para a margem”, afirma.

Para ela, entender sobre silhueta, visagismo e escolha de tecidos não é um luxo, mas uma questão de sobrevivência. “Achei que a oficina seria algo básico, mas foi muito mais. Isso ajuda na nossa autoestima, no jeito que as pessoas veem a gente e no modo como eu quero me posicionar no mercado”, destaca.

Ao longo dos encontros, os alunos montaram looks para situações reais, de eventos casuais a ambientes corporativos, e aprenderam que cada detalhe comunica algo. Cor, textura, corte, decote, cabelo, postura. Tudo constrói uma narrativa.

Imagem vira estratégia para LGBT+ vencer barreiras no trabalho
Oficina teve discussões sobre moda, estilo e imagem no campo corporativo. (Foto: Juliano Almeida)

Edson reforça que, apesar de a moda ser historicamente associada à estética, ali a lógica era outra. “O que menos tratamos foi do look. Foi sobre o que cada elemento representa. Não é estar bonita, é ter estratégia para atingir seus objetivos”, explica.

A oficina foi resultado de um edital da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, com organização da Subsecretaria Estadual de Políticas Públicas LGBT+.

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