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Comportamento

Mães de autistas ganham dia de liberdade com spa e cuidados

Grupos organizam encontros mensais para alívio da sobrecarga e troca de experiências

Por Cassia Modena | 22/11/2023 07:32


O nível de estresse de mães de autistas chega a ser comparado ao de soldados combatentes numa guerra. No caso delas, tudo é feito com amor e comprometimento com a vida do filho.

Imagine ser essa mãe atípica e receber uma ligação de outra, que ameaça tirar a própria vida e a do filho caso não receba ajuda financeira. Foi depois de entender situações extremas que as mulheres podem vivenciar, que Mara Rúbia Gamon começou a participar e incentivar encontros periódicos entre seus pares em Campo Grande.

Ela é mãe de menina autista de 18 anos. Funcionária pública aposentada, hoje se dedica ao núcleo de apoio à família da Associação Juliano Varela, voltada ao ensino de crianças autistas, com síndrome de down e microcefalia.

Soube bem cedo a importância de formar rede de apoio com outras mães e de ter momentos de descompressão, sem os filhos.

"Assim que minha filha recebeu o diagnóstico, encontrei força nos primeiros grupos formados em Campo Grande. Já fiz parte de vários. Esse momento de encontro só de mulheres é muito importante para a mãe se colocar em primeiro lugar: colocando a máscara primeiro em si para depois no outro, como diz a mensagem no avião", relata.

Spa dos pés - É nos encontros mensais do grupo Autis(si)mo que cerca de 50 mães atípicas recarregam as energias sem a presença dos filhos por algumas horas. Eles começaram há um ano e dão suporte associado à fé religiosa.

Algumas das participantes, mais leves no fim do encontro
Algumas das participantes, mais leves no fim do encontro
Experiência completa, até com mesa posta
Experiência completa, até com mesa posta

Palestras, bate-papo livre, café da manhã, sorteio de brindes e oferta de serviços gratuitos como spa das mães e dos pés são formas de cuidar de quem fica sobrecarregada pelos cuidados com os filhos atípicos, por questões estruturais.

"É maravilhoso para trocar informações sobre tudo relacionado aos filhos atípicos, desde o desfralde. Também é oportunidade para falar de qualquer outro assunto que não seja eles", resume Mara, que é uma das participantes.

A fundadora do grupo é a servidora pública Juliana Aigner. Ela tem dois filhos, sendo o caçula de 7 anos autista. Ela explica que a intenção é acolher as mães de pessoas com deficiência, em geral. "Queremos que elas recebam amor de forma prática. Porque amor é ação", diz.

Antes da pandemia - Em 2019, quando o mundo ainda não conhecia a covid-19, o grupo Integrar começou a fazer reuniões como essas uma vez por mês. Houve uma pausa devido à pandemia, e um feliz reencontro quando foi possível.

Bate-papo em espaço gostoso do Grupo Integrar, no Bairro Oliveira
Bate-papo em espaço gostoso do Grupo Integrar, no Bairro Oliveira

A idealizadora é a fisioterapia e psicomotricista Marilete Fernanda da Silva, que tem filhos gêmeos autistas, de 11 anos.

A primeira reunião foi marcada por palestra de psicólogo especialista em cuidado ao cuidador de pessoas com deficiência. Dali para frente, a programação incluiu café da manhã, atividades físicas e muita conversa para descontrair.

"O nosso objetivo é integrar as mães e fazê-las relaxar. Temos que nos fortalecer com nossos pares, para aliviar o peso", afirma Marilete.

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