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Campo Grande, Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019

20/11/2019 08:42

Milagre de MS aprovado no Vaticano, Matheus hoje tem 9 anos e muita saúde

Cura por intercessão de Calor Acutis foi reconhecida por Comissão Médica do Vaticano, no último dia 14 de novembro de 2019

Danielle Valentim
Matheus segurando um retrato de Carlo Acutis. (Foto: Danielle Valentim)Matheus segurando um retrato de Carlo Acutis. (Foto: Danielle Valentim)

Quem vê Matheus cheio de saúde aos 9 anos, nem imagina que há alguns anos nenhum alimento parava em seu organismo. Diagnosticado com pâncreas anular, uma anomalia rara neonatal que só poderia ser revertida por intervenção cirúrgica, o menino, simplesmente, foi curado e para a família, um milagre intercedido pelo italiano Carlo Acutis.

Além da família campo-grandense, o fenômeno movido pela fé acaba de ser reconhecido pela comissão médica do Vaticano e o parecer positivo com relação ao milagre coloca Carlo Acutis a um passo da beatificação. Antes da decisão, o adolescente já havia sido considerado venerável pelo Papa Francisco.

O Lado B visitou Matheus e, no primeiro contato, precisou conquistar sua simpatia. Na casa, na Vila Margarida, o garoto mora com os avós, Solange Lins Vianna, de 62 anos e Elias Verão Viana, de 75 anos, a mãe Luciana Viana, de 37, e um irmão Ângelo, de 13 anos. A família é bem reservada e se surpreendeu com a visita da reportagem.

Tímido, Matheus resistiu ao primeiro “oi”, mas bastaram poucos minutos para se soltar e buscar um retrato do venerável adolescente italiano. “Prefiro fazer uma foto aqui”, apontou Matheus para o altar de Nossa Senhora Aparecida que ele mesmo montou na sala de casa.

Gratidão e felicidade preenchem o coração de Solange. (Foto: Danielle Valentim)Gratidão e felicidade preenchem o coração de Solange. (Foto: Danielle Valentim)

A técnica de enfermagem Solange conta que o neto nasceu com a anomalia no pâncreas, mas que o diagnóstico não foi imediato.

“Ele vomitava, mas como era um bebê fomos achando que era normal e relevando. Mas ele continuou vomitando e demorou muito para sabermos que era. A princípio tratamos refluxo, depois na possibilidade de ser alergia ao leite. Ele mamava de manhã e, às 17h, ele vomitava tudo e não queria mais. Os médicos pediram mais exames porque também não enxergavam uma saída, e pediram um ultrassom, que até então não havia sido feito. Foi neste momento que descobrimos a anomalia no pâncreas”, explica.

Solange explica que o pâncreas anular dá uma volta no estômago causando, em alguns casos, o fechamento completo da entrada de alimento. “No caso de Matheus, o fechamento estava próximo e nós achamos que ia perde-lo”, conta.

Tratamento – Aos 2 anos, Matheus pesava apenas nove quilos e, apesar de a única solução ser a cirurgia, uma mudança na alimentação foi iniciada para que o garoto se fortalecesse, já que ele não resistiria a uma operação no estado em que se encontrava.

Católica fiel, a família conheceu a história de Carlo Acutis, por meio do Padre Marcelo Tenório, e cada membro iniciou uma novena, individual. “Ninguém sabia que o outro tinha iniciado uma novena. Fomos rezando, confiando, pedindo e percebemos que ele foi parando de vomitar. Decidimos fazer mais exames, para saber o que tinha acontecido naquele intervalo. Voltamos ao mesmo laboratório para realizar o ultrassom e o médico nem lembrava de nós. Assim que saiu o resultado perguntei: e aí, doutor, e o pâncreas como está? Ele respondeu: como assim? Normal. Eu expliquei que ele tinha sido diagnosticado com o pâncreas anular e o médico disse que não tinha nada de anular”, disse.

Na mesma hora, Solange mandou mensagem para o padre e disse que havia acontecido um milagre. “Novos exames foram feitos para comprovar e uma das médicas que o acompanhou desde o nascimento chegou a se emocionar concordando que um milagre havia acontecido. Então, foram duas alegrias até agora, uma quando comparamos os exames e outra com a notícia do Vaticano”, frisa a técnica de enfermagem.

Matheus quis fotos em frente ao altar na sala. (Foto: Danielle Valentim)Matheus quis fotos em frente ao altar na sala. (Foto: Danielle Valentim)

Matheus pediu para ser curado – Aos 4 anos, apesar da fraqueza, Matheus já era um garoto bem esperto e falante. Foi durante uma celebração a Nossa Senhora da Aparecida, em 2010, que o pequeno teve contato com a relíquia de Carlo Acutis e por conta própria pediu para “parar de vomitar”, lembra a mãe Luciana.

“Até os 4 anos eu o carregava como um bebê no carrinho, então o Matheus é a prova viva da cura, não precisa falar mais nada. Eu lembro que no dia da cura, estávamos eu, Matheus e meu pai na fila. Meu pai pediu para pegá-lo no colo e eu expliquei o que era uma relíquia e que as pessoas beijavam e faziam um pedido. Eu expliquei que a relíquia era um pedacinho de Carlo Acutis e que ele poderia pedir o que quisesse. Lembro que ele perguntou: ‘É sélio, mãe?’ Eu e meu pai já tínhamos combinado de pedir pela cura do Matheus, mas como ele estava no colo chegou na frente e soltou um: palar de vomitar”, lembra Luciana.

Todos se surpreenderam e, na mesma hora, Matheus pediu para descer do colo, pois se dizia curado.

Assim que a família saiu da igreja, Matheus quis voltar para casa andando, mas como ainda não tinha se alimentado, se sentiu cansado e foi carregado pelo avô até a casa, que fica na mesma rua da comunidade católica. Luciana lembra que assim que chegaram em casa, o menino pediu para se alimentar.

“Eu perguntei o que ele gostaria de comer e torci para não ser algo muito difícil de fazer naquele momento e ele perguntou para o irmão a sua comida preferida e o Ângelo disse que era arroz, feijão, bife e batata frita. Eu fiz e ele comeu rápido, três vezes e eu não tinha percebido o que porquê, na euforia de vê-lo comer pela primeira vez, até que reparei que ele ainda não sabia mastigar e estava engolindo tudo. Tivemos que ensiná-lo a mastigar e o Ângelo o ajudou, foi bem difícil, porque teve de mostrar como se mastigava e o Ângelo é autista e não come de boa aberta, mas no fim deu tudo certo”, conta Luciana.

Ângelo que é autista também sofria muito em ver Matheus sofrendo. Depois da cura, se tornou o protetor do irmão caçula. “Eles sempre foram muito grudados, é claro, que tem o atrito de irmãos, afinal, são quatro anos de diferença, mas tudo é o Matheus para o Ângelo”, conta Luciana.

Luciana foi diagnosticada com medula aplásica e desde então faz o tratamento contra a condição considerada rara. No caso da doença, o organismo deixa de produzir uma quantidade suficiente de células sanguíneas novas.

“Tive algumas consequências durante o tratamento, entre elas, a dor neuropática no corpo todo e, por isso, uso a cadeira de rodas. O medicamento estabilizou agora, mas ainda estou a baixo do peso. Me sinto ótima”, explica.

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Matheus e o avô Elias. (Foto: Danielle Valentim)Matheus e o avô Elias. (Foto: Danielle Valentim)
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