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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

12/04/2018 07:14

Na Planalto, conjunto de três casinhas parece ter feito o tempo parar há 50 anos

A aposentada Vilma Garciaé a única a continuar no local, e mora na mesma casa desde sua infância

Thaís Pimenta
Dona Vilma mora na primeira casinha à esquerda, as duas outras estão desocupadas. (Foto: Roberto Higa)Dona Vilma mora na primeira casinha à esquerda, as duas outras estão desocupadas. (Foto: Roberto Higa)

Num bairro onde só se vê grandes e imponentes casas, três construções antigas resistem ao tempo e à modernidade na Rua Riachuelo, Vila Planalto, e parecem ter parado no tempo, tamanha simplicidade das casinhas. A família da murtinhense Vilma Garcia, de 67 anos, é a única a continuar no lugar. Sem vizinhos e sem a mãe, que faleceu há dois anos, ela diz que não tem intenção de sair dali nunca mais. "Não sou cigana pra ficar me mudando", explica.

As construções, em si, são bem pequenas, com uma sala, dois quartos, um banheiro que fica na parte de fora da casa, uma varandinha, uma cozinha apertada e a área de serviço. Mas o quintal, que antes era divido pelas três casas, continua imenso, com bananeiras, mangueiras e um gigante pé de cedro, plantado pela mãe, dona Benita, com ajuda de Vilma.

"Já tivemos muitos vizinhos, mas eles foram morrendo ou se mudando quando o aluguel aumentava cinquenta reais, coisa que eu nunca gostei, porque entra e sai muita gente", explica.

As bananeiras do quintal da casa estão lá desde que Vilma era criança. (Foto: Roberto Higa)As bananeiras do quintal da casa estão lá desde que Vilma era criança. (Foto: Roberto Higa)

Ela se lembra como era o bairro há 45 anos, quando se mudou pra lá. "Aqui na frente, era tudo mato, não tinham essas casas, era só a gente na rua, tinha uma pé de guavira grande lá na frente". A linha de trem passava na lateral da rua e, segundo Vilma, quando retiraram a linha, o bairro começou a se transformar. "Hoje tá assim, cheio de gente, com bandidos. Eu preferia antes", diz ela, nostálgica. 

No terreno também tinha muito mais coisa plantada mas, com o tempo, dona Benita e ela já não davam mais conta de cuidar sozinhas e arrancaram tudo de lá, inclusive as imponentes mangueiras, que davam um trabalhão pra cuidar. "Tinha milho e até pé de mandioca. Dava tanta comida que a gente distribuía".

Hoje com a companhia da vira lata Tola e do gatinho Vinqui, o neto e o filho, ela diz que pra ela não muda nada em sua vida morar em uma casa tão histórica. "Já é normal", acrescenta. E mesmo com tanto tempo na mesma vila, ela diz nunca ter sido assaltada. "Tenho fé e a presença Dele aqui comigo, que me protege".

Dona Vilma no puxadinho que construiu para proteger a casa do sol forte que batia na cozinha. (Foto: Roberto Higa)Dona Vilma no puxadinho que construiu para proteger a casa do sol forte que batia na cozinha. (Foto: Roberto Higa)

Falando em proteção, as grades que envolvem as janelas não vinham na construção original. "Eu comprei do hospital Nosso Lar quando eles estavam reformando lá". Super reforçadas, ela diz que não se encontra mais nada parecido hoje em dia. Vilma também instalou portões para se sentir mais segura, já que o terreno é todo aberto e as casas ao lado estão desocupadas.

O puxadinho na parte de trás da casa também foi construído por ela e pela mãe. "Batia muito sol aqui e a casa ficava muito quente, aí com essa proteção aqui isso melhorou".

Mesmo com o forro da casa caindo, Vilma decidiu fazer o que a mãe lhe disse para fazer antes de falecer. "Permanece em casa", disse Benita, pontualmente.

"Ela penso que eu pudesse sair daqui por sentir muita saudade dela e eu até pensei mesmo nessa possibilidade, mas hoje eu acho que mesmo se eu tiver longe daqui, se eu for lá pra outra cidade, a saudade vai ser a mesma", finaliza. 

Precisando de reformas, Vilma não parece se preocupar muito com isso no momento. "Pra mim tá bom do jeito que tá. Tenho tudo que preciso aqui, é tudo simples mas é nosso", pontua ela.

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