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Comportamento

Nix e Gilberto colecionam carimbos no passaporte viajando de bike

Ele é um daqueles exemplos de quem leva a vida tão a sério, que não dispensa um dia sequer

Por Jéssica Fernandes | 26/10/2021 06:50
Gilberto sentado na rede com a companheira de viagem, a cachorrinha Nix. (Foto: Marcos Maluf)
Gilberto sentado na rede com a companheira de viagem, a cachorrinha Nix. (Foto: Marcos Maluf)

É difícil contar a história de uma pessoa que percorre há 20 anos, as estradas do Brasil e de outros países da América Latina. O viajante Gilberto Araújo, 35 anos, carrega uma bagagem cultural cheia de aventuras e relatos que não cabem dentro de uma matéria só. De quebra, neste ano, ganhou uma companheira, a vira-lata Nix.

O recifense simpático está de passagem pela terceira vez por Campo Grande, onde permanece metade do dia na Praça Ary Coelho com os “irmãos artesãos”. Na calçada, montou a exposição dos  colares, pulseiras, brincos, pedras minerais e dentes que produz para vender. Os artesanatos diferentes, detalhados e delicados são a fonte de renda que o artista tem para se manter e fazer as viagens.

O Lado B conversou com o homem, que consegue ter mais carimbos no passaporte do que tatuagens gravadas no corpo. O ciclista de sotaque arrastado revelou coisas boas, ruins e amizades que conquistou durante os trajetos que fez.

De acordo com Gilberto, a vontade de viajar o mundo surgiu aos 14 anos, período que teve contato com a galera skatista e artesã. “Eu me identifiquei, jurava que iria virar profissional no skate e que teria ajuda. Nessa caminhada, encontrei os artistas de rua, vi que eles conseguiam vender, estavam sempre felizes e comecei a fazer arte”, fala.

Bicicleta preparada para viajar pelo mundo, agora estacionada na Praça Ary Coelho. (Foto: Marcos Maluf)
Bicicleta preparada para viajar pelo mundo, agora estacionada na Praça Ary Coelho. (Foto: Marcos Maluf)

Em 2004, ainda em Recife, ele conheceu um casal de ciclistas que estava viajando. Assim, surgiu a oportunidade dele fazer a primeira de muitas viagens. “Eles gostaram de mim, me convidaram para ir com eles e seguimos por Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba pedalando. Aquele foi o melhor momento da vida, me senti livre, mas eu pensava muito na minha família”, diz

Quando começou a viajar, a preocupação dos familiares era que ele virasse “alguma coisa do mal”. O artesão afirma que nunca se envolveu com nada de errado e que, com o tempo, conseguiu desconstruir o pensamento da família. “Eu digo que revolucionei minha família, porque agora, eles são de boa, não podem ver a galera expondo que chegam e perguntam se estão precisando de algo”, conta.

Viajante mostra um dos carimbos no passaporte. (Foto: Marcos Maluf)
Viajante mostra um dos carimbos no passaporte. (Foto: Marcos Maluf)

Aventuras - Com 20 anos de estrada, Gilberto viveu muita aventura e já conheceu diversos países como a Venezuela, Guiana Francesa, Guiana Inglesa, Suriname, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Panamá. Da lista, a Colômbia é o lugar favorito dele. “Eles são um povo muito festeiro, parecido com os brasileiros, eles são cervejeiros, são da salsa e quando sabem que você é do Brasil, ficam apaixonados”, expõe.

Seja pedalando de Cuiabá ao Peru ou curtindo o Carnaval de Cartagena (Colômbia), o ciclista passou por poucas e boas. Em Campo Grande, Gilberto enfrentou a tempestade de areia, registrada na sexta-feira (15), e o temporal do último sábado (23).

Quando questionado sobre as dificuldades da vida de aventureiro, ele cita a questão do preconceito e afirma que no fim das contas, as vivências positivas pesam mais. “O lado ruim é o preconceito, discriminação contra nós, mas o bom é que sempre tudo dá certo. Como estou há muitos anos nessa função, fico com a mente tranquila quando não dá certo. Sempre tem a luz no fim do túnel, sempre chega alguém que fortalece e eu esqueço as dificuldades”, ressalta.

O tempo que ele fica nas cidades é indeterminado e tudo depende da impressão que o lugar passa. “Depende da história, do momento, do astral que eu sinto. Quando é legal, eu fico meses, mas se não, só são semanas”, explica.

Gilberto tomando vacina com a cadelinha no bolso. (Foto: Arquivo Pessoal)
Gilberto tomando vacina com a cadelinha no bolso. (Foto: Arquivo Pessoal)

Nos últimos quatro meses, o ciclista ganhou uma parceira de viagem muito especial, a vira-lata caramelo, Nix. Com direito a nome de deusa, a cachorrinha foi adotada no período que ele ficou em Ilhéus (BA). De lá para cá, os dois não se desgrudam mais e a Nix esteve presente até no dia que Gilberto tomou a primeira dose da vacina contra a covid-19. “Ela é meu xodó”, enfatiza o artista.

Na capital, a cachorra passa o dia curtindo a sombra de uma das árvores da Praça Ary Coelho, onde Gilberto pendurou a própria rede. No Instagram do viajante, a Nix está na maioria dos recentes registros feitos em pontos como o Parque das Nações Indígenas, Chapadão do Sul, Indiara (GO), Distrito Federal e em diversas outras regiões do país.

Próximo destino -  Na quarta-feira (27), Gilberto planeja sair de Campo Grande rumo a Rio Verde e depois para a Chapada dos Guimarães (MT). Falta apenas fazer uns ajustes na bicicleta, que precisa de novas pastilhas de freio, aro e rolamento.

No próximo ano, Gilberto já sabe qual país quer visitar. “Meu destino é o Peru, porque quero pegar novamente umas festas que tem na temporada de junho e julho. Depois, vou subir até o México”, conclui.

Quem quiser acompanhar as aventuras do Gilberto e da Nix, o viajante está no Instagram com o perfil @pedal_terapiaa.

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