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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

09/01/2018 08:53

O carro pifou e Marta começou o ano pegando carona em um caminhão na estrada

Aos 58 anos de idade, ela diz que viveu uma das experiências mais legais de sua vida: fez um amigo na estrada e se descobriu uma mulher de muita sorte

Thaís Pimenta
Aos 58 anos, Marta Albuquerque viveu uma experiência totalmente diferente e diz que valeu a pena. (Foto: Acervo Pessoal/Pri Mota)Aos 58 anos, Marta Albuquerque viveu uma experiência totalmente diferente e diz que valeu a pena. (Foto: Acervo Pessoal/Pri Mota)

Marta Albuquerque nunca hesitou em tomar qualquer atitude em sua vida. Foi justamente por conta dessa característica que subiu em um caminhão no meio da estrada depois do carro que dirigia pifar a caminho de Maracaju, interior do Estado.

Aos 58 anos de vida e com muitas viagens na bagagem, Marta diz que o trajeto de 30 km até o município foi um dos melhores momentos de sua vida. “A gente passa por muita coisa e descobre que não se permitir viver algumas coisas faz parte de um pré-conceito criado por nós mesmos”, diz.

No dia 3 de janeiro, ela decidiu que partiria de sua casa, em Dourados, para ir ver sua mãe. “Mamãe mora em Campo Grande e, como ela estaria em Maracaju pra ver suas irmãs, eu quis aproveitar a distância menor para desejar um feliz ano novo a ela”. Só que o carro de Marta e de seu marido, um Camaro, havia acabado de estragar.

“Eu disse pro Diego [marido] que iria de qualquer jeito, que daria um jeito. A Manu, minha funcionária que trabalha aqui em casa, quis ajudar e disse que seu Corsa 2002 ia pra todo canto com ela. A Manu me ofereceu o carro emprestado e eu fui”.

Num sol a pino, Marta assumiu o volante sozinha rumo aos braços de sua mãezinha. Tudo ia bem até que o carro começou a fazer um discreto barulho e parou de andar, mesmo após cinco tentativas frustadas para fazer o veículo voltar a funcionar. “Pelos ruídos eu imaginei que seria a correia. Fiquei parada ali, na curva do Santa Maria, que eu soube depois que é uma das mais perigosas”.

A visão do caminhão em que Marta pegou carona. (Foto:Acervo Pessoal)A visão do caminhão em que Marta pegou carona. (Foto:Acervo Pessoal)

O celular sem sinal não facilitava mas a bondade alheia tornou tudo mais fácil. Dezenas de carros pararam para oferecer ajuda a ela. “Decidi pedir pra um dos motoristas ligar pra minha tia quando o celular dele voltasse a funcionar avisando onde eu estava e solicitando resgate”, completa.

O tempo foi passando e Marta tomou uma decisão: pedir carona pro primeiro carro que passasse. Por acaso, o veículo a passar pelo Corsa foi um caminhão de guincho. “Ele seguiu reto, na hora que me viu acenar deu ré. O motorista disse que não estava autorizado a dar caronas mas que não podia me deixar ali, porque eu estava em uma curva extremamente perigosa. Ele guinchou meu carro e decidimos que assim que chegássemos em Maracaju iríamos pra empresa em que ele trabalhava para passar o valor do translado”.

Os 30 km passaram voando. Thiago, o camioneiro, e Marta, deslancharam a papear. “Eu fiz um amigo durante o trajeto”. Chegando na empresa, mais uma obra do acaso: ela notou um rosto conhecido, era o dono do local e chefe de Thiago.

Marta e Thiago já na volta pra Dourados. (Foto: Acervo Pessoal)Marta e Thiago já na volta pra Dourados. (Foto: Acervo Pessoal)

"Eu contei tudo a ele, os dois me disseram que época de festas de fim de ano foi muita sorte ter passado justamente um caminhão de guincho. Diz que Dourados e Maracaju já estavam com os atendimentos pro serviço lotados, tanto é que Thiago tava vindo de Bonito pra trabalhar", conta. 

Todos foram juntos até um mecânico, que confirmou o problema na correia. "Pra consertar tudo iriam dois dias. Eu não tinha esse tempo todo, precisava voltar pra Dourados". E ela conseguiu voltar a sua casa sã e salva no mesmo caminhão, com a mesma companhia: "ele me deixou em frente de casa".

Pra completar o combo de sorte, Marta arranjou umas horinhas pra visitar sua mãe, que a recebeu com um banquete e muita preocupação. "Elas receberam meu recado e tavam preocupadas. Ficaram muito receosas de eu voltar no caminhão mas deu tudo certo".

Acostumada a viver esses encontros inesperados, a sortuda acredita que coisas boas lhe acontecem pela fé inabalável que carrega na bondade do ser humano. "Nunca acho que o outro vai me fazer mal".

A conversa durante os mais de 60km rodados irá para um livro que Marta publica ainda esse ano. "Thiago se tornou um dos meus personagens. Ele e seu interesse pela literatura, em comum a mim, foram marcantes na minha história", finaliza.

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