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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

06/02/2020 08:45

Para garantir o leite da Manu, Davi faz entrega de app com aviso nas costas

Há quase três anos ele não consegue emprego de carteira assinada e então resolveu fazer bicos para levar dinheiro pra casa

Alana Portela
Davi Borges Soares ao lado da filha Manu, que tem paralisia cerebral (Foto: Kísie Ainoã)Davi Borges Soares ao lado da filha Manu, que tem paralisia cerebral (Foto: Kísie Ainoã)

É com a mochila nas costas e uma foto da Manu sentada e sorrindo ao lado de dois cachorros que Davi Borges Soares sai às ruas pilotando sua moto para entregar os lanches pedidos por aplicativos, em Campo Grande. Os dias não são nada fáceis, mas para ele é necessário ficar horas na mesma posição, pois só assim consegue renda para comprar leite e fraldas para a filha.

“Ela tem paralisia cerebral e precisa de fraldas especiais porque tem alergia. Está com 3 anos, não anda, não fala, mas sorri. Acredito que somos pais especiais, por termos sido abençoados com a Manu que hoje é tudo pra gente. É o nosso presente e o sorriso dela paga tudo”, diz Davi com os olhos cheios de lágrimas.

Aos 42 anos, ele conta que o último emprego foi como motorista de caminhão, mas teve de pedir demissão para poder levar a filha no tratamento. Isso porque a família mora na Vila Carvalho e tinha que se deslocar todos os dias até a Mata do Jacinto. “Ela fica no Cotolengo onde recebe os cuidados necessários. No começo, não tínhamos conseguido que um carro da prefeitura a levasse, por isso optei por deixar o trabalho para levá-la”, conta.

Aviso é lembrete de que o pai precisa trabalhar a qualquer custo para garantir o leite da filha. (Foto: Direto das Ruas)Aviso é lembrete de que o pai precisa trabalhar a qualquer custo para garantir o leite da filha. (Foto: Direto das Ruas)
Manu e o pai ao lado do irmão mais velho e da mãe, Luciana Soares (Foto: Kísie Ainoã)Manu e o pai ao lado do irmão mais velho e da mãe, Luciana Soares (Foto: Kísie Ainoã)

Na época, Davi pagava um carro financiado, contudo, após conseguir o transporte gratuito para a filha, optou por se desfazer do bem e comprar uma moto. Agora, há quase três anos ele não consegue emprego de carteira assinada e usa a motocicleta para fazer bicos de entregador por aplicativo.

“Fiz várias entrevistas de emprego, fui em várias empresas, mas achar um trabalho de carteira assinada está complicado por conta da concorrência. Tenho curso de vigilante, bombeiro civil e costumava atuar na área da segurança, porém já trabalhei como motorista também”, diz o pai.

Sem opção, a saída foi se cadastrar nos aplicativos de entrega de lanches para poder garantir uma renda para a família. “Saio de casa todos os dias às 10h e volto por volta das 14h30 para almoçar e descansar. Depois retorno para as ruas e só volta às 23h em casa. É difícil porque no trânsito ninguém respeita”.

O estresse é diário, principalmente quando Davi é fechado pelas ruas por carros. “Tento tomar o máximo de cuidado porque lembro da Manu me esperando. Isso me dá ânimo, por isso sempre dou uma maneirada no acelerador, pois tudo depende de mim”.

A família levando Manu para passear perto da casa onde moram (Foto: Kísie Ainoã)A família levando Manu para passear perto da casa onde moram (Foto: Kísie Ainoã)

Por ter paralisia cerebral, Manu recebe o benefício do LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social), porém, se o pai conseguir um emprego que pague mais de um salário mínimo a filha perde o direito de receber a quantia do governo. “É um direito dela, mas que se a gente receber um pouquinho a mais já cortam. Porém, ela precisa do valor por conta do tratamento”.

A pequena precisa de fraldas especiais porque é alérgica a outros tipos. Usa uma pomada para evitar assaduras e outros problemas nas nádegas que custa mais de R$ 100,00. “Em casa a conta de luz aumentou porque colocamos um ar condicionado para o conforto dela. A água também vem cara, pois precisamos lavar todos os dias a casa, já que ela não pode ficar em local empoeirado”, explica Davi.

Neste ano, a família tinha conseguido outra casa da Agehab (Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul), porém perderam. “Há sete anos tínhamos conseguido uma casa da Emha (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande), mas como não queríamos mais ficar na cidade, passamos a residência. Agora, quando fizeram o cadastro e deram preferências às crianças do Cotolengo, fomos sorteados, porém quando souberam da outra casa, perdemos”, relata Davi.

Sem saída, a família entrou na justiça que conseguir reaver o benefício da casa que a filha ganhou. Enquanto isso, Davi continua pelas ruas de Campo Grande entregando lanches e a procura de emprego, tanto na área da segurança quanto de motorista.

Se alguém tiver uma oportunidade de emprego para oferecer ao pai, o contato é o: 9-9143-3010 e 9-9301-8902.

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