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Campo Grande, Domingo, 19 de Maio de 2019

17/04/2019 08:15

Para se aproximar dos filhos, pai larga estrada para fazer carrinhos de rolimã

Vitor Matoso era caminhoneiro e decidiu mudar de profissão para acompanhar o desenvolvimento das crianças

Alana Portela
Vitor e o filho Vinícius aproveitam o carrinho de rolimã para se divertirem juntos (Foto: Kisie Ainoã)Vitor e o filho Vinícius aproveitam o carrinho de rolimã para se divertirem juntos (Foto: Kisie Ainoã)

“Era caminhoneiro, muito ausente e ficava até 30 dias fora de casa. Quando retornava, sentia um clima estranho. Os meus três filhos pequeninhos não conseguiam ter aquela afinidade". Assim começa o relato de Vitor Matoso, 30, pai de Vinícius, de 10 anos, de Larissa, 15, e Lethícia, 12. Para quebrar a barreira que passou a existir na relação, ele decidiu fazer carrinhos de rolimã.

Vitor percebeu que estava perdendo a infância dos filhos e decidiu participar mais da educação dos pequenos (Foto: Kisie Ainoã)Vitor percebeu que estava perdendo a infância dos filhos e decidiu participar mais da educação dos pequenos (Foto: Kisie Ainoã)

Mas o processo não ocorreu do dia para noite. "Dois anos depois do nascimento da segunda filha, nasceu o Vinícius. Nisso, percebi que era o momento de parar mais em casa e conviver com eles. Queria que tivessem um pai presente, para ter uma noção de convívio com outra pessoa, pelo respeito e pela forma de tratar o próximo. Eu e minha esposa, Liliana, queremos dar esse diferencial a eles", afirma.

Vitor diz que atualmente "tem muitos pais presentes e ausentes ao mesmo tempo". "Crianças sendo criadas sem a presença dos responsáveis, a mãe cuidando dos filhos sozinha", falou. "Estávamos entrando no comum de hoje, que é o celular, tablete, jogos, mas a iniciativa nos aproximou", complementou.

Por tudo isso,  o caminhão foi trocado por uma marcenaria. "Essa foi a ideia, comecei a fazer paletes na Nova Bandeirantes, mas não comercializava muito. O negócio não estava legal, e surgiu a oportunidade de fazer carrinho de rolimã para um campeonato da igreja. Fiz vários, justamente para me divertir com eles", recorda.

Ao perceberem a felicidade da família, várias pessoas passaram a encomendar carrinhos. "Isso já acontece há uns três anos, e muitos fazem seus pedidos. No Parque das Nações da Indígenas, o carrinho fez sucesso, aí passamos a fabricar para vendas também. A proposta começou para se aproximar das crianças, e isso nos uniu mais", destaca.

Apesar da brincadeira ser um pouco mais "radical", o pai coruja conta que às duas meninas não deixam de aproveitar o brinquedo ao seu lado. "Sempre participam com a gente, assim como minha esposa. Tem uma pista no Portal Caiobá e nos encontramos com algumas pessoas por lá", disse.

Os carrinhos de rolimã fabricado por Vitor para se divertirem nos fins de semana (Foto: Kisie Ainoã)Os carrinhos de rolimã fabricado por Vitor para se divertirem nos fins de semana (Foto: Kisie Ainoã)
O marceneiro usa os equipamentos para criar mais brinquedos (Foto: Kisie Ainoã)O marceneiro usa os equipamentos para criar mais brinquedos (Foto: Kisie Ainoã)

O carrinho de rolimã abriu as portas para que mais ideias de diversão passassem a surgir na mente de Vitor. Através disso, ele criou o trenzinho de rolimã, o qual pilota e enterite a família. "Vou pilotando e levo as pessoas atrás". Com o tempo, a fabricação dos carrinhos, foram aprimoradas.

"Tem freios, borracha. No começo ensinei o Vinícius e hoje fazemos isso junto. Tempo depois, ele passou a andar em uma perna de pau, mas não deixamos de brincar de carrinho, fazendinha. Brincamos de bumerangue, pedalamos nas ciclovias, realizamos trilha. Saímos de casa para conhecer tudo", conta.

Com a aproximação, agora Vitor tem certeza que os filhos estão bem e faz questão de acompanhar a educação de cada um. "Têm notas excelentes, nunca reprovaram. Foram destaques várias vezes na escola e prezamos muito pela educação. Eu mesmo voltei a estudar, estou terminando o segundo grau", relata.

Após a criação do carrinho de rolimã e do trenzinho, Vitor, com a ajuda do caçula Vinícius, produziu pernas de pau. "Ele gosta muito dessas aventuras. O Vinícius aprendeu a andar nela quando tinha quatro anos", recorda o pai.

Outro ponto que aproxima ainda mais Vitor da família, é o fato da marcenaria ser nos fundos da própria casa. "Aqui faço as fabricações, decoração para varandas e jardins. Mas todos os finais de semana são reservados para os filhos", conta.

Vinícius e o pai andando de perna de pau ao lado da marcenaria de Vitor (Foto: Kisie Ainoã)Vinícius e o pai andando de perna de pau ao lado da marcenaria de Vitor (Foto: Kisie Ainoã)

Origem - A ideia para investir na área de marcenaria em Campo Grande surgiu porque, quando ainda era adolescente, Vitor Matoso participou de um projeto social em Ponta Porã. Por lá, aprendeu a fazer várias artes. "Estava com 14 anos. Antes de me inscrever, tinha feito algumas amizades não muito boas, bagunçava. Nesse tempo, minha mãe me mandou entrar no curso. Passei a mexer com madeira, fazia artesanato até pegar o jeito, e vi que gostava", lembra.

Depois de algum tempo, a paixão pela marcenaria foi ficando de lado. Anos após, Vitor se casou com Liliana Andrea e optou por constituir uma família. Nessa época, arrumou um emprego de caminhoneiro e passou a viajar, conhecer o país.

Agora, com a paixão pela profissão acesa novamente, Vitor incentiva também os outros pais a terem mais afinidades com seus filhos. "Fazemos muitas coisas juntos. Dou aula para ensinar as pessoas a andarem de carrinho de rolimã, perna de pau. Inclusive, tenho a minha perna de pau".

Além do amor, Vitor diz que já participou de campeonatos de rolimã, na Capital. "Faço parte de um grupo que organiza campeonatos brasileiros. Fiz competições em Campo Grande e fiquei em primeiro lugar. Agora, tenho outro projeto que é fazer uma Lótus, com adesivagem do carro do Ayrton Senna. É um modelo que estarei lançando", adianta Vitor sobre os projetos que está mexendo e que vai encantar os fãs de piloto de corrida.

 

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O pequeno Vitor pilotando o trenzinho de rolimã criado pelo pai (Foto: Kisie Ainoã)O pequeno Vitor pilotando o trenzinho de rolimã criado pelo pai (Foto: Kisie Ainoã)


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