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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

02/11/2017 11:16

Ramão e Valdete, história de amor que nem a morte conseguiu sepultar

Osvaldo Júnior e Mirian Machado
Ramão visita a esposa, falecida há 30 anos. Sinto a presença dela, afirma (Foto: Paulo Francis)Ramão visita a esposa, falecida há 30 anos. "Sinto a presença dela", afirma (Foto: Paulo Francis)

Nos momentos de tristeza, Ramão Sampaio, 69 anos, fecha os olhos e conversa com a esposa Valdete Alves Sampaio. Buscando força na mulher, ele segue nesta vida com apenas metade de sua alma. Valdete dorme há três décadas no cemitério Santo Antônio, em Campo Grande – ao menos é assim, um "sono eterno", que o operador de máquinas encara a morte da esposa. 

Não é a data – Dia dos Finados – que fez com que Ramão fosse na manhã desta quinta-feira ao cemitério. Ele visita o local em muitos outros dias. "Às vezes, fico aqui até perto de anoitecer", contou. Isso desde 1987, quando Valdete morreu, no dia em que se tornou mãe. 

"Foi parto cesário. Ela teve o nosso filho e os médicos estavam terminando a cirurgia. Aí ela recebeu anestesia, dormiu e não acordou mais", relatou, tentando segurar o choro, provocado pelas lembranças. Valdete tinha, na época, 31 anos. 

"O meu plano era passar a vida toda com ela. Era tudo que eu sonhava", disse em referência a um amor iniciado na infância. Os dois moravam em Corumbá e eram vizinhos. "Eu falava pra ela: 'vou casar com você'. Ela achava graça, mas o pai dela não queria", lembra-se. Também fazia parte do sonho uma casa e um filho.

Órfão aos oito anos, Ramão aprendeu desde cedo a lidar com a dureza da vida. Ele conseguiu terreno do poder público e com 14 anos terminava a construção de sua casinha. Aos 15, depois das negativas do pai de Valdete, Ramão decidiu, então, fugir com ela. Os dois, ainda adolescentes, foram morar juntos. Casa e mulher já eram realidade. Faltava apenas o filho. 

Ramão em busca de melhoria de vida, mudou-se com Valdete para Campo Grande. Ele começou a trabalhar como operador de máquinas. Anos depois, a mulher ficou grávida. Tudo ia bem, dentro dos planos delineados pelo casal. Valdete, antes de partir, completou o sonho, trazendo à vida dela e de Ramão um filho. Fez isso e se foi. 

Na rodovia BR-163, na entrada de Campo Grande, o sonho foi, mais uma vez, desmantelado. O filho de Ramão e Valdete, então com 26 anos, chocou o carro que dirigia em alta velocidade contra uma carreta. O rapaz foi morar com a mãe.

Ramão não está sozinho. Continua pai e marido. E é com a mulher que conversa no silêncio. "Eu fecho os olhos e falo com ela. É como uma oração. E sinto a presença dela", afirma. Já o aconselharam a se casar novamente. Ele não quer. "É só ela", assegura, enfático. 

Valdete permanece viva não só nas lembranças de Ramão. Na casa dele, há um quarto fechado com diversos pertences da esposa: roupas, caixinhas com bijuterias, sapatos e vários outros objetos. 

Com 69 anos, Ramão continua com os pés nesta terra e a cabeça nas recordações da mulher e do filho. O sonho dele permanece o mesmo: voltar a morar com a esposa e com o filho. Não tem pressa quanto a isso, pois sabe que tudo é a seu tempo e porque, de alguma forma, nunca deixou de morar com os dois. 

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