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Comportamento

Saudade pesa e choro domina filhos no 1º Dia das Mães de visita ao cemitério

Quem ficou de luto recentemente, tem sentimento de solidão e de fim de um ciclo com a segurança da mãe ao lado

Por Ângela Kempfer e Clara Farias | 12/05/2024 11:41
Chorando, Naiara mostra a foto da mãe no celular. (Foto: Henrique Kawaminami)
Chorando, Naiara mostra a foto da mãe no celular. (Foto: Henrique Kawaminami)

No Cemitério Nacional Parque, na região das Moreninhas, o domingo tem gosto de lágrima. Para alguns, será o primeiro Dia das Mães sem elas. Comum entre todos, surgem o sentimento de solidão, a palavra saudade é algumas características inesquecíveis delas.

O cemitério montou tendas para venda de flores, mas não esqueceu da comoção e também convocou profissionais para aferir a pressão arterial. No centro, um enorme quadro em branco aguardava relatos  sobre lembranças de amor deixadas pelas mães. A missa marcada para às 10h, começou com 40 minutos de atraso, mas ninguém arredou o pé.

No primeiro Dia das Mães sozinha, Naiara de Gaspari dos Santos, 34 anos, largou a lida de carreteira nas estradas hoje para visitar o tumulo a mãe. A dor é muito recente. O luto começou no dia 2 de maio, após Marlene morrer vítima de câncer no colo do útero. Naiara diz que tudo aconteceu muito rápido e ainda tenta digerir a perda.

"Ela tinha acabado de se aposentar, aos 65 anos, quando descobriu o câncer no estágio 3. Rapidinho se espalhou e não tinha mais o que fazer", lamenta com os olhos carregados de tristeza.

No cemitério, quadro foi montado para filhos e netos escreverem qual lembrança de amor as mães deixaram. (Foto: Henrique Kawaminami)
No cemitério, quadro foi montado para filhos e netos escreverem qual lembrança de amor as mães deixaram. (Foto: Henrique Kawaminami)

Hoje não tem churrasco, galinhada, lasanha, ou qualquer outro prato de mãe feito para os filhos. Mas nem tudo é ruim. As lembranças diminuem um pouco o sofrimento. "Eu lembro dela me chamando, cantando e brincando. Mesmo lutando contra o câncer, não perdeu a fé em Nossa Senhora. Gostava de se arrumar, estava sempre cheirosa. Sempre que eu chegava, me recebia com música de Milionário e José Rico", diz a filha.

Para a cozinheira Goretti Soarez, a saudade tem sabor. Ela cresceu cozinhando junto com a mãe que não esmoreceu nem na velhice. "Quando meu pai se aposentou, fazia pão para vender. Era uma cozinheira de mão cheia, antes de ficar acamada...", lembra.

Neste domingo, a cozinha ficou vazia pela primeira vez no Dia das Mães. A despedida foi em junho do ano passado, depois de uma fratura na bacia e meses de sofrimento. "Ficava 10 dias no hospital, 14 em casa, aí voltava. Foi um final de vida bem triste", conta a filha que morava com a mãe e, além de compartilhar o amor pela cozinha, também tinham na rotina irem à missa juntas.

Casal se abraça em frente a túmulo no Cemitério Nacional Parque.  (Foto: Henrique Kawaminami)
Casal se abraça em frente a túmulo no Cemitério Nacional Parque.  (Foto: Henrique Kawaminami)

Com o filho, a nora e o netinho ao lado, Goretti diz que a dor da perda só ameniza diante do sentimento de "dever cumprido", como boa filha que fez tudo que podia para garantir a felicidade da mãe. "Ela fez uma passagem tranquila. É o que me alenta", diz.

A missa deste domingo foi responsabilidade do padre Jucelândio José do Nascimento, da Igreja Nossa Senhora Aparecida. No sermão, a intenção foi confortar as famílias.

“Com certeza, esse momento de celebrar, em homenagem às mães já falecidas, é um conforto que a igreja traz através da oração, lembrando que nós vamos nos encontrar na ressurreição. Então a santa missa, nós celebramos esse mistério, que a morte, ela não tem a última palavra. Depois de uma peregrinação nesta vida, nós alcançamos uma vida definitiva, por isso estamos aqui hoje reunidos”.


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