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Comportamento

Sem um braço, desafio de Edilson é se tornar craque no arco e flecha

Ele pratica a modalidade há 2 meses, se apaixonou pelo esporte e agora quer se dedicar à competições

Por Idaicy Solano | 16/04/2024 07:45

Após perder o braço em um acidente de trabalho aos 19 anos, Edilson Amorim, hoje com 37 anos, segue vivendo mais uma superação ao explorar seus próprios limites. Mesmo com a condição física limitada, o próximo desafio do professor de educação física é se tornar atirador de arco e flecha profissional e participar de competições.

Ele conta que começou a praticar a modalidade há apenas dois meses, e descreve a experiência como “desafiadora”. O contato com o esporte foi por meio de um amigo, que o convidou para conhecer a modalidade. Hoje ele faz aula com professor Jean Henrique, da Arquearia Ypê.

Edilson declara que a relação com o arco e flecha foi paixão à primeira vista, desde o primeiro tiro. Ele precisou adaptar a prática do esporte para sua própria realidade, então para fazer o disparo, Edilson estabiliza o arco com a mão esquerda e encaixa a ponta da flecha na boca. Ele explica que não pode ter pressa para dar o tiro e é necessário redobrar a concentração para não errar o alvo.

Decidido a se tornar um atleta profissional e participar de competições, está trabalhando até na adaptação de um protetor bucal para utilizar na hora de acionar o gatilho da flecha, e proteger a arcada dentária, pois o material utilizado é pesado. O professor revela que, além do desafio, a prática também auxilia muito na questão da concentração.

“Agora eu tô nesse momento de me dedicar a uma coisa que eu quero. Está sendo bem gostosa essa experiência.Tem o tempo estipulado [para atirar], você tem que controlar a respiração, a ansiedade, respirar com calma”, detalha Edilson.

O professor conta que costuma praticar exercícios físicos com frequência, além de atirar com arco e flecha, faz corrida de rua. Ele declara que, apesar de amar correr, é o arco e flecha que desperta seu interesse em se tornar um atleta profissional.

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“Está sendo muito interessante pra mim e eu tô fazendo de tudo pra me dedicar, porque, quero me envolver em competições, até mesmo, se possível, de alto nível”, conta.

Trajetória - Em outubro de 2006, Edilson sofreu um acidente de trabalho em uma mineradora em Corumbá, enquanto fazia a manutenção em um equipamento. Ele escorregou e caiu no tambor de uma esteira.

Com a queda, ele acabou com a cabeça presa em um rolo. Para se soltar, ele conta que empurrou o rolo com o braço, que ficou preso e acabou sendo puxado e retorcido pelo equipamento, o que ocasionou a amputação.

A adaptação a sua nova realidade foi difícil, conforme relata o professor. Ele conta que teve acompanhamento psicológico, além de fisioterapia e terapia ocupacional para reconquistar a independência.  “Tudo que eu fazia na minha vida era com o braço direito, praticamente. E com a amputação, eu tive que reaprender novamente”, conta.

Edilson diz que foi um momento complicado e delicado, e como em qualquer recuperação após um trauma, passou por momentos de dor, tristeza e estresse. Hoje em dia, o professor declara que consegue fazer “quase tudo”, e brinca que apesar de dirigir, trabalhar e até atirar arco e flecha com uma mão, não consegue contar pão francês.

“O que eu tenho mais dificuldade de fazer, é cortar um pão francês. Parece coisa simples, mas eu não corto pão francês, eu rasgo. Faço tudo com a mão só, mas o pão francês eu não consigo cortar”, brinca.

Em 2009, Edilson prestou vestibular para educação física, e foi na época da universidade em que conheceu a esposa. Ele relata que foi um desafio, tanto para ele quanto para os professores. Todas as atividades que exigiam os dois braços precisavam ser adaptadas à realidade de Edilson, com ajuda dos professores. “Se eu tivesse uma dificuldade em alguma coisa, eu procurava fazer essa coisa repetitivamente até eu conseguir executar da minha forma”, finaliza.

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