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Comportamento

Toda tarde, Dona Cleuza toma cerveja quente no maior calor de MS

Lá em Água Clara, a “tia com cara de avó” tomava cervejinha em plena terça-feira, sem sofrer no calorão muito menos com o mormaço

Por Raul Delvizio | 07/10/2020 08:10
Tirando o calor de letra, Dona Cleuza bebia a cerveja quente, sem se importar (Foto: Marcos Maluf)
Tirando o calor de letra, Dona Cleuza bebia a cerveja quente, sem se importar (Foto: Marcos Maluf)

Sempre à procura de boas histórias para contar, o Lado B resolveu fazer um rolê em Água Clara, distante 198 quilômetros da Capital, e conferiu esse tal calorão do município mais quente do Estado. Para nossa tristeza, eram quase 45 graus de puro mormaço. Diferente da equipe que sofria debaixo de uma sombra de árvore, avistamos Dona Cleuza na mesa de bar, segurando uma latinha de cerveja e tirando o calor de letra.

O horário era o de sesta, por volta das 13h. Aos 72 anos e com cara de avó, a “tia” diferentona era o maior barato, desbocada e parecendo que a vida era só amargura. “É o jeitão dela, é sempre assim”, desconversou a dona do bar onde Cleuza Francisca da Silva estava sentada tomando sua cervejinha. Quente, inclusive. E toda tarde era a mesma coisa.

Momento de sesta era sagrado para a senhora, que ia às tardes no bar da amiga (Foto: Marcos Maluf)
Momento de sesta era sagrado para a senhora, que ia às tardes no bar da amiga (Foto: Marcos Maluf)

“Sou nascida e criada aqui, minha família veio de Rio Verde, aquele Ribas de Zé Orelha, Neném, Caboclo Velho, Fazenda Rapadura, ouviu homem?”, boquejou ao jornalista.

Não entendi muito bem os nomes que ela citou, mas não me atreveria a questioná-la ao sinal de que provavelmente levaria um cascudo. Mas, para minha surpresa, me convidou a sentar na mesa junto à ela.

“E o calorão, Dona Cleuza, como tá sobrevivendo?”, perguntei.

“Só nos resta rezar, sou bastante religiosa”, e tomou um gole do líquido alcoólico que parecia estar em ponto de ebulição. “Tudo isso daí é culpa do homem, é pura queimada, na minha época não era assim não”, comentou a senhora.

“E o calorão, Dona Cleuza, como tá sobrevivendo?” (Foto: Marcos Maluf)
“E o calorão, Dona Cleuza, como tá sobrevivendo?” (Foto: Marcos Maluf)

Segundo ela, Água Clara era outro município, completamente diferente. Não existia nada por ali onde sentamos para observar o movimento. Naquela avenida, só mato e eucalipto. O único mercadinho de rua era do lado oposto onde estávamos, no “início” da cidade.

“E no lugar do carros, andávamos a cavalo, tinha um monte por aqui”, relembrou.

Para não atrapalhar mais o “descanso” de Dona Cleuza, me despedi à procura de outras boas histórias como aquela conversa rápida mas divertida que tive com aquela mulher.

“Aproveita e paga umazinha gelada pra mim que a minha aqui acabou”, pediu.

Morar em Água Clara era sua felicidade, mas chegou a hora que nem a velha aguentou tamanho mormaço e “vento” abafado naquela mesa de bar. Não paguei a "gelada" porque o trabalho não permitia, mas minha vontade era de derreter ali junto à ela e tomar algumas boas latinhas para refrescar o corpo na incerteza se afastaria o calorão.

Look fashion, seria o óculos de sol para afastar o jornalista ou despistar o calor? (Foto: Marcos Maluf)
Look fashion, seria o óculos de sol para afastar o jornalista ou despistar o calor? (Foto: Marcos Maluf)

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