Da sala de aula ao 1º salário: programa transforma estudantes em profissionais
Iniciativa que conecta ensino médio ao mercado de trabalho já garantiu centenas de contratos

Em um Estado que cresce economicamente enquanto tenta reduzir desigualdades sociais, uma mudança silenciosa começa dentro das escolas: estudantes deixam de enxergar o futuro apenas como promessa e passam a experimentá-lo na prática — com carteira assinada, renda própria e novas perspectivas de vida.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
É nesse cenário que o Programa de Aprendizagem Profissional (PAP) vem ganhando espaço ao aproximar o ensino médio do mercado de trabalho. A proposta funciona como uma ponte entre a formação escolar e a experiência profissional, permitindo que jovens conciliem estudos e emprego ainda durante a fase escolar.
- Leia Também
- Escola faz lista e libera 92 pais de dormirem na fila para escolher turno
- Na rede estadual, aluno cursa Ensino Médio profissionalizante e sai com emprego
Para muitos, o primeiro passo acontece entre o medo e a expectativa. Foi assim com o estudante Wender Gustavo Cardoso Echeverria, da Escola Estadual Hércules Maymone, em Campo Grande. Em 2024, enquanto cursava o 2º ano do ensino médio no itinerário de Marketing Digital, ele ingressou no programa e foi encaminhado para atuar como auxiliar administrativo em uma empresa da Capital.
O início foi marcado pelo nervosismo típico do primeiro emprego. Mas o preparo recebido durante a formação — que inclui desde postura profissional até orientação para entrevistas — ajudou a reduzir a insegurança. No dia a dia, passou a lidar com organização de documentos, planilhas e rotinas administrativas, aprendendo na prática o funcionamento do ambiente corporativo.
O esforço trouxe resultado rápido: ao concluir o ensino médio, Wender foi efetivado.
“O PAP foi o início da minha vida profissional. Entrei sem saber o que faria do futuro e encontrei uma oportunidade que mudou minha trajetória. Hoje consigo ajudar minha família, organizar minha vida e investir nos meus estudos”, relata.
Educação que gera renda
Voltado a estudantes de 14 a 24 anos matriculados no ensino médio com formação profissional, o programa une teoria e prática por meio de contratos formais de aprendizagem previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Além da experiência profissional, os participantes recebem remuneração e acompanhamento pedagógico.
Dados das edições anteriores indicam que mais de 200 contratos já foram firmados entre alunos e empresas parceiras, com avaliação positiva do setor produtivo, que aponta preparo técnico e comprometimento dos jovens aprendizes.
Para a Secretaria de Educação, a proposta amplia o papel da escola ao transformar conhecimento em oportunidade concreta. Segundo o secretário Hélio Daher, a educação profissional passou a ocupar posição estratégica no desenvolvimento estadual ao garantir formação aliada à geração de renda.
Permanência na escola e mobilidade social
Além de abrir portas para o mercado, iniciativas como o PAP têm outro efeito direto: ajudam estudantes a permanecer nos estudos. Para muitos jovens, a possibilidade de trabalhar legalmente enquanto estudam reduz a pressão financeira dentro de casa e evita a evasão escolar.
O impacto vai além do indivíduo. Ao estimular autonomia financeira precoce e qualificação profissional, programas desse tipo fortalecem a mobilidade social e ampliam as chances de ascensão econômica das famílias.
Na avaliação do governo estadual, conectar escola e emprego é uma das formas mais eficazes de promover desenvolvimento com inclusão. A lógica é simples: quando o estudante encontra oportunidade antes mesmo de concluir os estudos, o futuro deixa de ser apenas expectativa — e passa a ser construção real.
Assim, histórias como a de Wender deixam de ser exceção e passam a representar um novo caminho para milhares de jovens: o de transformar o diploma em porta aberta para o primeiro emprego — e para uma vida com mais autonomia.

