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Campo Grande, Sábado, 18 de Agosto de 2018

30/01/2018 07:42

Três infecções não foram suficientes para apagar a vontade de viver de Guilherme

O pequeno nasceu com seis meses de gestação e ontem comemorou um ano de vida

Thaís Pimenta
Os papais com o pequeno Guilherme, já em casa, comemorando a família completa. (Foto: Divulgação)Os papais com o pequeno Guilherme, já em casa, comemorando a família completa. (Foto: Divulgação)

Com 26 semanas de gestação de seu segundo filho, Guilherme Chaparro Dias, a mamãe Janaína Chaparro notou um pequeno sangramento na calcinha. Até então tudo estava normal mas a preocupação a fez procurar um médico pra alertar sobre o ocorrido. Essa história, que a princípio tinha tudo para terminar de forma triste, seguiu da melhor maneira possível, com a comemoração do aniversário do pequeno guerreiro ontem (29).

Quando Janaína chegou no médico descobriu uma protusão na placenta, coisa que até então não havia nem sido citada pelos médicos que poderia acontecer. “Eu fazia tudo normal, desde o meu primeiro filho, o Daniel, que hoje está com oito anos. Me pegou de surpresa”, conta.

A protusão acontece por uma insuficiência do colo do útero, que vai afinando com o peso do bebê. “Eu tenho um mioma, sou mãe pela segunda vez, tudo isso contribuiu. Não senti dor nenhuma, só tinha uma sensação de dilatação na barriga”, explica Jana.

Janaína e Guilherme foram internados no dia 26, eles já estavam com quatro centímetros de dilatação. “O médico me disse que tinha de ficar em repouso absoluto”. Justamente nesta data, o marido e pai do bebê, Elimar Dias de Souza, não estava na cidade, o que tornou tudo mais difícil.

Dia 29 o médico obstetra Sílvio Raiolino decidiu pela cesária. Guilherme nasceu por volta das 10h da manhã, com 904 gramas e 34 cm. Por ser um bebê muito prematuro, a mãe não pôde abraçar o pequeno, que tinha cerca de 6 meses de vida.

Daniel e Guilherme, irmãos que são apaixonados um pelo outro. (Foto: Divulgação)Daniel e Guilherme, irmãos que são apaixonados um pelo outro. (Foto: Divulgação)

Gui foi direto pra UTI. Lá, adquiriu três infecções, a primeira delas a mais grave, no intestino. "Esse foi um momento delicado. Ele ficou 13 dias lutando pela vida, chegou a pesar 600g porque a dieta contra a infecção não permitia que ele comesse ou mamasse o peito. Exigiu muita luta e muita reza", lembra a mãe.

Recuperado, o pequeno bebê teve que aprender a respirar pouco a pouco. "O Gui foi pro Setup, aquele aparelho que auxilia na respiração e ficou ali por 47 dias", conta. 

Mesmo nesses momentos delicados, a família tinha certeza que o menino sairia bem de tudo isso. "A gente nunca duvidou. Assim que ele foi pra UTI, uma amiga minha veio nos visitar e me disse pra ter fé, eu decidi seguir por esse caminho".

Duas outras infecções também foram superadas por eles. Depois de todo esse tempo, 94 dias internado, o Guilherme finalmente saiu da UTI com um pequeno catéter como forma de auxiliar o pulmão. Ainda teve de enfrentar uma cirurgia na retina ocular.

Para a mãe, os momentos mais difíceis eram os de despedida. "Ter que vir pra casa e deixar ele ali, sozinho, era um drama toda vez. Nesse tempo eu fiz muitas amizades na Maternidade Cândido Mariano, mas também vi muita coisa que não gostei, isso me preocupava", desabafa.

O primeiro colo demorou pra ser vivenciado. (Foto: Divulgação)O primeiro colo demorou pra ser vivenciado. (Foto: Divulgação)

Depois de dois dias com o catéter, Guilherme começou a respirar sozinho. Ele precisou aprender a mamar também. "Tudo aconteceu no tempo dele".

Como intuição de mãe não falha, o final previsto pra essa história foi o melhor possível! "Hoje eu reflito sobre tudo e falo com tranquilidade sobre aqueles dias porque consigo ver que o Guilherme veio pra ensinar a gente sobre o que é ter fé, além de dar uma aula pra nós sobre ter paciência".

A tranquilidade com que a família conta sobre essa superação é emocionante. Ontem, o pequeno comemorou um ano de vida, em uma festinha simples, com os amigos mais próximos. Janaína conta que nem gosta de lembrar de tudo que aconteceu e que o pequeno hoje nem parece ter superado tanta coisa! "Ele tá um menino safado, engatinhando pra todo canto", brinca ela.

O irmão Daniel é um parceirão para ele. "É incrível. Eu digo que sou muito abençoada. Nunca escondi nada dele e, mesmo tão novo, ele fez questão de estar perto, de ir visitar o Gui, por exemplo, perguntava toda hora sobre o irmão". O maridão foi o porto seguro de Jana. "Ele me dava forças pra continuar".

Atualmente Guilherme usa óculos porque tem um grau pequeno de miopia. O guerreiro da família faz acompanhamento com fisioterapeuta e com um terapeuta ocupacional para ajuda na correção da idade, já que tem três meses de déficit quando comparado a uma criança que nasceu com 9 meses.

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