Yta transformou lixo em insetos feitos até com cabo de internet
Artesão usa fibra ótica, couro velho, caixote, coquinhos e o que mais der para aproveitar para fazer bichinhos
Discreto e com pavor das fotografias, Yta Agostino, de 54 anos, deixa que as mãos falem por ele. É com elas que o artesão transforma o que seria descartado em insetos cheios de detalhes e significado. Na banca da lojinha ao ar livre na Feira da Bolívia, os cabos de fibra óptica viram aranhas e os coquinhos velhos, junto com o metal, formigas de decoração. O ofício de transformar lixo em arte já dura pelo menos 30 anos.
RESUMO
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O artesão Yta Agostino, de 54 anos, transforma materiais descartados em insetos decorativos detalhados há 30 anos. Em sua banca na Feira da Bolívia, ele utiliza cabos de fibra óptica, coquinhos e metal para criar peças como aranhas, formigas e guerreiros massai. Inspirado pelo avô xilogravurista, Yta reutiliza diversos materiais em seu ateliê improvisado. As peças variam de R$ 25 a R$ 500, com formigas, borboletas e libélulas entre as mais procuradas. O artesão também trabalha com marcenaria e pode ser encontrado na Feira do Coophatradio e na Feira da Bolívia.
O artesão cresceu em Sidrolândia ao lado dos avós e da mãe. O avô, xilogravurista, entalhava também peças em madeira para entregar em fazendas e deixar nas portas das casas. Foi observando o avô que ele diz ter aprendido as qualidades que carrega até hoje.
Nada se perde no ateliê improvisado. Caixote de verdura, retalhos de couro, palheta de carro, cabo de fibra óptica, coquinho, pregos e madeiras ganhadas viram matéria-prima. Tudo o que pode ser reaproveitado encontra uma nova função nas mãos do artesão.
“Sempre gostei de animais. Quem é do Pantanal o gosto é grande por eles. Eu trago os insetos porque gosto muito e coloco nome científico nas plaquinhas, prezo pelo conhecimento. Uso a arte, mas também instigo a pessoa a pesquisar qual nome popular do que tá escrito”.

Na bancada, além das formigas, há gafanhotos, vespas, borboletas, bicho-folha, louva-a-deus, aranha do fio dourado, libélula e guerreiros massai. Os guerreiros massai fazem parte do povo Maasai, um grupo tradicional que vive no leste da África. Eles são conhecidos mundialmente pela forte identidade cultural, pelas roupas marcantes e pela relação profunda com a terra e a comunidade.
“Meu maior orgulho é a finalização de todos. Ver a arte pronta me enche. Meu xodó são os guerreiros massai. Eles demoram uns 15 dias para ficarem prontos porque sempre preciso ir atrás de material”.
As peças variam de preço. As formigas, por exemplo, saem a partir de R$ 25, enquanto outras obras podem chegar a R$ 400 ou R$ 500. O favorito de Yta custa R$ 450.
Entre os mais procurados estão as formigas, borboletas e libélulas. Além da arte, Yta trabalha com marcenaria e recuperação de móveis. A criação dos insetos é a parte artística do ofício. E ele garante que, se alguém pensar em um inseto, ele faz. O artesão comenta que, às vezes, enfrenta dificuldades com as ferramentas usadas para fazer os bichinhos.
“Todo artista sente isso, porque como elas são industrializadas, acaba sentindo necessidades específicas e tem que criar uma. Faço colares também”.
Atualmente, Yta expõe e vende suas peças na Feira do Coophatradio e na Feira da Bolívia, com a lojinha Sagui Artes. Para encomendar, é preciso entrar em contato pelo número 67 9900-6247.
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