Canetas emagrecedoras forçam mudança no cardápio em restaurantes da Capital
Elas respondem ao menor consumo por cliente e à busca por opções de pratos mais leves
O uso de medicamentos que alteram o apetite e estão presentes em canetas emagrecedoras, tende a se intensificar este ano com a chegada de opções genéricas e mais baratas no mercado, e força restaurantes a se adaptarem.
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A popularização das canetas emagrecedoras, medicamentos que reduzem o apetite, está influenciando os hábitos de consumo em restaurantes de Campo Grande. Estabelecimentos como a churrascaria Nativas Grill e o Super Divertidoos adaptaram seus cardápios, oferecendo opções como buffet e saladas, além de flexibilizar o sistema de rodízio para atender clientes que comem menos devido ao uso desses medicamentos. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) observa que, embora o consumo tenha mudado, não há necessariamente uma redução no número de clientes. A entidade destaca que a adaptação dos restaurantes pode até melhorar as margens de lucro, equilibrando custos e novas demandas dos consumidores. Enquanto alguns estabelecimentos notam mudanças, outros, como o Souza Grill, atribuem ajustes no cardápio à busca por economia pelos clientes.
Na visão da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), o movimento se amplia desde o ano passado. Entre as mudanças de comportamento já observadas estão a divisão de pratos por casais, menor consumo de bebidas alcoólicas e o compartilhamento de sobremesas antes servidas para uma só pessoa.
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Em Campo Grande, alguns restaurantes confirmam o impacto. A churrascaria Nativas Grill, no Bairro Chácara Cachoeira, por exemplo, só tinha a opção de rodízio de churrasco. Há uma semana, acrescentou no cardápio a opção de buffet livre para atender clientes que não querem ou não podem comer carne vermelha e pretendem comer uma quantidade menor pagando menos.
O gestor da churrascaria, Alex Wastowski, não acredita que houve perda de clientes devido ao uso de canetas emagrecedoras, mas que o comportamento realmente está mudando. "Temos um que é ex-obeso, fez o uso da caneta com acompanhamento médico e perdeu 40 quilos, mas segue frequentando o estabelecimento. Só que ele come menos, segue a dieta e nós temos outras opções aqui para atendê-lo", exemplifica.
Mudança no rodízio - O restaurante Super Divertidoos, no Bairro Monte Castelo, foi outro da Capital que precisou se adaptar. Antes, todas as pessoas na mesma mesa precisavam abrir uma comanda e pagar a taxa de rodízio de salgadinhos, pizzas e hambúrgueres. Agora, é possível negociar isso com um funcionário.
"Temos recebido clientes que vêm para participar de confraternizações, mas explicam que estão usando caneta e, por isso, não vão querer o rodízio. Daí a gente abre uma exceção com comanda separada para registrar só as bebidas. De 400 pessoas numa noite, podemos dizer que seis ou sete nos fazem esse pedido", explica o gerente, Tony Wesley Telecher.
O estabelecimento serve o rodízio à noite e almoço de dia. Uma das novidades diurnas foi a inclusão de saladas variadas no cardápio. "Alguns clientes estão preferindo folhas, opções mais leves, até por um movimento de vida mais saudável que começou após a pandemia de Covid-19", acrescenta o gerente.
Não sentiu - Já o restaurante Souza Grill não fez mudanças no cardápio relacionadas ao comportamento do cliente, mas sim, à falta de dinheiro. Desde 2018 no negócio e com clientela fixa que virou amiga, o proprietário, Emerson Souza, relata não ter notado uma mudança de comportamento relacionada ao uso de emagrecedores.
Ele afirma que os clientes buscam economizar nos pratos, por isso, adicionou o buffet por quilo como opção e passou a oferecer descontos para categorias como trabalhadores da segurança pública e bancários, por exemplo. "A gente teve que criar coisas diferentes pensando na fidelidade do cliente no momento de falta de dinheiro", conta.
Visão da associação - Para a Abrasel, o impacto não é necessariamente negativo. "Não significa que as pessoas estejam deixando de consumir nos restaurantes, mas sim mudando a forma como consomem", avalia o presidente da entidade, Paulo Solmucci.
A associação cita ainda que, do ponto de vista operacional, a mudança pode contribuir para o equilíbrio financeiro dos negócios. "A redução no volume de insumos por prato, combinada com ajustes de preço e novas escolhas do consumidor, tende a preservar, e até melhorar, a margem dos estabelecimentos, reforçando a capacidade de adaptação do setor às transformações de comportamento e consumo", finaliza.





