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Consumo

Catchup agora pode ter pelo de rato e chocolate das crianças vir com 10 insetos

Por Paula Maciulevicius | 01/04/2014 12:49
Notícia até parecia pegadinha para os consumidores. A reação da representante comercial Fátima foi de "que horror". (Fotos: Marcelo Victor)
Notícia até parecia pegadinha para os consumidores. A reação da representante comercial Fátima foi de "que horror". (Fotos: Marcelo Victor)

Catchup agora pode ter pelo de rato e o chá de camomila ser servido com até cinco insetos. É oficial, norma estabelecida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

Parece até brincadeira, mas uma resolução publicada ontem no Diário Oficial da União normatizou o número máximo de insetos, pelos de ratos e ácaros que podem ser encontrados nos alimentos, quando na verdade, não teria de ser nenhum.

Mas como nem a indústria alimentícia, nem a Anvisa têm tecnologia para tolerância 0, a jeito foi estabelecer "algum parâmetro", evitando assim uma enxurrada de denúncias e pedidos de indenização. 

A medida estabelece o limite tolerável de “matérias estranhas” em frutas, farinhas, chás, cafés e achocolatados. Por exemplo: catchup, molho, purê, polpa e extrato de tomate podem ter até 10 pedaços de insetos para cada 100g.

Para a mesma proporção, um pelo de rato achado ainda está dentro do permitido e não pode gerar reclamação. O achocolatado em pó das crianças, pode conter até um pelo de rato, ou 10 partes de insetos para cada 100g.

As frutas desidratadas não escaparam. O limite máximo para pedaços de insetos é de 25 para 25g. Nas geleias de frutas, uma embalagem de 100g não pode ter mais do que 25 fragmentos de insetos.

Na farinha de trigo, ingrediente primordial para pães, biscoitos e bolos, a quantidade permitida é de 75 pedaços de insetos para cada 50g. O chá de camomila entra com número mais específico: na embalagem de 25g, quem encontrar até cinco insetos inteiros não tem direito a reclamar.

Para a dona de casa Elisa, absurdo é. Mas se for avaliar tudo, não se come mais nada.
Para a dona de casa Elisa, absurdo é. Mas se for avaliar tudo, não se come mais nada.

Na justificativa, a Anvisa coloca que tais percentuais não significam risco. Consumir produtos assim pode não provocar problema de saúde, mas que causa repulsa, isso é inegável. 

“Nossa, que horror”, é o comentário da representante comercial, Fátima Cristina Monteiro, de 47 anos. A normativa abre margem para se imaginar quanto de insetos e pelos de roedores não estamos consumindo antes de qualquer legislação definir o máximo. “A população está à mercê dessas coisas e isso não é legal”, diz a dona de casa Rosângela Nunes, de 59 anos.

A dona de casa Elisa Maria Loureiro, de 57 anos, se choca. “Agora tem a quantidade que vai ser permitida? Isso é um absurdo. Não é só esses alimentos, massa de tomate, óleo... Se a gente for avaliar como é feito, não come nada”, resume.

A Anvisa justifica que a regulamentação visa promover a melhoria da qualidade e segurança dos alimentos. Para ver a resolução completa, clique aqui.

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