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Consumo

Em Piraputanga, vitrine online vende “de um tudo”

Grupo apenas para moradores ou proprietários de imóveis no distrito é o principal canal de comunicação

Por Bárbara Cavalcanti | 21/10/2021 16:15
No grupo "Divulgação e Venda em Pira", você acha desde comida até prestação de serviços. (Foto: Paulo Francis)
No grupo "Divulgação e Venda em Pira", você acha desde comida até prestação de serviços. (Foto: Paulo Francis)

Pães, bolos, doces, carnes, verduras, móveis... Em Piraputanga, distrito turístico de Aquidauana, cidade a 120 quilômetros de Campo Grande, o aplicativo de mensagens virou balcão de negócios. Por R$ 8,50, você leva um pote de biscoitos de nata. Pagando R$ 70 no Pix, o sapato de salto alto chega em casa. E ainda dá para tentar a sorte investindo na rifa, com prêmio de R$ 100.

O sistema, que une moradores há muito tempo em condomínios de Campo Grande, por lá, muitas vezes é até questão de sobrevivência. Tem sempre alguém avisando sobre temporais, riscos na estrada ou outro motivo de alerta para a comunidade. Como a região ainda tem mais mato do que residências, hoje, o WhatsApp pode ser comparado ao que o rádio fazia antigamente, prestando serviços a quem vive longe dos grandes centros.

Bolo, feijoada, pão francês... Comida não é problema no grupo de Piraputanga. (Foto: Reprodução)
Bolo, feijoada, pão francês... Comida não é problema no grupo de Piraputanga. (Foto: Reprodução)

Mas para que a coisa seja ordeira e com o mínimo de confusão possível, quem entra, precisa respeitar regras para a boa convivência. De acordo com uma das administradoras, a empresária Estela Rosa de Azevedo, de 48 anos, nos dias de hoje, não tem como ser diferente. “A gente pede para não se falar de política, religião, nem futebol, para não ofender o outro. Todas as pessoas têm liberdade de expressão, mas é preciso manter o respeito”, reforça.

No grupo “Divulgação e Venda de Pira”, a troca de informações é forte. Se o gato sumiu, é o primeiro espaço de divulgação em busca do bichinho. Mas o que domina as conversas mesmo, é o comércio. Tem morador vendendo comida com "temperinho caseiro", feijoada, roupas, sabão, calçados e até artesanato.

Camila Oliveira mora há 14 anos em Piraputanga, sempre vendeu sapatos e lingeries, mas com a tecnologia as coisas ficaram muito mais fáceis. "Antes eu tinha de ir de porta em porta, agora é só pedir pelo Whats, fazer o Pix que a gente entrega", resume.

Do perfume ao sabão em líquido ou barra, é só pedir pelo WhatsApp. (Foto: Reprodução)
Do perfume ao sabão em líquido ou barra, é só pedir pelo WhatsApp. (Foto: Reprodução)

Foi realmente uma "revolução" no distrito, porque antes, alguns precisavam rodar 31 quilômetros para fazer negócio em Aquidauana. “Tinha gente que antigamente nem conseguia vender por aqui, levava produtos para Aquidauana e região. Agora, tudo o que você precisar, você encontra nesse grupo, basta perguntar. Desde comida a prestação de serviço, ali tem tudo”, reforça Estela.

Para Solemar Alves Bastos, o Whats é renda diversificada. Ela vende sabão, cosméticos, oferece serviço de manicure e agora produz até peças em crochê. "Meu pai morava já em Piraputanga e eu em Campo Grande. Por isso, entrei no grupo antes mesmo de me mudar para lá e já comecei a anunciar", conta.

Rosene dos Santos, por exemplo, já usou o grupo a procura de um tanquinho para comprar, mas também faz propaganda do espetinho que produz na varanda de casa. "Este grupo é tudo de bom. Todos anunciam seus produtos, são todos moradores e tudo é com respeito um pelo outro"

A ideia surgiu em 2017, depois que ela fez um curso no Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e resolveu juntar os participantes para conversarem sobre assuntos relacionados aos cursos. Porém, a cada dia, alguém novo surgia para engrossar o bate-papo.

“Aí começaram a postar coisas de vendas, como por exemplo, bolo ou de roupas. Então, eu percebi que já não era mais sobre o Senar e mudei o título”, lembra.

Tem rifa, gato perdido e todo tipo de necessidade divulgada no grupo. (Foto: Divulgação)
Tem rifa, gato perdido e todo tipo de necessidade divulgada no grupo. (Foto: Divulgação)

Já são mais de 220 participantes, todos residentes ou proprietários de imóveis no distrito. A administração também restringiu a participação de apenas uma pessoa por família, para não dar confusão. “É a maneira que a gente encontrou de se comunicar e dá certo. É ali que a gente fica sabendo de tudo do local”, acrescenta.

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Aviso de temporal ou compra de um sapato novo? Tudo vai pelo Whats. (Foto: Reprodução)
Aviso de temporal ou compra de um sapato novo? Tudo vai pelo Whats. (Foto: Reprodução)


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