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Consumo

Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa

Tecnologia cria objetos e conquista empreendedores, fãs do universo pop e até quem busca praticidade no lar

Por Amanda Ferreira | 24/09/2026 07:14
Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa
Impressoras podem utilizar materiais como borracha, resina, metal, gesso, cera, tecidos, cerâmica e papel (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem circula pelas feiras de Campo Grande já deve ter percebido a presença cada vez maior de expositores de impressoras 3D. Os estandes chamam atenção com reproduções de personagens da cultura pop, objetos do universo geek, peças de decoração e até utensílios para o dia a dia.

RESUMO

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As impressoras 3D ganham cada vez mais espaço nas feiras de Campo Grande, atraindo jovens, adultos e empreendedores. A tecnologia permite criar desde miniaturas e colecionáveis até utensílios domésticos, usando materiais como plástico, resina e metal. Casos como o de Mariana Emanuele, de 16 anos, que já possui 11 impressoras compradas com recursos próprios, ilustram como a ferramenta virou fonte de renda e rotina para moradores da cidade.

A tecnologia, que antes parecia restrita a laboratórios e grandes indústrias, vem ganhando espaço entre jovens, adultos e empreendedores que enxergam novas possibilidades de criação e negócio. Além de transformar a forma como produtos são desenvolvidos, a impressão 3D também desperta a curiosidade de quem imagina ter em casa uma ferramenta capaz de produzir objetos sob demanda.

 Afinal, se uma panela quebrar ou faltar algum item específico, seria possível criar uma substituta em poucas horas sem precisar sair de casa?

Diferentemente de uma impressora tradicional, que usa tinta para reproduzir imagens em uma superfície plana, a impressora 3D fabrica objetos físicos em 3 dimensões, com volume e formato definidos. O resultado é uma peça que pode ser manuseada, como brinquedos, ferramentas, protótipos e até componentes usados em diferentes áreas.

Os materiais usados na impressão também são variados e vão muito além do plástico. Dependendo do equipamento e da finalidade, é possível usar borracha, resina, metal, gesso, cera, tecidos, cerâmica e papel. E isso tem se tornado uma febre porque cada vez mais pessoas estão aderindo às impressoras 3D.

Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa
Impressoras 3D transformam projetos digitais em objetos físicos usando diferentes materiais, como resina e filamentos (Foto: Arquivo Pessoal)

Em resinas - Leonardo Gomes, de 40 anos, microempreendedor da Runa Forge, transformou o interesse por tecnologia e cultura geek em uma fonte de renda. A aproximação com as impressoras 3D começou como curiosidade, mas ganhou novos caminhos quando ele descobriu a impressão em resina, capaz de produzir miniaturas e colecionáveis com mais detalhes.

 O hobby de pintar peças de jogos de tabuleiro acabou se juntando à nova habilidade e deu origem a um negócio levado para feiras culturais de Campo Grande.

“Eu sempre gostei muito de tecnologia e desse universo mais nerd. Quando comecei a pesquisar sobre impressoras 3D, achei fascinante. No início era algo para mim, mas começaram a surgir encomendas de miniaturas e colecionáveis. Como eu já gostava de pintar peças de jogos, juntei as duas coisas e, aos poucos, o hobby virou um negócio”, conta Leonardo.

Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa
Leonardo Gomes uniu tecnologia e cultura geek para transformar o hobby de criar miniaturas em negócio (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois, o projeto passa por um programa que ajusta detalhes como tamanho, estrutura e configurações necessárias para que a impressora consiga transformar o desenho em um objeto físico.

“Eu costumo brincar que a impressora de filamento funciona como uma pistola de cola quente extremamente habilidosa: ela aquece o material e vai depositando camada por camada até formar a peça. Já a impressão em resina parece até mágica para quem vê pela primeira vez. A peça é formada de cabeça para baixo, com a luz UV endurecendo a resina líquida em camadas muito finas até o objeto surgir aos poucos”, explica Leonardo.

Leonardo explica que, atualmente, o trabalho da Runa Forge está concentrado principalmente na produção de miniaturas, colecionáveis e componentes para jogos de tabuleiro. Entre as peças que mais despertam interesse dos clientes estão os colecionáveis pintados, enquanto as miniaturas para RPG aparecem como um dos produtos com maior procura.

A popularização das impressoras 3D também mudou a forma como muitas pessoas enxergam a tecnologia, que deixou de parecer algo distante e passou a ser vista como uma possibilidade de criação e até de renda extra. Para Leonardo, a evolução dos equipamentos ajudou a tornar o processo mais acessível para novos usuários.

Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa
Miniaturas e colecionáveis estão entre os produtos mais procurados pelos clientes de impressão 3D (Foto: Arquivo Pessoal)

“A impressão de filamento se popularizou muito porque é uma tecnologia mais fácil de usar. As próprias impressoras evoluíram bastante nesse sentido, ficando mais simples de operar. Com isso, muita gente começou a enxergar uma oportunidade de aprender e até transformar a impressão 3D em uma fonte de renda”, explica.

Em filamento - Aos 16 anos, Mariana Emanuele já acumula uma trajetória que muitos empreendedores levam anos para construir. Ao lado da mãe, bacharel em Direito, a adolescente comanda um negócio de impressão 3D que começou como curiosidade e hoje conta com 11 impressoras próprias, adquiridas com o dinheiro das vendas realizadas em feiras de Campo Grande.

Segundo a mãe de Mariana, a jovem começou a se interessar pela tecnologia aos 15 anos, quando pediu autorização ao padrinho para usar a impressora dele e produzir peças para comercialização. A partir daí, as vendas em feiras se tornaram parte da rotina e o negócio cresceu. Hoje, ela participa de eventos, possui 3 bancas na Feira do Bosque e já recebe convites para expor em outras programações da cidade.

Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa
Aos 16 anos, Mariana Emanuele já possui 11 impressoras adquiridas com o dinheiro das próprias vendas (Foto: Arquivo Pessoal)

“A partir daí, começamos a levar para as feiras. Hoje ela tem 11 impressoras, todas compradas com o próprio dinheiro das vendas. As pessoas ficam encantadas quando descobrem que ela tem só 16 anos e já construiu o próprio negócio”, conta a mãe.

A jovem empreendedora produz principalmente peças ligadas à cultura pop, como personagens de animes, filmes e jogos, além de itens personalizados de times de futebol, produtos que costumam chamar a atenção dos clientes nas feiras de que participa.

A popularização das impressoras 3D também abriu espaço para produtos que unem tecnologia e funcionalidade. Entre as peças mais procuradas na Imperial das Impressões 3D estão os itens sensoriais, conhecidos por ajudarem no alívio do estresse e que passaram a ser usados até por profissionais em clínicas.

Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa
Peças sensoriais e personagens de filmes e séries estão entre os itens que mais chamam atenção dos clientes (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu acho que as peças sensoriais são as que mais chamam atenção. Crianças, pessoas com TDAH e até adultos compram bastante. Eu acredito que veio para ficar. É uma tecnologia muito avançada e, vendo minha filha trabalhando todos os dias com isso, ainda fico impressionada com tudo que ela consegue produzir. A impressão 3D consegue criar praticamente aquilo que a pessoa imagina”, explica a mãe de Mariana.

Para o dia a dia - Gabriel Leite e Beatriz Irineu encontraram na impressão 3D uma forma de dividir custos e transformar a tecnologia em parte da rotina do casal. Junto com o irmão de Beatriz, eles compartilham uma impressora e dividem as tarefas de produção, criando desde utensílios domésticos e objetos de lazer até personagens e peças inspiradas em gostos pessoais.

Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa
Porta canetas feito por impressora de Gabriel e Beatriz (Foto: Arquivo Pessoal)

A impressora escolhida pelo trio foi uma Bambulab A1 Mini, modelo que, segundo o casal, facilitou o início no universo da impressão 3D por exigir menos conhecimento técnico para configuração. O equipamento custou cerca de R$ 2,3 mil e usa principalmente filamentos como PLA e PETG, materiais bastante usados no mercado.

“A gente escolheu uma impressora mais simples de usar, porque existem modelos que exigem muito mais conhecimento antes de começar. O custo dos filamentos também acaba sendo acessível, geralmente entre R$ 125 e R$ 130. A manutenção não é frequente, mas é preciso ter cuidado, manter a máquina limpa, lubrificada e seguir as orientações para evitar problemas”, explica Beatriz.

Além das peças voltadas ao lazer e à cultura pop, Gabriel e Beatriz também usam a impressora 3D para facilitar tarefas do cotidiano. Entre as criações estão utensílios domésticos, como porta-objetos, organizadores e outros itens que ajudam na rotina da casa, além de peças personalizadas usadas como presentes para amigos e familiares.

Impressora 3D vira febre e já tem adolescente com 11 máquinas em casa
Organizadores, utensílios domésticos e objetos personalizados fazem parte das criações para o dia a dia (Foto: Arquivo Pessoal)

“A gente acaba usando muito para coisas do dia a dia. Se falta algum item, como um organizador, um porta-objeto ou até alguma coisa mais específica, muitas vezes conseguimos fazer com a impressora. Também é muito legal poder criar algo personalizado para presentear alguém, de vez em quando vendemos para amigos ou colegas”, finaliza Beatriz.

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