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Consumo

Loja consegue sobreviver 3 décadas com a mesma fachada e estilo de vestidos

Por Paula Maciulevicius | 09/11/2013 07:15
Tudo continua no mesmo lugar. A dona que costura, a tradição dos vestidos 'bolo' e o colorido da loja de criança. (Fotos: Marcos Ermínio)
Tudo continua no mesmo lugar. A dona que costura, a tradição dos vestidos 'bolo' e o colorido da loja de criança. (Fotos: Marcos Ermínio)

Na fachada, um carrossel e as cores vermelha, branca e rosa. A Moranguinho que estampa a parede lateral também dá o nome à loja “Sabor de Morango”. Há mais de 30 anos, o comércio na rua Barão do Rio Branco é do mesmo jeito. Não mudou a fachada, donos e nem os produtos. As roupas, 90% delas, são de fabricação própria e seguem à risca a linha infantil.

O nome da loja veio de uma conversa entre a dona e o irmão. Quando ele sugeriu de pintar a Moranguinho do desenho e ela disse que o nome seria então Sabor de morango. O formato de carrossel foi herança do comércio passado. Antes de ser Sabor de Morango, o local abrigou uma loja de sapatos que chamava Carrossel. Como a ideia era a loja de criança, nada mais propício do que deixar como estava e dar à Moranguinho, um parque de diversões.

Da vitrine às araras, chega a dar saudade de quando a gente podia usar aqueles vestidos que mais parecem de boneca. As roupas de criança, o colorido das estampas que vão de zero aos 16 anos vestiu muitos pequenos na década de 80 e 90 em Campo Grande.

“Nós estamos até hoje por causa disso. Se eu vendesse só roupa comprada pronta, não existiria mais. Os clientes vêm por causa dos vestidos”, explica a dona Maria Helena Ferelli Vasques, de 62 anos.

Dona Maria Helena e o mesmo afeto de quem costura para os próprios filhos.
Dona Maria Helena e o mesmo afeto de quem costura para os próprios filhos.

A simpática, bem vestida e humorada senhora que costura com todo afeto um vestido de dama no fundo da loja é a proprietária. Dona Maria Helena sempre atendeu às clientelas baixinhas e pelos dedos dela e do marido Hélio que saem os vestidos estampados de usar no dia-a-dia, até os para daminhas de casamento. É tudo feito com tanto cuidado que se tem a impressão de que ela faz para os próprios filhos.

Na cidade, a loja é uma das poucas que sobrevive ao tempo e às mudanças na moda infantil. Tanto na vitrine como nos cabides, as roupas são de criança mesmo, não aquelas que mais parecem uma miniatura do guarda-roupa adulto.

O estilo da confecção foi passado de mãe para filha. “Vem da minha mãe, ela tinha a loja Cirandinha, na Cândido Mariano. Quando fechou, os clientes dela passaram para mim”. E junto veio a tradição. O marido faz o corte e ela o molde. E depois as roupas são levadas para as costureiras trabalharem em casa.

A inspiração vem dos olhos e do coração. “A gente às vezes olha alguma coisa e cria ou adapta para o que os clientes querem”, completa. Exemplo disso foi a recente coleção da Galinha Pintadinha.

Com mais de três décadas de história, a loja já está na terceira geração, tanto do lado de lá, como o de cá do balcão. É que as mães que traziam os filhos para provar roupas, hoje chegam com os netos. E tanto a fabricação, como a venda, passou de avó, mãe e agora chegou à filha. Evelin Ferelli Vasques, de 38 anos, também está à frente do negócio.

“Eles passam uma fase sem aparecer e quando veem, de repente aparecem com filho. Acontece diariamente”, conta Maria Helena.

Movida pela música que sai do rádio ao lado, é que ela se senta diante da máquina de costura para fazer o que mais gosta. “Vestidos de 1 ano. A festa tem toda aquela celebração, o vestido 'bolo', os pais não se importam com o preço, querem coisa bonita”, explica.
A tradição não custa caro. Tem vestidos lindos a partir de R$ 40 e para os mocinhos, marcas que ainda confeccionam suspensórios, por exemplo. “É muito difícil, mas ainda tem quem fabrique”, comenta. Para a moda deles, a loja vende Tango e Destaque.

A fachada pode não ter mudado e ser a mesma de quando eu era criança, mas a loja agora vende pela internet, no site: http://www.sabordemorango.com.br/. Quem comprou e hoje chegou à fase de ver a filha provando roupas, vale mais a pena voltar no tempo e ir pessoalmente mesmo. A disposição das roupas e os provadores continuam no mesmo lugar. Não tem erro.

Para os mocinhos, a loja consegue manter roupas tradicionais, como o suspensório.
Para os mocinhos, a loja consegue manter roupas tradicionais, como o suspensório.
De longe um encanto, de perto dá a impressão de ser roupa de boneca.
De longe um encanto, de perto dá a impressão de ser roupa de boneca.
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