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Consumo

“O plus size nos escolheu”, diz quem só vende looks GG na periferia

Jacyra relata que clientes sentem dificuldade em encontrar peças que não pareçam "capa de botijão"

Por Jéssica Fernandes | 13/01/2022 08:48
Jacyra dentro da loja na Vila Piratininga. (Foto: Paulo Francis)
Jacyra dentro da loja na Vila Piratininga. (Foto: Paulo Francis)

Em muitos lojas, as peças mal passam do “GG” e, quando isso acontece, as roupas dificilmente agradam esse público ou oferecem aquele preço “bacana”.

Jacyra Souza de Almeida, 48 anos, começou vendendo roupas de porta em porta há 10 anos. Ao abrir a primeira loja, ela comercializava produtos de tamanho único, mas sem focar no tamanho plus size. Hoje, a história é diferente, as roupas para essas mulheres se tornaram o foco principal. “Acabou que foi o plus size que nos escolheu”, resume.

Mas ela investiu na periferia e deu certo. Hoje, atende em lojas na Avenida Manoel da Costa Lima, 1375, Bairro Vila Piratininga e no Bairro Pioneiros, na Rua Ana Luísa de Souza.

Até o tamanho 54, a clientela encontra peças para todas as ocasiões, desde academia até formatura. Calças jeans, saias, shorts, vestidos longos, curtos, kimonos, blusas, croppeds, leggings, biquínis e maiôs estão entre as opções. Sobre a moda plus size, Jacyra comenta os desabafos que as clientes costumam fazer. “Elas querem algo mais modinha, mais jovial e falam que sentem dificuldade para achar algo que não pareça uma capa de botijão”, conta.

Proprietária mostra vestido de festa. (Foto: Paulo Francis)
Proprietária mostra vestido de festa. (Foto: Paulo Francis)

Ao Lado B, Jacyra contou que, antes de ter o próprio negócio, comercializava roupas no antigo serviço e, posteriormente, de casa em casa. “Antes de abrir a loja, eu vendia roupa de porta em porta, mas foi ficando difícil. Eu migrei e decidi abrir a loja. Quando abri, estava no vermelho, fui conciliando, até que deu certo. Hoje, me sinto muito grata”, afirma.

Para Egina Becker, 32 anos, encontrar roupas que a valorizem sempre foi uma dificuldade. “Durante muito tempo, encontrar roupas bonitas e padrões para nós gordas foi uma luta. As roupas eram sempre muito senhoras, muito em prol de esconder o corpo”, desabafa.

De acordo com ela, lojas dedicadas para as mulheres plus size são essenciais para a construção da autoestima, além de ajudarem a romper com o preconceito. “Ainda vejo bastante relutância quanto ao segmento plus, muito preconceito até entre as gordinhas, mas isso está diminuindo, a moda está acompanhando. Poder me sentir bem com uma roupa e que está na moda é maravilhoso”, garante.

Egina durante ensaio. (Foto: Arquivo Pessoal)
Egina durante ensaio. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo não sendo modelo profissional, ela arriscou fazer algumas fotos para loja e garante que o processo a empoderou ainda mais. “Poder fotografar foi empoderante, então, engoli a vergonha de me expor fisicamente e fui para o abraço. Me senti bem comigo mesma e bonita”, concluiu.

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