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Consumo

Vendedor faz alegria nos bares com “piroca” e “pepeka” de chocolate

Ao lado da esposa, vendedor faz jornada dupla vendendo pela cidade e ainda oferece produtos de sexshop

Por Thailla Torres | 10/10/2021 07:30
Adilson vendendo chocolates na noite de sexta-feira, em um dos bares mais antigos da cidade: Aguena. (Foto: Thailla Torres)
Adilson vendendo chocolates na noite de sexta-feira, em um dos bares mais antigos da cidade: Aguena. (Foto: Thailla Torres)

Em plena sexta-feira, com bar lotado, Adilson Anselmo da Silva, de 38 anos, chega sem pudores para vender mais que um simples chocolate. Uniformizado e com uma cesta bem iluminada, ele apresenta de cara chocolates em formatos de pênis e também de vagina.

Tem “piroca” na versão   pequenininha ou avantajado com quase 15 centímetros. Já as vaginas, comumente chamadas de “pepekas” pela freguesia são em versões menores. Mas, independentemente do tamanho, homens e mulheres compram os dois modelos de chocolate só para lamberem ou comerem à vontade ali mesmo.

Tem gente que compra só para fazer zoeira com os amigos e há quem compre “piroca grande” só “para presentear a sogra”, brinca o vendedor, que há 11 anos peregrina pelos bares de Campo Grande para vender doces feitos durante o dia pela esposa Maria Cristina Pereira da Costa, de 40 anos, carinhosamente chamada pelo marido de “turca”. “Minha turca é brava, mas também o maior amor da minha vida”, se declara.

Ela é quem diariamente também o acompanha nas vendas. Os dois passam pelos bares de carro, que tem iluminação azul de LED no interior. “Quando eu passo todo mundo sabe que estamos chegando”.

Chocolates em versões menores feitos por Maria e vendidos por Adilson. (Foto: Thailla Torres)
Chocolates em versões menores feitos por Maria e vendidos por Adilson. (Foto: Thailla Torres)

Pais de três filhos, um menino de 17 anos e duas gêmeas de 13, as caçulas dormem no banco de trás do veículo na companhia da mãe enquanto o pai desce nos estabelecimentos para fazer a venda.

Diferente de outros vendedores, Adilson só coloca os pés em locais onde donos autorizam a venda. “Assim não corro o risco de incomodar os clientes e nem os donos dos lugares, por isso, eu sempre procuro pedir primeiro”.

Os chocolates em formatos de órgãos genitais, claro, fazem o maior sucesso. E isso foi ideia dos próprios campo-grandenses. “Foram os clientes que sugeriram, em 2011”.

Mas, o primeiro pedido não foi por chocolates. Adilson diz que alguns clientes sugeriram que ele vendesse produtos eróticos nas mesas, como lubrificante, gel de sensações e aquelas famosas bolinhas, por exemplo.

Ao contar a ideia do cliente para a esposa Adilson ouviu de cara um “não”. Então comprou alguns produtos escondido e passou a vender junto com os copinhos de chocolate recheados que Maria faz de diferente sabores e que virou o carro-chefe da cesta de produtos do marido.

Com o tempo, Maria soube por Adilson que a venda dos produtos deu certo e ela resolveu fechar de vez essa parceria, aproveitando a sede do campo-grandense por terminar a noite de um jeito mais picante.

“Deu tão certo que estou até hoje vendendo e todo mundo adora”, comemora Adilson. Maria se orgulha. “Eu sou muito orgulhosa porque ele é muito batalhador e não tem vergonha de vender”, diz a esposa.

Maria acompanhada o maridão todas as noites nas vendas. (Foto: Thailla Torres)
Maria acompanhada o maridão todas as noites nas vendas. (Foto: Thailla Torres)

Ela conta que aprendeu a fazer doces há 12 anos, quando peregrinou em vários CRAS  (Centro de Referência de Assistência Social) em busca de projetos realizados pela SAS  (Secretaria Municipal de Assistência Social). “Fiz vários cursos ensinados pela Prefeitura e assim aprendi a fazer doces”.

Ela garante que a receita de beijinho vendido em um dos copinhos de chocolate nem o professor que a ensinou sabe. “Não existe beijinho igual o meu”, afirma. E acrescenta que não passa a receita para ninguém, nem para o maridão.

Hoje, o casal que se conheceu há 19 anos, em uma escola de dança, vende pelos bares todos os dias, exceto quarta-feira. “É o dia que eu tiro de folga para curtir a minha esposa, meus filhos e aproveitar um pedal em família”, explica o vendedor.

Muitos clientes não sabem, mas durante o dia Adilson trabalha em uma área restrita do aeroporto de Campo Grande. Das 7h às 17h ele não atende telefonemas, mas diz que o celular não para de receber mensagens. “Quase 24 horas por dia”.

À noite, ele vende tudo em pouquíssimas horas, depois volta para casa com a família. “Mas tem dias que eu preciso desligar o celular porque 3h30 da madrugada o pessoal está me ligando em busca de doces e também de produtos eróticos”, conta.

Ele ainda revela que 90% dos clientes que compram os produtos são homens. “Mulher carrega produtos na bolsa e falam sobre isso abertamente, já os homens não conversam, isso ainda é um tabu entre muitos. Então na mesa do bar eu explico sobre os produtos de um jeito descontraído e eles curtem”, finaliza.

Quem quiser saber a rota de Adilson com sua marca Chocolate Pantaneiro pela cidade basta seguir o seu perfil no Instagram (clique aqui).

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