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Consumo

Viagem mudou vida de Juliana com cura e mandalas de crochê

Juliana passou por doenças e viagem internacional até encontrar o divino nos itens feitos à mão. Hoje, a renda toca seu espiritual

Por Raul Delvizio | 29/09/2020 09:05
Mandalas de tamanho enorme são a sensação da clientela da paulistana (Foto: Arquivo Pessoal)
Mandalas de tamanho enorme são a sensação da clientela da paulistana (Foto: Arquivo Pessoal)

Cor, luz e energia – palavras-chave que redesenharam a vida da paulistana Juliana Baraldi por meio das mandalas que ela mesma faz em crochê de avó – mas com estilo oriental e marcado no budismo, mesmo que ela não seja tão religiosa assim. De qualquer maneira, os artesanatos que produz não deixam de ser seu referencial divino.

"É inexplicável. Não me canso de fazer mandalas, porque é como se o desenho fosse a energia se materializando dentro de mim. É a minha alma se expressando em cor e luz", reflete.

Não é à toa que para ela o processo de fabricação dos objetos seja de certa forma curativa. Ju passou por duas doenças na sequência. Aos 23 anos, descobriu um tumor maligno de grande proporção, diagnóstico de um câncer raro no ovário. Foram 5 anos de tratamento e traumas emocionais – um deles a síndrome da fibromialgia, em que ela tem alta sensibilidade nos músculos e articulações, sentindo muita dor.

"Mas aos poucos, fui transformando essa energia ruim, dentro de mim, pelas mandalas. Ao fazer os trabalhos, transmito essa sensação de cura também para o outro. Todo mundo associa o câncer com o fim da vida. Não é, há muita beleza além de qualquer doença", explica.

Tamanhos pequenos e médios também podem ser encontrados (Foto: Arquivo Pessoal)
Tamanhos pequenos e médios também podem ser encontrados (Foto: Arquivo Pessoal)
Segundo Ju, as cores azul e roxo são as que mais saem (Foto: Arquivo Pessoal)
Segundo Ju, as cores azul e roxo são as que mais saem (Foto: Arquivo Pessoal)

Nessa história, o empurrãozinho do namorado também teve lugar marcado no divino. Quando Juliana morava em Fernando de Noronha, conheceu o que hoje é seu noivo, o fotógrafo Eduardo Corrêa. O rapaz retornou junto à ela de Pernambuco à São Paulo durante o tratamento da amada, e desde então nunca mais a largou. Os incentivos dele foram essenciais para despertar esse lado espiritual em Ju.

"Participei de aulas de yoga e até fui parar num retiro indiano de 'ashram', mais um presente dele pra mim. Nunca meditei tanto, foi muito profundo. Não tenho mais aquela incerteza da morte, ou até da própria vida, me sinto mais leve em relação ao existencial", comenta.

Anos mais tarde, veio a viagem ao Nepal. O noivo já havia morado por 2 anos na cidade de Pokhara, a mais próxima do Parque Nacional de Sagarmatha e onde se encontra o Himalaia. "Só conheci o Nepal por causa dele. Eduardo tem isso, uma espiritualidade aflorada naturalmente, enquanto que eu fui desenvolvendo ao longo desse tempo junto à ele. Foi uma experiência muito mística".

Ela ao lado de homem religioso. Lá, tudo é muito místico (Foto: Arquivo Pessoal)
Ela ao lado de homem religioso. Lá, tudo é muito místico (Foto: Arquivo Pessoal)
O noivo Eduardo foi quem sugeriu a viagem oriental (Foto: Arquivo Pessoal)
O noivo Eduardo foi quem sugeriu a viagem oriental (Foto: Arquivo Pessoal)
Ju ao lado de meninos vestidos com roupa tradicional nepalense (Foto: Arquivo Pessoal)
Ju ao lado de meninos vestidos com roupa tradicional nepalense (Foto: Arquivo Pessoal)
Foi na viagem ao Nepal que despertou essa paixão pelos desenhos orientais (Foto: Arquivo Pessoal)
Foi na viagem ao Nepal que despertou essa paixão pelos desenhos orientais (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi aí que começou essa identificação da artista com as mandalas. "Desde a primeira vez que observei uma lá no Nepal, vejo uma força nelas, parece que há um alinhamento no meu pensamento". Primeiro vieram os desenhos dos yantras em aquarela, que são a forma anterior das atuais mandalas. Depois, praticamente se tornou uma autodidata em agulha e linha.

"Aprendi tudo pelo YouTube, isso já tem 2 anos. Comecei fazendo tapete, depois roupinha para minha cadela, itens para casa, até realmente estar preparada tecnicamente para as mandalas. Os desenhos, os padrões, são difíceis, e envolve muita concentração na hora do crochê".

Cores mistas também podem ser encontradas no acervo da moça (Foto: Arquivo Pessoal)
Cores mistas também podem ser encontradas no acervo da moça (Foto: Arquivo Pessoal)
Detalhe no ponto de crochê e na justaposição de cores (Foto: Arquivo Pessoal)
Detalhe no ponto de crochê e na justaposição de cores (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi no processo de erro e acerto que Juliana agora tem renda fixa aqui em Campo Grande com a fabricação desses objetos simbólicos. As pequenas custam entre R$ 70 reais (28 cm) e R$ 200 (50 cm). Já as enormes, com quase 1 metro de diâmetro, saem por R$ 380. As menores ela costuma fazer entre uma tarde e outra, enquanto que as maiores demoram de 8 a 10 dias para estarem finalizadas – de tudo que é cor.

"As que mais saem é azul e roxo. Acho que é por conta da saúde mental, as pessoas buscam essa sensação de paz e tranquilidade ao chegar de casa. As mandalas são esses filtros de energia. Bem, por mais que não exerço a religião, não dá pra negar que meu coração é de Buda, né", ressalta.

Aos 31 anos, Juliana Baraldi mora junto ao quase esposo aqui na Capital. E muitos campo-grandenses estão aderindo às suas mandalas colossais. Interessado? Encomendas dos artesanatos podem ser solicitadas no perfil de rede social da Ju.

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"Aqueles que estão livres de pensamentos rancorosos certamente encontram a paz" – quem disse isso foi Buda (Foto: Arquivo Pessoal)
"Aqueles que estão livres de pensamentos rancorosos certamente encontram a paz" – quem disse isso foi Buda (Foto: Arquivo Pessoal)


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