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Campo Grande, Terça-feira, 26 de Março de 2019

27/02/2019 09:46

Com proposta de ensaio aberto, amigos tocam de graça nas praças da cidade

A ideia do "Projeto Hippie" é levar música e cultura até as pessoas sem muito alarde, os amigos vão até os locais públicos, montam o equipamento e se apresentam para quem quiser ouvir.

Kimberly Teodoro
A ideia de Heitor é levar música para as praças, parques e escolas públicas de graça (Foto: Arquivo Pessoal)A ideia de Heitor é levar música para as praças, parques e escolas públicas de graça (Foto: Arquivo Pessoal)

Sem muito alarde ou propaganda, os amigos Heitor Rodrigues, 27 anos, Aryel Keller, 20 anos, Lucas de Oliveira, 22 anos e Bruno Barbosa, 26 anos, “ocupam” as praças, escolas e espaços públicos da cidade com o Projeto Hippie. Com um repertório que inclui pop rock, MPB, Reggae e clássicos internacionais, a ideia é levar boa música de graça ao público, onde quer que ele esteja.

Professor da rede pública, quem começou com o projeto foi Heitor, que além das aulas de geografia também procura envolver os alunos com música na tentativa de melhorar o desempenho escolar e despertar o interesse dos estudantes pelas atividades em grupo. A referência para o que ele chama de “ensaios abertos” veio da infância, quando uma das bandas sul-mato-grossenses favoritas de Heitor, a Blues Band, tocava no antigo “Bar do Zé” na Barão do Rio Branco, segundo ele, a movimentação no bar foi sempre cultural e reunia músicos e artistas da época.

“Anos depois, morando em Araçatuba, vi uma banda que foi em uma praça fazer exatamente o que eu faço, depois disso comecei a ver vídeos no youtube de gente que faz som no metrô, na rua, em parques, e entendi que meu palco é a calçada. Não fazemos shows para ficarmos famosos, fazemos para levar uma mensagem de paz e harmonia e energia positiva, para ser absorvida por quem estiver no local, por isso buscamos lugares que tenham um trânsito lugares de pessoas. Eu não anuncio aonde eu vou, chegamos, instalamos, quem estiver lá aproveita”, explica.

Depois de Heitor, Aryel é o integrante mais antigo do projeto (Foto: Arquivo Pessoal)Depois de Heitor, Aryel é o integrante mais antigo do projeto (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar do contexto de “ocupação”, cada apresentação é cuidadosamente planejada por Heitor, que só leva o projeto para a rua depois de conseguir a autorização necessária de todos os órgãos públicos, se informar sobre os pontos de energia e a segurança do local e sempre cuidar da limpeza no fim de cada show. Sem patrocínio, todos os equipamentos usados no projeto são de Heitor, que procura não depender de ninguém para que as intervenções aconteçam.

A formação atual da banda é recente, depois de Heitor, o integrante mais antigo é Aryel. Os dois se conhecem há muitos anos, já que para Aryel, Heitor é da família. Apesar disso, a parceria musical começou em 2017, depois que Aryel passou em uma seletiva para o programa The Voice, depois disso recebeu o convite do amigo para ensaiar junto com o projeto, que continua até hoje. Sobre as apresentações gratuitas, Aryel diz nunca ter imaginado fazer algo parecido, “Depois que conheci o Heitor e ele me mostrou o projeto, comecei a tocar em escolas e ver como as pessoas reagem quando levamos cultura, percebi que isso não tem preço”, conta.

Lucas ouviu os colegas de trabalho falando sobre a banda de Aryel e levou com ele os amigos de infância Bruno e Vitor (Foto: Arquivo Pessoal)Lucas ouviu os colegas de trabalho falando sobre a banda de Aryel e levou com ele os amigos de infância Bruno e Vitor (Foto: Arquivo Pessoal)

Lucas também chegou por acaso, ele é segurança no mesmo hospital em que Aryel trabalha, os dois não tinham muito contato até que, depois de ouvir de colegas de trabalho que Aryel cantava e até tinha uma banda, Lucas resolveu falar com ele. O antigo baixista da Hippie cobrava pelos ensaios e apresentações, o que acabou virando oportunidade para Lucas entrar no projeto como voluntário, “Resolvi abraçar a causa porque é um negócio diferente e que não tem aqui, querendo ou não o roteiro de apresentações é único e também é o que eu amo fazer”, diz. Depois disso trouxe com ele os amigos de infância Bruno e Vítor, que assim como Aryel foram assistir a um ensaio e nunca mais deixaram o projeto.

Vitor encara as coisas com um pouco mais de nostalgia, a amizade entre ele, Bruno e Lucas vem desde o ensino médio, época em que já tinham uma banda em que a paixão pelo pop rock já existia. Para ele, o ponto de identificação com o projeto é justamente a ideia de levar música para as praças e escolas públicas, “Começamos a tocar por incentivo de professores e projetos ainda moleques, isso remete muito a nossa infância. Éramos nós 3, não tínhamos contato com o Heitor, tínhamos uma banda desde a época de escola. Quando o Lucas conheceu o Aryel e fez o convite para participarmos, não conhecíamos o projeto, fomos fazer um ensaio aberto na praça e rolou de um jeito fenomenal”, relembra.

Para Vitor o ponto de identificação com o projeto é justamente a ideia de levar música para as praças e escolas públicas (Foto: Arquivo Pessoal)Para Vitor o ponto de identificação com o projeto é justamente a ideia de levar música para as praças e escolas públicas (Foto: Arquivo Pessoal)
Bruno decidiu se juntar ao projeto pelo prazer da música em si (Foto: Arquivo Pessoal)Bruno decidiu se juntar ao projeto pelo prazer da música em si (Foto: Arquivo Pessoal)

“Tem pessoas que tem só a visão do lucro, nós temos um sonho, um prazer que é a música em si. Gostamos da sensação de tocar, das pessoas estarem olhando, fazemos pela amizade” afirma Bruno, que assim como os amigos de infância, também se apaixonou pelo projeto. “Não divulgamos as apresentações para ser o mais natural possível, a pessoa não está esperando aquilo, vem uma cultura nova, diferente do sertanejo que domina a cidade, ela está passando e para pra acompanhar a gente”,diz.

Até hoje além da escolas públicas, a Hippie já se apresentou nas praças do Coophasul, Jardim Panamá, no Recanto dos Pássaros e no Parque das Nações Indígenas.Para o futuro, Heitor planeja levar o projeto para o interior, mantendo a proposta de apresentações gratuitas em locais públicos, ainda sem nenhuma promessa, ele tenta parceria com as prefeituras de algumas cidades. “O projeto é bem pensando, mas está em gestação, o cuidado que eu tenho é para que ele não morra e continue levando cultura e música boa de graça para quem está aproveitando o domingo para passear com a família na praça”, finaliza.

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A banda não costuma divulgar os shows, a ideia é chegar nos locais e se apresentar para quem estiver disposto a ouvir (Foto: Arquivo Pessoal)A banda não costuma divulgar os shows, a ideia é chegar nos locais e se apresentar para quem estiver disposto a ouvir (Foto: Arquivo Pessoal)


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