De celeiro agrícola a potência industrial: MS vive virada econômica histórica
Com avanço de 179% no valor da transformação industrial, Estado lidera crescimento no país

Mato Grosso do Sul vive uma das mais profundas transformações econômicas de sua história recente. Tradicionalmente marcado pela força da agropecuária, o Estado passou, na última década, a consolidar uma nova matriz produtiva baseada na agroindústria, na bioenergia e na indústria de transformação — movimento que hoje coloca MS na liderança nacional do crescimento industrial.
RESUMO
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Mato Grosso do Sul experimenta uma transformação econômica significativa, com crescimento de 179% no Valor da Transformação Industrial em dez anos, a maior variação entre todas as unidades da federação. O estado evolui de uma economia tradicionalmente agropecuária para um modelo baseado na agroindústria, bioenergia e indústria de transformação. O estado é o quarto maior produtor de etanol do país e possui 22 usinas em operação. A industrialização também atrai grandes empresas, como a Metalfrio, que transferiu totalmente suas operações de São Paulo para Três Lagoas. Com investimentos de R$ 90 bilhões em diferentes áreas, MS consolida-se como polo da neoindustrialização brasileira.
Dados do IBGE mostram que o Valor da Transformação Industrial (VTI) no Estado cresceu 179% em dez anos, a maior variação entre todas as unidades da federação. O indicador, que mede a riqueza gerada pelo processo produtivo — diferença entre o valor produzido e o custo dos insumos — saltou de R$ 12,2 bilhões para R$ 34 bilhões no período.
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O avanço reflete uma estratégia de desenvolvimento que aposta na agregação de valor à produção primária e na atração de novos investimentos industriais.
Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, o desempenho é resultado de uma política que combina crescimento econômico com sustentabilidade e inovação.
“A estratégia foi fortalecer a agroindústria, agregar valor à produção e incorporar a agenda verde como eixo do desenvolvimento. Isso cria um ambiente favorável à inovação, à transição energética e à atração de investimentos”, avalia.
Bioenergia e agenda verde impulsionam indústria
Um dos motores dessa transformação está na cadeia sucroenergética e na produção de biocombustíveis. Mato Grosso do Sul ocupa hoje posição estratégica na transição energética brasileira.
O Estado é atualmente:
4º maior produtor de etanol do país
5º maior produtor de açúcar
2º maior produtor de etanol de milho
Ao todo, 22 usinas estão em operação, incluindo três unidades de etanol de milho, além de outras três plantas industriais em implantação.
Além da expansão industrial, o Estado também assumiu o compromisso de se tornar território carbono neutro até 2030. No setor sucroenergético, já está em funcionamento a plataforma Carbon Control, sistema de monitoramento de emissões e remoções de gases de efeito estufa.
Ambiente de negócios atrai investimentos
Para o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, o crescimento industrial está diretamente ligado à construção de um ambiente favorável ao investimento privado.
Segundo ele, a articulação entre setor produtivo, entidades empresariais e governo tem sido decisiva para a atração de grandes projetos.
“Hoje temos cerca de R$ 90 bilhões em investimentos privados em diferentes áreas. Isso não acontece por acaso. Existe planejamento, diálogo com o setor produtivo e uma estrutura preparada para receber novos empreendimentos”, afirma.
Longen destaca que o processo de industrialização vem acompanhado de uma forte diversificação da economia estadual.
“Antes produzíamos basicamente grãos. Depois veio o etanol de cana, o etanol de milho, açúcar, biomassa para energia e agora os biocombustíveis avançados. Ao mesmo tempo crescemos na proteína animal, no amendoim e em novas culturas. É a chamada indústria do agro”, explica.
Industrialização transforma cidades
A mudança na economia sul-mato-grossense também pode ser observada na instalação de grandes plantas industriais no interior do Estado.
Um exemplo é a Metalfrio, multinacional brasileira referência mundial em refrigeração comercial. A empresa instalou sua fábrica em Três Lagoas em 2005 e, ao longo de duas décadas, ampliou as operações até transferir totalmente suas atividades industriais de São Paulo para Mato Grosso do Sul.
Hoje, a unidade tem capacidade para produzir até 500 mil equipamentos por ano, abastecendo o mercado brasileiro e países do Mercosul.
Segundo o executivo Luiz Eduardo M. Caio, a decisão de instalar a fábrica no Estado levou em conta uma combinação de fatores.
“A escolha foi baseada na infraestrutura, na disponibilidade de mão de obra e nos incentivos fiscais, além do apoio dos governos estadual e municipal”, afirma.
A planta industrial gera mais de mil empregos diretos, contribuindo para diversificar a economia local.

Bioenergia e desenvolvimento regional
Outro exemplo do impacto da industrialização está na Usina Sonora, localizada no município de Sonora, no norte do Estado.
Fundada em 1976, a unidade se consolidou como um dos principais motores econômicos da região. Atualmente produz 150 mil toneladas de açúcar bruto por ano e cerca de 90 mil metros cúbicos de etanol, abastecendo mercados de vários estados brasileiros.
Segundo o diretor-presidente da empresa, Luca Giobbi, o empreendimento tem papel central no desenvolvimento regional.
“A usina nasceu com o propósito de gerar oportunidades e desenvolvimento para Sonora e municípios do entorno. Ao longo das décadas ampliamos a produção, os investimentos e a geração de empregos”, afirma.
Hoje, a empresa mantém cerca de 1.800 empregos diretos e também investe na diversificação da matriz energética com geração de energia por biomassa, hidrelétrica e usina solar.
Nova economia do agro
Na avaliação do setor produtivo, a industrialização da produção agropecuária é um dos pilares do novo ciclo econômico vivido pelo Estado.
Produtos como etanol de milho, DDG (subproduto usado na nutrição animal), açúcar, proteínas e até novas cadeias como o amendoim e o sorgo ampliam a geração de valor dentro do próprio território.
“O que antes saía do Estado como matéria-prima agora se transforma em produtos industriais com valor agregado. Isso fortalece a economia e gera empregos”, resume Sérgio Longen.
Com investimentos bilionários em andamento e novas plantas industriais previstas para os próximos anos, Mato Grosso do Sul consolida-se como um dos principais polos da neoindustrialização brasileira baseada no agro, na energia renovável e na economia de baixo carbono.

