Nem em português você afina? Tem quem dispute cantando em japonês
Mais de 600 apresentações movimentam o Concurso Brasileiro da Canção Japonesa

Se cantar em português já dá um frio na barriga, imagine subir ao palco para interpretar uma música em japonês. Parece desafio de karaokê entre amigos, mas para centenas de pessoas isso é assunto sério, e muito treinado.
Neste fim de semana, Campo Grande recebe a 41ª edição do Concurso Brasileiro da Canção Japonesa. São mais de 600 apresentações reunindo participantes de 2 a 101 anos, vindos de diferentes estados brasileiros e até do Japão. E não pense que é só gente de ascendência japonesa: há muitos brasileiros que passaram anos decorando letras, aperfeiçoando a pronúncia e treinando a afinação para competir.
Quem acompanha de fora até pode achar que basta gostar de anime ou ouvir música japonesa. Na prática, o palco reúne competidores que fazem aulas de canto, estudam o idioma e alguns acumulam décadas de experiência.
É o caso do cantor Yushi Oshima. Brasileiro, ele já participou de 41 concursos ao longo da vida e viu a competição crescer ano após ano.
"Sim, eu participei o primeiro em Londrina e até hoje participo. Foi aumentando os participantes, o pessoal está treinando mais e cantando mais."
Para quem pensa em começar, ele resume a receita. "A dica que eu dou é gostar de cantar e praticar muito."
A competição acontece pela quarta vez em Campo Grande, escolhida para sediar a edição que também celebra os 118 anos da imigração japonesa no Brasil.
Vice-presidente da comissão organizadora, Katsutoshi Kuratome explica que, embora a música japonesa continue sendo o coração do evento, a programação passou a refletir a integração entre as culturas.
"Tá tendo bazar com expositores, alimentação, com origem japonesa, tudo para preservar a cultura japonesa e o evento musical. Só que esse ano não está restrito à música japonesa; esse ano a gente comemora 118 anos da imigração japonesa. Nossos pais criaram um legado, então hoje nós estamos integrados à comunidade brasileira. Além da música japonesa, a gente coloca inglês, espanhol e vamos começar também a música internacional."
Segundo ele, Mato Grosso do Sul tem papel importante nessa história. "Aliás, Mato Grosso do Sul foi o primeiro evento da canção internacional. De lá para cá virou uma tradição. A comunidade japonesa aqui é grande."
Para o engenheiro Pedro Mizisutami, que acompanha o concurso, a música acabou se tornando um elo entre diferentes culturas. "Maravilhoso, pela quarta vez a Abrac realiza esse concurso. A música não tem fronteiras."
A presidente da Abrac, Akemi Nishimori, lembra que a tradição nasceu como uma forma de diminuir a saudade de casa entre os primeiros imigrantes japoneses e, hoje, ganhou outro significado.
"O canto surgiu desde que eles saíram do Japão para matar a saudade, e nossos antecedentes colocaram o canto para que não morra a cultura e a gente também traga união."
Quem perdeu a programação de sábado ainda pode conferir o encerramento neste domingo (19), no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo. Além das apresentações, o evento conta com praça de alimentação, bazar e expositores de produtos ligados à cultura japonesa.

