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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

29/07/2018 07:10

Parada gay traz cor para o Centro e mostra avanço na luta contra preconceito

Público se manteve na faixa de 15 mil pessoas, assim como no ano passado

Thaís Pimenta
Cerca de 15 mil pessoas fizeram parte da festa que foi a Parada da Cidadania LGBT em Campo Grande. (Foto: Saul Schram)Cerca de 15 mil pessoas fizeram parte da festa que foi a Parada da Cidadania LGBT em Campo Grande. (Foto: Saul Schram)

São 17 anos de luta para a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros) alcançar seu espaço em meio ao conservadorismo de Campo Grande, a capital com ares interioranos. Da primeira Parada da Cidadania LGBT, em 2002, para a sua 17ª edição no ano de 2018, muita coisa mudou e, como comemoram eles, mudaram para a melhor!

''A primeira edição foi literalmente uma parada. Os comerciantes fecharam suas portas pra nós e ficamos em um grupo de 300 pessoas na praça Ary Coelho fazendo cartazes pedindo por respeito e reconhecimento. Hoje a situação é outra, os comerciantes nos apoiam e ambulantes vendem produtos para nós aqui no meio do pessoal'', comemora a coordenadora municipal de Políticas Públicas LGBT, Cris Stephany.

Mas não é porque os tempos são outros, mais brandos, que o momento visa só a curtição da comunidade, pelo contrário, afinal o Brasil ainda é o país em que mais se matam homossexuais em todo o mundo. ''Se formos comparar o Brasil com qual país da Europa, aqui há 150 mais chances de um gay, uma lésbica, um trans ou uma travesti ser assassinado'', completa Cris.

Drags fizeram performances. (foto: Saul Schram)Drags fizeram performances. (foto: Saul Schram)

Com seus direitos sendo defendidos pelo mais importante órgão da justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal, fica claro que são poucos os políticos que põe em pauta as causas LGBT. Mesmo assim neste ano os transexuais e travestis puderam comemorar uma das vitórias mais emocionantes: poder mudar o nome e o sexo no registro civil, sem precisar obter autorização judicial, direto no cartório.

Para mostrar apoio a causa, pela primeira vez um grupo formado só de homens trans esteve a postos na Parada. Eles formam o primeiro núcleo dentro da ATMS (Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul). Para o coordenador geral, Nivaldo Finelon, o primeiro pontapé foi dado. ''Estamos aqui pela representatividade, para mostrar que estamos a postos e as pessoas podem nos procurar'', diz ele.

Ana Luisa Portilho e Jorge. (Foto: Thaís Pimenta)Ana Luisa Portilho e Jorge. (Foto: Thaís Pimenta)

Vestidos com as bandeiras do arco-íris, cerca de 15 mil pessoas participaram de todo os momentos do evento, que começou às 8h na Praça Ary Coelho e só foi terminar de madrugada na casa de shows Jeremias, com o show do MC Maromba. 

A alegria era contagiante no momento da concentração e da passeata com os trios elétricos. Pessoas de todas as idades e orientações sexuais dividiam o mesmo espaço com um sorriso no rosto e, acima de tudo, com educação e respeito uns com os outros.  

Ana Luisa Portilho é avó e heterossexual. Na tarde de sábado conhecia pela primeira vez junto com seu netinho Jorge, a Parada da Cidadania. ''A animação do pessoal me trouxe até aqui. Lido sem problema algum pois eles são os melhores amigos que se pode ter, a comunidade LGBT. Garanto que todo mundo pode vir, sem problema algum''. Os dois saíram do Aero Rancho, chegaram 12h e foram embora 16h30.

Parte do grupo da galera que veio de Corumbá e Bolívia. Ao centro, Racheli. (Foto: Thaís Pimenta)Parte do grupo da galera que veio de Corumbá e Bolívia. Ao centro, Racheli. (Foto: Thaís Pimenta)
Scharlet Almeida. (Foto: Thaís Pimenta)Scharlet Almeida. (Foto: Thaís Pimenta)
Patativa Flower. (Foto: Thaís Pimenta)Patativa Flower. (Foto: Thaís Pimenta)

Um ônibus trouxe cerca de 40 pessoas da Bolívia e de Corumbá para curtir a festa em Campo Grande. Para o grupo vale a pena vir até aqui e pegar a estrada porque o evento é muito animado e bem maior que em suas cidades. Racheli é boliviana e diz que no país não há incentivo a comunidade LGBT. ''Pra não dizer que não tem nada é muito pouco. O pessoal ainda tem muito preconceito por lá'', diz a cabeleireira que estava montada para o evento na Capital.

Scharlet Almeida também estava vestida com o look feito especialmente para a Parada, criado pelo amigo Adão Barbosa. Ela vai à Parada desde sua primeira edição e vê o momento atual como ''uma evolução, com certeza''. ''Essa festa pra mim representa a celebração das conquistas. A gente vem aqui mostrar o brilho e o glamour, a parte dos nossos direitos e de ir atrás deles fica lá na Assembleia, aqui eu quero me divertir''.

A amiga que a acompanhava, Patativa Flower, também com look exclusivo feito por Thiago Mota, pela primeira vez não foi a apresentadora da Parada. ''Vim sentir a energia das pessoas na rua'', explica. Para ela, ver o Centro lotado de gente só prova que ''somos muitos e estamos em todos os lugares''.

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