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Pandemia leva pacientes à terapia e o principal motivo é a família

Você não precisa enloquecer dentro de casa por causa dos conflitos familiares durante a pandemia; psicólogas dão dicas

Por Thailla Torres | 04/08/2020 08:00
As discussões e conflitos se intensificaram nessa pandemia? (Foto: Kísie Ainoã)
As discussões e conflitos se intensificaram nessa pandemia? (Foto: Kísie Ainoã)

Exceto aqueles que dão um boi por uma briga, quem nada contra a maré da discussão ou violência é o que mais sofre em tempos de pandemia. Para sobreviver ao turbilhão de conflitos familiares que vieram à tona nesses últimos meses, o jeito tem sido procurar ajuda psicológica.

O home office e o verdadeiro olho no olho com a família que há tanto tempo não acontecia, embora devesse ser prazeroso, são caminhos para discussões e palavras atravessadas quase diariamente. E pacientes debruçam no divã do psicólogo como levando suas dores que são recorrentes dentro da própria casa.

Os conflitos familiares sempre chegaram com muita frequência no consultório das psicólogas Tamyres Cuellar e Aretusa Brasil, inclusive é o maior motivo de procura para atendimento psicológico. Com a pandemia os conflitos aumentaram muito, devido a convivência por maior período dentro de um espaço que, na maioria das vezes, é pequeno.

“Quem mora em apartamento, por exemplo, tem pouca privacidade e em outra época os familiares costumavam se ver por poucas horas durante a semana. O que acontece bastante é o fato de durante o trabalho ou estudo em casa o familiar ser interrompido por outro membro, o que pode ser fator estressante e desencadear situações de muito estresse em casa”, explica Tamyres.

Mas para tudo há um jeito e, mesmo em ambientes pequenos, é possível percorrer caminhos para respirar e evitar conflitos que desgastem as relações familiares. Se acalmar e reorganizar esses pensamentos sem esbarrar no outro é o primeiro passo.

“Combinar com os familiares sobre a rotina de estudo ou trabalho avisando sobre a importância de não ser interrompido, aos cuidadores, conversar com seus dependentes sobre as divisões de tarefas domésticas, aproveitar os conteúdos que estão sendo distribuídos gratuitamente pela internet para momentos de distração como as lives de cantores e a prática de exercícios orientadas por profissionais são detalhes que fazem a diferença”, sugere Aretusa.

Aretusa e Tamyres são psicólogas e dão dicas de como evitar conflitos na pandemia
Aretusa e Tamyres são psicólogas e dão dicas de como evitar conflitos na pandemia

Outro ponto que tem virado motivo de conflito é quem precisa da ajuda psicólogica e não tem paz nem pra fazer a própria terapia. Uma das possibilidades é reservar um ambiente dentro da casa, fechar as portas e janelas e colocar fones de ouvido. “É importante comunicar para a família que os 45 minutos/1 hora de terapia precisam ser respeitados.

Muitas pessoas estão tendo sintomas de ansiedade e acabam confundindo com sintomas da covid. Por exemplo, a falta de ar ou sensação de fôlego curto é um sintoma da ansiedade. Entre os sintomas de ansiedade, os mais comuns são tremores ou sensação de fraqueza, tensão ou dor muscular, inquietação e fadiga fácil”.

E o estabelecimento de uma rotina dentro de casa, possível, construída com todos os membros da família, a probabilidade de funcionar e respeitar é bem maior. “Agora, mais do que nunca, precisamos exercitar o diálogo com muita paciência, não esquecendo que esse é um período delicado que todos estão sofrendo. Em menor ou maior grau todos fomos prejudicados.

As crianças estão com saudades de seus amigos e professores, os pais ou cuidadores estão com muita dificuldade em ser professores e continuar “batendo ponto”. Talvez não seja possível executar todas as suas obrigações, como era antes da pandemia e, caso não consiga, não se obrigue a isso. Se possível, caso ainda não faça, é necessário acompanhamento psicológico”, reforça Tamyres.

A questão é que ninguém estava preparado para viver um confinamento que leva a falta de privacidade, a mudança de rotina e o medo da doença.  A dificuldade em ter que lidar com as diferenças de cada pessoa da família durante muito tempo sem intervalos. E, principalmente a imprevisibilidade de término da pandemia, o que gera ainda mais estresse e ansiedade.

Por isso, as psicólogas destacam que as reações comportamentais ao estresse dependem de cada pessoa. Mas é importante lembrar que é um momento difícil e que ninguém sabe quando, mas tudo isso vai passar, alertam as profissionais.

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