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Sabor

Após crise no turismo, casal faz sítio virar recanto do fondue suíço

Martin levava turistas para conhecer o Pantanal, mas pandemia do coronavírus atrapalhou negócios e agora ele tenta se reinventar

Por Alana Portela | 23/06/2020 06:23
Panelas de preparar fondue em cima da mesa. (Foto: Henrique Kawaminami)
Panelas de preparar fondue em cima da mesa. (Foto: Henrique Kawaminami)

Na tentativa de fugir da crise, Martin Arn e Alzira Figueiredo Roza transformaram o sítio alugado para receber turistas em recanto do fondue suíço, em Campo Grande. O espaço é amplo, em contato com a natureza e fica no bairro Vilas Boas.

“Tinha investido na chácara para receber os clientes. Seria um dos melhores anos, tínhamos bastante viagens de julho a setembro, mas desde março, os pacotes foram sendo cancelados e os dinheiros devolvidos. Ficou uma situação difícil, por isso, resolvemos preparar fondue. Precisamos fazer isso para sobreviver nessa pandemia porque não tem reservas”, explica Martin.

Aos 60 anos, ele é suíço, deixou o país natal em 1990, e agora aposta no “Recanto Suíço”, com fondue à moda suíça para conseguir gerar renda e se reerguer durante a pandemia do coronavírus na Capital. O empresário conversa com o Lado B e recorda da época que veio para o Brasil, como missionário.

Martin Arn fazendo selfie com o turista no fundo da imagem, durante o passeio de barco num rio que fica em Porto Jofre - MT. (Foto: Arquivo pessoal)
Martin Arn fazendo selfie com o turista no fundo da imagem, durante o passeio de barco num rio que fica em Porto Jofre - MT. (Foto: Arquivo pessoal)

“Fui para Cuiabá, onde fizemos a construção de uma igreja. Em 1996, vim para Campo Grande e participei de outra obra aqui”, conta. Contudo, em 2011, Martin deixou a missão e passou a trabalhar com turismo. “Sou apaixonado pelo Pantanal e todos os anos ia lá para acampar, pescar e ver os animais. Desta forma, veio a ideia de trazer os turistas pra cá. Comecei com uma agência pequena em 2013”, recorda.

Martin afirma conhecer o Pantanal inteiro. Além de falar a língua materna também consegue se comunicar em português e até alemão, o que facilita na hora de receber os turistas. Como guia de turismo, ele tem dois segmentos, o com pacotes mais em conta e os personalizados.

“Tem o mais barato e o outro para os que têm mais estabilidade financeira. São pessoas que gostam da natureza, que já foram para África fazendo safári e querem explorar o Pantanal. Ofereço pacotes individuais, me falam o que desejam ver, o tipo de hospedagem e monto o pacote especial conforme a disponibilidade do cliente”.

Dos pacotes mais longos, ele recorda da vez que ficou 26 dias viajando no Pantanal. “Começamos pela região Norte em Mato Grosso, pela Chapada Guimarães, passando por Porto Jofre, onde ficam as onças e descemos pelo rio Paraguai e visitamos a Serra do Amolar. Depois no Pantanal sul, em Mato Grosso do Sul, fomos para Rio Negro e finalizamos em Bonito”.

O Recanto Suíço é uma chácara com psicina, natureza e tem mesa ao ar livre. (Foto: Henrique Kawaminami)
O Recanto Suíço é uma chácara com psicina, natureza e tem mesa ao ar livre. (Foto: Henrique Kawaminami)

Enquanto Martin realizava o trabalho voltado ao turismo, Alzira atuava como secretária geral no sindicato dos bancários em Campo Grande. Ela tem 52 anos e devido problemas de saúde, precisou deixar o emprego neste ano. “Para não ficarmos parados, nos unimos e criamos o restaurante. Ela gosta de mexer com comida e é um negócio familiar”, diz o marido.

Proposta - Por ter nascido na Suíça, Martin conhece a cultura, a culinária e principalmente, sabe como preparar fondue. “Me faz lembrar muito da infância, pois é algo familiar”, comenta. E recordando do gostinho que sentia quando criança, ele resolveu produzir o doce que é tradicional na sua terra.

“Também, como queria permanecer com o espaço, tive a ideia de abrir um negócio aqui. É um local amplo, tem parte coberta e descoberta, com bastante verde. Vamos colocar no máximo oito mesas”, explica.

À moda Suíça – A proposta do “Recanto Suíço” é fazer fondue no estilo suíço, para mostrar aos clientes o verdadeiro gosto do prato. “Sei exatamente como a gente faz. O queijo de lá é melhor por conta dos alpes, onde as vacas ficam. Além do ar puro, também tem ervas e até o capim é diferente, isso dá a base do leite”.

Martin revela que o segredo do seu fondue é uma mistura de queijos importados. Um dos tipos é produzido no Emmental, um vale que fica numa região que faz parte da região de Berna, na Suíça. “O outro vem de Gruyère, estado vizinho da Berna, onde se fala francês”, conta.

Fondue de queijo na panela à esquerda e de chocolate na direita, de acompanhamento tem as frutas; morango, kiwi, uva, banana, além do marshmallow. (Foto: Arquivo pessoal)
Fondue de queijo na panela à esquerda e de chocolate na direita, de acompanhamento tem as frutas; morango, kiwi, uva, banana, além do marshmallow. (Foto: Arquivo pessoal)

Sobre a origem do fondue, ele diz. “Não podemos dizer que é especificamente suíça, mas da região dos alpes que fala francês e faz parte da França e da Itália. Contudo, se estabeleceu na Suíça, pois na segunda Guerra Mundial, os suíços foram defender as fronteiras, onde o fondue era conhecido. Os soldados gostaram tanto, que o prato foi aceito no cardápio do exército do país”.

Conforme Martin, desta forma, o fondue foi criando fama. “Lembro-me de quando criança, surgiu uma propaganda forte do prato na Suíça, fazendo com que todos os suíços tivessem uma panelinha em casa”.

De entrada tem pão suíço e salame. (Foto: Henrique Kawaminami)
De entrada tem pão suíço e salame. (Foto: Henrique Kawaminami)

O resgate da história é uma forma de manter a tradição e Martin jura que a produção segue a receita original. Entre as opções do menu está o fondue de queijo suíço com pão. De acompanhamento do pedido, tem azeitonas verdes e pretas, além do cornichon, um tipo de pepino.

No cardápio também tem fondue de chocolate suíço com morango, uva, kiwi, banana e marsmallow. Além da versão pantaneira, no qual, ao invés de pão, a pessoa prova pedaços de carne seca.

De entrada, o cliente pode pedir um pão caseiro suíço com copa, um tipo de salame. Para beber, dá para escolher entre os vinhos tintos e brancos, cervejas, sucos, chás e cafés. As sobremesas são: mousse de limão e “Coupe Dinamarquesa”, que é um sorvete de creme com chocolate quente.

Por ter uma pegada tradicional e ser feito com produtos importados, é preciso estar preparado para ir ao local e experimentar os sabores. O local funciona de segunda a terça e de quinta a sábado, a partir das 18h.

Questionado se, após a pandemia, pretende continuar com o trabalho de guia, Martin afirma que sim. “A ideia é fazer funcionar o estabelecimento e quando retornar, volto para a área e minha esposa, já tendo toda experiência, vai ser capaz para manter o espaço”, conclui.

Endereço - O Recanto Suíço fica na rua Araújo Lima, nº 715 - Vilas Boas.

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