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Sabor

Irmãs especialistas em cuca agora vivem de encomendas

Por Ângela Kempfer | 27/11/2012 08:51
Livro de receitas de família, já aos pedaços, mas a base para o conhecimento das irmãs. (Rodrigo Pazinato)
Livro de receitas de família, já aos pedaços, mas a base para o conhecimento das irmãs. (Rodrigo Pazinato)

De chegada a oferta é um chimarrão, mas o motivo da visita ainda irá ao forno. Sobre a mesa, algumas vasilhas com a massa crua e dois tipos de recheio: doce de leite e goiabada.

De avental novo, as irmãs Márcia e Melissa Schmidt são as responsáveis pela mais recente empresa de alimentação de Campo Grande, a “Cucas Finas”. “Um nome que não significa sofisticação, mas capricho”, explica Melissa.

Na casa da mãe, as duas montaram a cozinha com uma aquisição importante nos últimos dias, um forno industrial para dar conta das encomendas. Só na primeira semana, em um dia foram 40 entregas, uma inesperada surpresa para quem começou sem muitas expectativas.

"A gente já pensou até em abrir salão de beleza, mas daí eu pensei: o que eu sei fazer melhor? Percebi que era comida", lembra Márcia.

O sotaque resiste firme, apesar de mais de 20 anos em Campo Grande. De Coronel Bicaco, no Rio Grande do Sul, depois de Márcia, a família inteira resolveu vir para cá. O livro de receitas já caindo aos pedaços também veio na mudança.

A letra da mãe, caprichada, vai indicando os ingredientes aos moldes da Alemanha. As filhas seguem a tradição, mas já viraram craques e agora querem inovar.

“Criamos o ‘Cucatone’ para o Natal e no próximo ano vamos fazer cuca com linguiça”, conta Melissa. A cuca/panetone tem as frutas cristalizadas ou gotas de chocolate, produzidas para quem vai reunir a família ou preferir dar o bolo de presente.

Márcia, polvilhando o açúcar sobre a cuca, a marca registrada da receita.
Márcia, polvilhando o açúcar sobre a cuca, a marca registrada da receita.


Para “fiscalizar” tudo, a mãe, dona Inês, está sempre por perto, “dando pitaco”, brinca Melissa. Não tem mais gosto pela cozinha, cansou.

Hoje, a irmã mais velha é quem coloca a mão na massa e Melissa é a responsável por pensar em novas versões e divulgar a venda na internet.

A Cuca Finas já tem Facebook, onde as fotos abrem o apetite dos clientes. O tamanho pequeno custa R$ 5,00, o maior sai por R$ 10,00. Mas também há porção individual, a “mini cuca”, por R$ 2,50, mais uma criação das irmãs.

No cardápio, há sabores tradicionais e as frutas da estação, uma lembrança de quando a família ainda vivia lá em Coronel Bicaco, cidadezinha minúscula, mas cheia de recordações.

“A gente morava em um sítio, onde tinha todo o tipo de fruta. Só a horta da minha mãe, tinha uma quadra. Lá, minha mãe fazia pão, cuca, enchia a mesa. Não tem como esquecer. Me criei fazendo bolacha, geléia...”, diz Márcia.

A família se formou em uma terra onde o povo come até churrasco com cuca. Não há gaúcho sem bolo com açúcar misturado a manteiga, para polvilhar sobre a massa.

Por isso, os segredos não são guardados. Na cuca, a dica é bater bem a mistura, até soltar da mão. Depois, acrescentar o recheio e assim que tudo estiver pronto, levar ao forno imediatamente.

O cheiro é algo singular, faz a gente lembrar da mesa farta, lá em Santa Rosa (RS), a minha terra natal. O gosto? Se alguém ainda tem dúvidas pode fazer a encomenda pelo telefone 8175 6698 ou 9959 1270.

Cuca com doce de leite.
Cuca com doce de leite.