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Lado Rural

Conabio adia decisão sobre classificar a tilápia como espécie invasora no Brasil

Comissão criou grupo de trabalho para aprofundar debate; Estado já exportou US$ 3,8 milhões em 2026

Por Anderson Viegas | 29/05/2026 13:42
Conabio adia decisão sobre classificar a tilápia como espécie invasora no Brasil
MS é o sexto maior produtor de tilápia do país (Foto: Reprodução)

A Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) adiou por 90 dias a decisão sobre a classificação da tilápia e de outros organismos aquícolas como espécies invasoras no Brasil. A medida foi divulgada nesta sexta-feira (29) pelo MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), após reunião realizada com especialistas, instituições de pesquisa e representantes dos setores envolvidos.

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A Conabio adiou por 90 dias a decisão sobre classificar a tilápia e outros organismos aquícolas como espécies invasoras no Brasil e criou um grupo de trabalho para aprofundar o debate técnico, jurídico e socioeconômico. O Ministério da Pesca é contra a inclusão. Em Mato Grosso do Sul, o tema preocupa o setor, já que o Estado é o sexto maior produtor de tilápia e exportou US$ 3,84 milhões em 2026, sobretudo para os Estados Unidos.

Além do adiamento, a comissão deliberou pela criação de um grupo de trabalho para aprofundar o debate técnico-científico sobre a Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras. Segundo o Ministério da Pesca, o objetivo é ampliar a discussão de forma participativa e qualificada antes de uma deliberação definitiva, reunindo mais informações técnicas, jurídicas e socioeconômicas relacionadas ao tema.

A Conabio é presidida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e reúne representantes de diferentes ministérios, entre eles o da Pesca. Durante o encontro, o MPA se posicionou contra a inclusão de espécies amplamente utilizadas na aquicultura brasileira na lista de invasoras, apontando possíveis impactos econômicos e sociais para o setor.

Entre as espécies debatidas estão a tilápia, o tambaqui, o pacu, o pirarucu, o camarão-marinho, a ostra do Pacífico e a macroalga Kappaphycus alvarezii. Juntas, elas representam cerca de 90% da produção aquícola nacional, movimentando aproximadamente R$ 9,6 bilhões, segundo dados citados pelo ministério, com base na PPM (Pesquisa Pecuária Municipal) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2025.

Em Mato Grosso do Sul, o tema tem impacto direto sobre uma cadeia produtiva que vem ganhando espaço na economia estadual. O Estado ocupa atualmente a 6ª posição entre os maiores produtores de tilápia do Brasil, segundo a Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação),  com destaque para Selvíria, principal município produtor, com 9,71 mil toneladas, seguido por Mundo Novo e Dourados.

Além da produção, Mato Grosso do Sul também vem ampliando presença no mercado internacional. Em 2026, o Estado já exportou US$ 3,84 milhões em tilápia, com embarque de 596,8 mil quilos, segundo dados de MDIC (Ministério do Desenvolvimento, indústria, Comércio e Serviços).

Os Estados Unidos são o principal destino da tilápia sul-mato-grossense, com US$ 3,26 milhões em compras neste ano, o equivalente a 84,9% de toda a receita obtida com as exportações do Estado. Na sequência aparecem México, Canadá, Estônia e Vaticano.

Outro destaque está no perfil do produto embarcado. Os filés de tilápia frescos, refrigerados ou congelados responderam por US$ 3,57 milhões, o equivalente a 92,9% da receita total das exportações de tilápia de Mato Grosso do Sul em 2026.