Ao lado de órgão de combate ao trabalho infantil, meninos têm "jornada" de 10h
Com autorização dos pais, garotos passam o dia vendendo doces
Enquanto muitos adolescentes aproveitam as férias escolares para descansar, dois amigos, de 12 e 14 anos, passam até dez horas por dia entre os carros em um semáforo de Campo Grande vendendo jujubas e paçocas.
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Dois adolescentes de 12 e 14 anos passam as férias escolares vendendo jujubas e paçocas em um semáforo de Campo Grande, na Avenida Afonso Pena, para ajudar nas despesas de casa. Eles trabalham cerca de 10 horas por dia e arrecadam entre R$ 300 e R$ 400 diários. Apesar das denúncias ao Conselho Tutelar, os meninos retornam ao local após alguns dias de ausência. A Prefeitura e o Ministério Público do Trabalho não responderam sobre as medidas adotadas.
A situação chama ainda mais atenção por ocorrer em frente ao MPT (Ministério Público do Trabalho), órgão que atua no combate ao trabalho infantil. O ponto fica na Avenida Afonso Pena, no cruzamento com a Avenida Arquiteto Gil Rubens de Camillo, próximo ao Shopping Campo Grande. Ali, os adolescentes permanecem sob o sol, expostos ao fluxo intenso de veículos e aos riscos do trânsito.
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A rotina começa por volta das 11h e segue até as 21h, período que eles próprios reconhecem como mais perigoso. Mesmo assim, afirmam que prolongam a permanência no local para tentar aumentar as vendas. Segundo os adolescentes, as famílias autorizam a atividade. “Minha mãe deixa eu ficar aqui vendendo, mas sempre fala para eu tomar muito cuidado porque é perigoso”, relata um deles.
O retorno à escola está marcado para 3 de agosto. Durante o período letivo, porém, eles dizem que continuam vendendo doces e tentam conciliar a atividade com os estudos.
Os dois também relatam que o Conselho Tutelar já foi acionado por pessoas que passam pelo cruzamento. Segundo eles, após as denúncias, deixam o ponto por alguns dias, mas depois retornam. “Muita gente denuncia a gente. Hoje mesmo alguém denunciou, então provavelmente vamos ficar uns três dias sem vir para cá. Depois volta ao normal”, afirma um deles.
Os adolescentes dizem arrecadar entre R$ 300 e R$ 400 por dia. “Para nós é bastante”, afirma o garoto de 14 anos.
Um deles conta que divide o dinheiro com a mãe. “Metade fica para ela e metade para mim. Com a minha parte eu compro alguma coisa, como comida, uma camiseta, ou arrumo meu celular.”
O outro afirma que o pai guarda os valores arrecadados para a compra de uma bicicleta. “Não sei quanto já tem. Quando der, meu pai vai comigo à loja”, conta.
Apesar das abordagens relatadas, os adolescentes afirmam que nunca foram impedidos diretamente por policiais de vender os doces. Segundo eles, quando viaturas passam pelo cruzamento, costumam oferecer jujubas aos militares e recebem brincadeiras em resposta.
A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande, por meio da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), e o MPT para saber quais medidas são adotadas em casos de trabalho infantil nos semáforos da Capital, se a situação dos adolescentes já havia sido comunicada aos órgãos e quais procedimentos são realizados após as denúncias. Até a publicação desta reportagem, nenhum dos órgãos havia respondido aos questionamentos.
Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.




