Frete agrícola segue pressionado em MS e chega a subir até 56% em um ano
Mesmo com acomodação após a colheita da soja, custos com diesel e demanda por exportações mantêm preços altos
Os preços dos fretes agrícolas em Mato Grosso do Sul continuam em patamares elevados, mesmo após o fim do período mais intenso da colheita da soja. É o que aponta o Boletim Logístico de maio, divulgado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que destaca a manutenção dos custos operacionais em níveis altos, especialmente devido ao diesel e outros insumos ligados ao transporte.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Segundo a estatal, o mercado sul-mato-grossense apresentou uma dinâmica de maior acomodação em abril de 2026, depois da forte pressão logística registrada nos meses anteriores durante o pico da colheita da soja. Ainda assim, o elevado volume produzido e a continuidade dos embarques destinados ao mercado externo mantiveram uma demanda consistente por transporte rodoviário de grãos, sustentando os preços dos fretes em importantes corredores logísticos do estado.
- Leia Também
- Fretes rodoviários sobem em MS com exportações altas e pico da safra de soja
- Diesel mais caro pressiona Ceasa e já encarece alimentos em Campo Grande
De acordo com a Conab, a colheita da soja em Mato Grosso do Sul estava praticamente concluída até o final de abril, com produção ligeiramente superior à registrada no ciclo anterior. O resultado reflete o aumento da área cultivada e a recuperação da produtividade em regiões produtoras do estado.
Ao mesmo tempo, o avanço da segunda safra de milho passou a ganhar protagonismo na dinâmica logística estadual, em um cenário marcado pela continuidade da comercialização e do escoamento da produção.
No ambiente de mercado, a valorização do real frente ao dólar ao longo de abril reduziu a competitividade das exportações e pressionou a rentabilidade das commodities voltadas ao mercado externo, principalmente a soja. Apesar disso, o volume produzido e a necessidade de escoamento da safra mantiveram ativo o fluxo de cargas em Mato Grosso do Sul.
“O custo do combustível segue como o principal fator de sustentação desses valores”, afirmou o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth. Segundo ele, embora os preços tenham variado entre março e abril conforme o andamento da colheita da primeira safra, os fretes continuam acima dos níveis observados no mesmo período do ano passado.
Guth ressalta ainda que medidas adotadas pelo governo federal, como a isenção de impostos federais sobre o diesel, ajudaram a amenizar os impactos provocados pela alta internacional do petróleo.
Rotas apresentam altas expressivas
Os dados da Conab mostram que, mesmo com algumas oscilações mensais, a comparação entre abril de 2026 e abril de 2025 revela aumentos significativos nos preços dos fretes em praticamente todas as principais rotas monitoradas no estado.
O maior avanço anual foi registrado na rota entre Ponta Porã e Paranaguá (PR), onde o valor do frete passou de R$ 180 por tonelada para R$ 280 por tonelada, uma alta de 56%.
Outras elevações relevantes foram observadas nas rotas:
- Sidrolândia – Santos (SP): alta de 45%;
- Dourados – Rio Grande (RS): alta de 44%;
- Sidrolândia – Paranaguá (PR): alta de 41%;
- Ponta Porã – Maringá (PR): alta de 37%;
- São Gabriel do Oeste – Paranaguá (PR): alta de 36%;
- Chapadão do Sul – Guarujá (SP): alta de 34%.
Entre os principais polos produtores do estado, Dourados registrou fretes de R$ 204 por tonelada para Paranaguá e R$ 225 para Rio Grande. Em Maracaju, os valores ficaram em R$ 113 por tonelada para Maringá (PR) e R$ 207 para Paranaguá. Já em Sidrolândia, o transporte até Rio Grande alcançou R$ 265 por tonelada.
Na comparação entre março e abril deste ano, houve movimentos mistos. Algumas rotas apresentaram alta, como Maracaju–Paranaguá (+12%) e São Gabriel do Oeste–Paranaguá (+11%), enquanto outras registraram recuos, como Ponta Porã–Santos (-12%) e São Gabriel do Oeste–Maringá (-9%).
Exportações mantêm demanda por transporte
O volume exportado por Mato Grosso do Sul também ajudou a sustentar a procura por caminhões e serviços de transporte.
Dados da plataforma Comex Stat mostram que o estado exportou, em abril de 2026, cerca de 1,03 milhão de toneladas de soja e 6,5 mil toneladas de milho. Embora os embarques de soja tenham recuado em relação a março, o volume permaneceu elevado, exigindo a utilização de corredores logísticos de média e longa distância.
Os principais destinos para o escoamento da produção sul-mato-grossense continuaram sendo os portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e São Francisco do Sul (SC), responsáveis por concentrar boa parte da movimentação das commodities agrícolas produzidas no estado.
Segundo a Conab, Mato Grosso do Sul respondeu por 6,2% das exportações brasileiras de soja no período analisado e por 1,4% das exportações nacionais de milho, reforçando a importância do estado no cenário agrícola e a necessidade contínua de estrutura logística para atender o fluxo de produção.



