Os primeiros casamentos em C.Grande começaram nas quermesses
1.915. Campo Grande era um vilarejo. Ao contrário de outros do Mato Grosso do Sul, tinha uma característica ímpar: faltavam moças em idade para casar. Catorze, quinze, dezesseis anos… casavam muito cedo. Foi nessa época que Nossa Senhora da Abadia chegou naquela que viria a ser a maior cidade. Polvorosa! Inaugurava-se um novo tempo.
Veio de Minas Gerais em um burro.
A santa veio de Minas Gerais trazida por Eliseu Ramos. Ele montado em um burro e a santa ajeitada no lombo de outro, muito manso. Eliseu, era um velhinho rezador, devoto dessa santa, figura estimada e séria. Chegou com a santa sem um único arranhão. Era um milagre? Todos comentavam. Logo começaram os preparativos para a procissão e a quermesse.
As madrinhas da santa.
Terminada a procissão, com as moças, madrinhas da santa, caminhando ao lado, cada qual segurando a ponta de uma fita, cantando e rezando, começava a quermesse em frente à igrejinha. Era um dia diferente. Elas usavam os mais belos vestidos, penteados diferentes.
Começou o melhor dia do ano.
Se há um costume que varou séculos conservando os mesmos detalhes é o da quermesse. Barraquinhas de salgados, doces e bebidas. Tiro ao alvo, jogo de argolas, o correio do amor e leilão de prendas doadas por fazendeiros devotos. E o mais importante momento da quermesse: o leilão dos doces das madrinhas da santa. Era então que as moças encontravam seus futuros maridos. Os pretendentes tinham de vencer. Não importava o valor. “A prenda é minha”. “Pago o que for preciso”, gritavam os rapazes. A cidade era nutrida por forte dose de ingenuidade, quase infantil.
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