ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, SEGUNDA  08    CAMPO GRANDE 25º

Lado Rural

Um ano após certificação, exportações de carne bovina avançam 46% em MS

Estado ampliou mercados, volume embarcado e receita com status livre de aftosa sem vacinação

Por Anderson Viegas | 08/06/2026 11:14
Um ano após certificação, exportações de carne bovina avançam 46% em MS
MS ampliou em 23,1% o volume de carne bovina exportada após a conquista do certificado, passando de 129,7 mil toneladas para 159,7 mil toneladas (Foto: Semadesc)

Mato Grosso do Sul completou recentemente, em 29 de maio, um ano com o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal). Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram aumento no número de mercados atendidos, no volume exportado e na receita obtida com as vendas internacionais de carne bovina. A comparação considera os acumulados de janeiro a maio de 2025, antes do reconhecimento internacional, e do mesmo período de 2026, já sob o novo status sanitário.

Segundo o MDIC, houve crescimento de 46,8% na receita, que saltou de US$ 631,4 milhões para US$ 927 milhões; de 23,1% no volume exportado, que passou de 129,7 mil toneladas para 159,7 mil toneladas; no número de parceiros comerciais, que avançou de 68 para 78 países, aumento de 14,7%; e também no preço médio da carne vendida, que passou de US$ 4,87 por quilo para US$ 5,80 por quilo.

Na análise foram contabilizados os dados dos seguintes produtos: carnes desossadas de bovino, congeladas; carnes desossadas de bovino, frescas ou refrigeradas; outras miudezas comestíveis de bovino, congeladas; carnes de bovinos salgadas, em salmoura, secas ou defumadas; línguas de bovino, congeladas; rabos de bovino, congelados; fígados de bovino, congelados; preparações alimentícias e conservas da espécie bovina; e outras peças não desossadas de bovino, congeladas.

A comparação dos dados de 2025 com os de 2026 revelou que a China se manteve como principal compradora da carne bovina do Estado e mais do que dobrou as aquisições, com crescimento de 114,7%, passando de compras de US$ 174,5 milhões na parcial do ano passado para US$ 374,6 milhões neste ano.

Na segunda posição aparecem os Estados Unidos. O país também registrou incremento expressivo nas aquisições entre os dois anos, passando de US$ 130 milhões para US$ 185,2 milhões, aumento de 41,9%, conforme os dados do MDIC.

Percentualmente, entretanto, o maior avanço ocorreu nas vendas para a Rússia, que tiveram ampliação de 292,9%, saltando de US$ 3,7 milhões para US$ 14,4 milhões.

Um ano após certificação, exportações de carne bovina avançam 46% em MS
Recebimento do certificado de reconhecimento internacional de saúde dos rebanhos, feito em Paris (França) em 29 de maio de 2025 (Foto: Divulgação Semadesc)

O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Guilherme Bumlai, comentou que os números precisam ser analisados sob dois aspectos. No que se refere à quantidade de parceiros comerciais e ao volume exportado, segundo ele, os dados refletem a expectativa da cadeia produtiva da carne em relação ao incremento que a conquista do status sanitário poderia representar para o setor.

Os indicadores, conforme ele, consolidam Mato Grosso do Sul como um grande exportador de carne bovina em âmbito nacional e mundial, destacando-se pela competitividade produtiva. Bumlai alertou, entretanto, que disputas comerciais, nas quais medidas protecionistas e econômicas travestidas de ações sanitárias têm afetado o mercado, requerem atuação mais robusta por parte do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

No que se refere ao incremento financeiro das exportações entre 2025 e 2026, ele atribuiu o resultado a uma série de fatores, entre eles o ciclo pecuário, com retenção de matrizes, o que gerou escassez de animais para abate e elevou os preços do boi gordo e do bezerro, além da forte demanda internacional impulsionada pelos Estados Unidos e pela China.

No caso dos Estados Unidos, o presidente do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frio, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul), Régis Comarella, afirmou em diversas ocasiões ao Campo Grande News que a compra de carne brasileira foi impulsionada pela pior crise pecuária enfrentada pelo país em 75 anos. Segundo ele, a situação provocou forte redução do rebanho norte-americano em razão de fatores como seca, altos custos de produção e o próprio ciclo pecuário.

Sobre a China, Comarella comentou nesta segunda-feira (8) que o estabelecimento, pelo país, de uma cota anual para importação de carne bovina brasileira em 2026, de 1,1 milhão de toneladas, mantida a tarifa de 12%, pressionou o setor frigorífico brasileiro a acelerar os embarques no primeiro semestre, fazendo com que as exportações disparassem.

“Tanto que a maior parte desse aumento foi direcionada para a China e para os Estados Unidos”, afirmou.

Com a demanda aquecida no mercado externo e o ciclo pecuário, os preços também aumentaram, segundo ele.

Com a proximidade do preenchimento da cota chinesa, o que deve ocorrer até o fim de junho, e a possibilidade de as exportações passarem a ser taxadas em 55%, o setor, conforme Bumlai e Comarella, aguarda uma definição por parte da China, o que deve balizar os preços do mercado nos próximos meses

Entretanto, ambos apontam que o recente reconhecimento, por parte da própria China, do status da carne brasileira livre de aftosa sem vacinação, assim como já ocorreu com o Chile, indica um potencial muito grande de incremento das exportações da carne sul-mato-grossense para os dois países.