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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

23/08/2018 06:13

Agosto surpreende campo-grandense com chuva 243% acima do "normal"

Uma das explicações seria a ida e volta de frentes frias, com excesso de umidade e baixa velocidade

Danielle Valentim
Cada dia é diferente do outro e a gente tem que acostumar, garante Acácio. (Foto: Henrique Kawaminami)Cada dia é diferente do outro e a gente tem que acostumar, garante Acácio. (Foto: Henrique Kawaminami)

Nas ruas de Campo Grande, a população percebeu a anormalidade das chuvas deste mês de agosto e está surpreendida. O período que - mesmo no inverno - costuma ser seco e com muitos ventos, tem registrado chuva desde o dia 1º. O volume segundo a medição dos especialistas já supera em 250% o considerado normal para a época.

Uma das explicações seria a ida e volta de frentes frias, com excesso de umidade e baixa velocidade. Mas a surpresa da população é porque até dois meses antes de agosto, Campo Grande sofreu com uma estiagem de mais de 50 dias e outras cidades, como Paranaíba, com mais de 75 dias sem uma gota de água.

O paranaense Acácio Vieira, de 74 anos, desacostumou do frio e chuva do estado onde nasceu, quando veio morar em Campo Grande. Mas, agora, admite estar surpreendido com a “alteração”. “As mudanças não param, né? Cada dia é diferente do outro e a gente tem que acostumar. Mas esse mês tá bem diferente”, disse.

Agora Deus mandou tudo de uma vez, diz o sargento Edemir. (Foto: Henrique Kawaminami)Agora Deus mandou tudo de uma vez, diz o sargento Edemir. (Foto: Henrique Kawaminami)

É fato - Campo Grande registrou, neste mês, 107,4 mm de chuva, 243% a mais de chuva do que a média histórica. O esperado era 31,4 mm. Em 2017, no mesmo período, o volume de chuva foi de 38,2 mm, com 13 dias de estiagem.

Além de Campo Grande, 12 municípios já superaram a marca histórica: Aquidauana, Bataguassu, Dourados, Itaquiraí, Ivinhema, Jardim, Juti, Maracaju, Nhumirim, Rio Brilhante, Sete Quedas e Três Lagoas.

O sargento da PM Edemir Quadros, de 57 anos, disse que a estiagem de uma “vida toda”, veio este ano. “Põe diferente neste agosto. Primeiro era seco, agora Deus mandou tudo de uma vez, mas não dá para reclamar”, disse.

O acadêmico de pedagogia Thiago Souza, de 25 anos, faz aniversário no mês de agosto, então, é um mês muito esperado. “Sempre espero o mês chegar e, apesar do aniversário, era um mês sofrido, sem chuva. Agora, tá tudo mudado, frio e chuvoso”, disse.

Desde o início do mês, o Estado registrou ao menos três extensas frentes frias e nesse intervalo, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alerta de ocorrência de tempestades e granizo. A ida e volta dessas ondas geladas é um das explicações para a quantidade de chuva.

“Normal é pouco ou sem chuva. Está atípica pela atividade que o sistema está ocasionando. A massa de ar fria está muito forte com excesso de umidade e baixa velocidade, mas já está saindo do centro sul do MS”, disse o meteorologista Natálio Abrão.

Correria no centro depende de guarda-chuva. (Foto: Henrique Kawaminami)Correria no centro depende de guarda-chuva. (Foto: Henrique Kawaminami)

No dia 8 de agosto, Dourados já havia registrado toda a chuva esperada para agosto, segundo dados da Embrapa Agropecuária Oeste, com um acumulado de 51,5 milímetros. A média histórica para o mês é de 47,5 milímetros.

Um dia depois, 9 de agosto, alerta do Inmet avisou sobre o risco de tempestade e granizo, que aconteceu no sul do Estado. Em Antônio João, a 279 km de Campo Grande, 10 minutos do fenômeno causou prejuízos a produtores de tomate e provocou estrago no telhado de residências e lojas.

No dia 15 de agosto, frente fria que saiu do Paraná com direção a São Paulo atingiu o Estado e também antecipou o frio, que só estava previsto para o dia seguinte.

O calor voltou, mas na segunda-feira (20) nova frente fria trouxe chuva e queda na temperatura para cidades de MS. Desde a madrugada desta quarta-feira (22) a chuva não para em alguns municípios e tem cidade que já acumula 20 milímetros.

A região norte não foi atingida pela frente fria, mas no sul, centro e sudoeste as temperaturas caíram acompanhadas de chuva. Em Angélica já choveu 20,6 milímetros, em Bela Vista 0,4 milímetros, Bonito 13,2 milímetros e Caarapó 01,5 milímetros.

Em Campo Grande, a chuva já soma 6 milímetros, com clima fresco de 13°C e sensação térmica de 10°C. O fenômeno começou às 3h, mas antes a meia noite choveu no Centro. Dourados amanheceu com 8,4°C e sensação térmica de 4°C. A chuva e nevoa úmida chega a 6,8 milímetros, desde as 21h de ontem (21).

Três Lagoas voltou a receber chuva. Às 5h, o fenômeno natural somava 3 milímetros, junto a última chuva do dia 6 de agosto. Ponta Porã registra 5,8°C com sensação térmica de 3°C, com nevoeiro e chuva de 2 milímetros. Chove fraco em Corumbá e a temperatura é de 11°C com sensação térmica de 8°C.



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