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Meio Ambiente

Assoreamento no Segredo muda paisagem e preocupa população

Por Paula Vitorino | 12/12/2011 12:57

Bolsões de terra e erosões estão por todo o córrego. Leito está cada vez mais raso

Assoreamento começa já nas proximidades da nascente do córrego Segredo, na região do bairro Nova Lima. (Fotos: Simão Nogueira)
Assoreamento começa já nas proximidades da nascente do córrego Segredo, na região do bairro Nova Lima. (Fotos: Simão Nogueira)
Erosão aumentou as margens, bolsões de terra se acumulam ao longo do rio e leito está próximo do nível da via, no bairro Otávio Pécora.
Erosão aumentou as margens, bolsões de terra se acumulam ao longo do rio e leito está próximo do nível da via, no bairro Otávio Pécora.

Basta olhar para o córrego Segredo, em qualquer ponto de sua extensão, para perceber que a paisagem cada vez mais perde o habitual movimento das águas para os parados bolsões de terra.

Em alguns pontos, como ao lado da ponte no bairro Otávio Pécora, o assoreamento é tão intenso que o fluxo da água é quase imperceptível e nem de longe lembra o de um córrego.

“Antes tinha mais água, dava pra escutar o barulho daqui de casa. Agora é pouquinha água que passa”, diz Érica Felício Tavares, de 36 anos, que mora em frente ao local.

Mas o assoreamento começa já na nascente do córrego e uma das principais causas é a erosão do bairro Nova Lima, que deposita uma grande quantidade de terra na nascente, mas que é levada pelas águas ao longo de todo o córrego e forma os bolsões.

O fenômeno preocupa os moradores, que já reparam na aproximação do leito do córrego com o nível da via. “O nível é quase da altura da rua. Tem tenta terra no fundo que o leito está cada vez mais alto e com pouca água”, alerta a aposentada Oriales Severo Rodavale, de 73 anos.

A situação do Segredo ficou mais em evidência após a conclusão das obras de prolongamento da Ernesto Geisel, em agosto do ano passado. Com a abertura da avenida, que vai até o bairro Estrela do Sul, o córrego deixou de ficar “escondido”.

“Antes era tudo mato, o rio ficava escondido, a gente nem via, só escutava o barulho das águas”, diz Érica.

No entanto, a neta de Oriales, a estudante Sarah Cristina, de 12 anos, chama a atenção para o fato de que as árvores protegiam o córrego. “Foram cortando todas as árvores e a erosão só aumentando nas margens”, diz.

Com slogan na camiseta sobre o meio ambiente, aposentada chama a atenção para a redução das margens do córrego. (Fotos: Simão Nogueira)
Com slogan na camiseta sobre o meio ambiente, aposentada chama a atenção para a redução das margens do córrego. (Fotos: Simão Nogueira)

A avó ensina que obras como a feita na região trazem melhorias para a população, mas o respeito ao meio ambiente deve vir em primeiro lugar.

“Eles acham que é ir cortando as árvores e fazendo o que querem. Mas não é assim. Essas árvores novas vão demorar um tempo pra crescer e enquanto isso o córrego fica desprotegido”, ressalta.

Com o córrego assoreado, o risco de enchentes é maior, já que o leito diminui e não terá capacidade para suportar o mesmo volume de água. O risco é outra preocupação para os moradores.

“Pode ser que alague toda a região quando vierem as chuvas fortes”, diz.

Solução - O secretário de obras do município, João de Marco, ressalta que o assoreamento no córrego “não é novidade e o problema está por todo o Segredo”, atingindo também o seu prolongamento - córrego Anhanduí.

Ele frisa que a solução está dentro do projeto com recursos do PAC2, mas enquanto isso não existe previsão de intervenções no local.

Segundo a administração, as obras estão orçadas em R$ 36 milhões e devem começar no próximo ano. O projeto prevê o aumento de barragens no córrego, com o objetivo de evitar novas erosões.

No entanto, o secretário ressalta que a solução do assoreamento no local também depende da resolução da erosão do Nova Lima, que aguarda recursos da Defesa Civil.

De Marco também garante que está previsto um estudo para analisar a possibilidade de uma operação “limpa córrego”. O objetivo será retirar a terra e entulho acumulados nos córregos da Capital.

“É uma possibilidade, mas ainda não temos data e nem idéia de orçamento”, frisa.

Outros - Os recursos do PAC2 também devem resolver os problemas da extensão do Segredo, o córrego Anhanduí, e do Cabaça. Segundo de Marco, essas obras farão parte da primeira licitação, que já foi aberta.

Os recursos são de R$ 41 milhões só para o Anhanduí e R$ 24 milhões para o Cabaça. A situação ao longo do Anhanduí preocupa principalmente os motoristas, já que a erosão do córrego engoliu algumas partes do asfalto. Um dos principais problemas do Cabaça é a erosão ao lado do Parque do Rádio Clube Campo.

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