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Meio Ambiente

Biólogo documenta cenas cotidianas para mostrar Pantanal real

Produtor Luiz Mendes transforma natureza e cultura em imagens que conectam conservação e diversidade cultural

Por Inara Silva | 18/04/2026 13:46

Biólogo e produtor audiovisual, Luiz Mendes tem chamado atenção ao revelar, com sensibilidade, a rotina dos pantaneiros e a vida selvagem no Pantanal de Mato Grosso do Sul. No ritmo ditado pela natureza, ele construiu, ao longo de dez anos, uma trajetória marcada pela observação paciente e pelo encantamento. O resultado são vídeos que captam cenas de um território que ainda é pouco compreendido em toda a sua complexidade e que têm viralizado nas redes sociais.

RESUMO

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O biólogo e produtor audiovisual Luiz Mendes vem ganhando destaque ao registrar a rotina dos pantaneiros e a vida selvagem no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Nascido em Campo Grande e criado em Aquidauana, ele usa a formação em biologia para produzir vídeos que valorizam fauna, cultura e educação ambiental, combatem desinformação e mostram a convivência entre pecuária, turismo e conservação.

Nascido em Campo Grande e com a infância vivida na região de Aquidauana, no Pantanal, Luiz cresceu cercado por paisagens que despertaram cedo a curiosidade. A fotografia sempre esteve presente. Ele afirma que foi herança do avô, que cultivava o hábito quando ainda era raro ter registros familiares. Mais tarde, já no curso de Biologia, a câmera se tornou ferramenta para mostrar aos outros aquilo que via no campo. Foi ali que o interesse se aprofundou, até ganhar forma profissional. Ele já foi professor e pesquisador, mas se encontrou no audiovisual.

O Pantanal, explica, tem características que favorecem o turismo de observação de vida silvestre. A vegetação mais aberta, com campos e capins nativos, facilita o avistamento de animais, diferente de biomas mais fechados.

No trabalho de campo, ao registrar uma onça-pintada, por exemplo, ele diz que a regra é não interferir. Luiz explica que não existe uma distância fixa para registrar um animal. Tudo depende do comportamento. Um indivíduo pode se mostrar tranquilo mesmo distante, enquanto outro se incomoda com a presença humana a metros de distância. “Se há qualquer alteração de comportamento, é hora de se afastar”, diz. A formação em biologia, nesse contexto, é fundamental, tanto para garantir a segurança quanto para assegurar o bem-estar dos animais.

"Às vezes está se alimentando, às vezes está com filhote. Então, em toda filmagem de vida selvagem, a gente precisa estar sempre atento ao comportamento do animal", afirma.

É também essa base científica que sustenta sua atuação no audiovisual como ferramenta de educação ambiental. Para ele, as pessoas só protegem aquilo que conhecem. Ao registrar fauna e cultura, Luiz quer ampliar o alcance dessas histórias e ajudar a desconstruir estigmas, como a imagem da onça apenas como ameaça. Ao mesmo tempo, reconhece o desafio das informações falsas que circulam na internet, e a necessidade de combatê-las com conhecimento.

"Eu vejo que o audiovisual é muito importante para a conservação. Muito importante para evidenciar o Pantanal e para mostrar a semente rica que a gente tem fomentando também o turismo de observação de vida silvestre".

Hoje, à frente de uma produtora audiovisual, atua em diferentes campos. Trabalha como freelancer para produtoras nacionais e internacionais em documentários, presta serviços para pousadas e, ocasionalmente, conduz pequenos grupos de fotógrafos. O conhecimento do território se tornou um diferencial. “A natureza é dinâmica, exige tempo. Nem sempre uma equipe de fora consegue esperar. Ter alguém local ajuda muito”, explica.

Biólogo documenta cenas cotidianas para mostrar Pantanal real
Luiz Mendes durante trabalho ao lado de um jacaré. (Foto: Arquivo pessoal)

"Eu elaboro um cronograma para os clientes fixos e organizo as viagens de acordo com o melhor momento para cada um. Há pousadas que trabalham mais com pesca e outras que se dedicam à observação da vida selvagem.".

A rotina acompanha o ciclo pantaneiro. Entre cheia e seca, cada período revela um cenário distinto, ambos propícios para visitação e registro. E, em todos eles, Luiz faz questão de mostrar não apenas a natureza, mas também as pessoas. A cultura pantaneira, muitas vezes invisibilizada, ocupa espaço central em seu trabalho.

Ele destaca que grande parte das fazendas da região concilia pecuária e turismo, em um modelo que, segundo ele, demonstra ser possível produzir de forma sustentável. “O Pantanal permite essa coexistência. É um ambiente conservado, com atividade econômica e presença humana em harmonia”, afirma.

Biólogo documenta cenas cotidianas para mostrar Pantanal real
Luiz Mendes durante captação de imagem no Pantanal (Foto: Arquivo Pessoal)

Essa visão também é fruto da convivência com os pantaneiros, que, de acordo com Luiz, detêm um conhecimento profundo do território. Ele explica que são saberes construídos na prática, capazes de prever cheias, entender o comportamento dos animais e lidar com as adversidades de um ambiente extremo, ora seco, ora alagado, sempre desafiador.

Para ele, trabalhar no Pantanal está longe de ser fácil, pois envolve calor intenso, poeira, mosquitos, longas esperas e, muitas vezes, poucos recursos. Mas é justamente esse contraste que torna tudo mais significativo. “O tempo é da natureza, não é o nosso. Às vezes você passa dias para conseguir uma imagem. E quando consegue, é o clímax”, descreve.

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