Antas surpreendem e lideram monitoramento em área atingida por queimadas
As câmeras registraram 5 mil animais silvestres de 67 espécies na Terra Indígena Kadiwéu
Mesmo após sucessivos incêndios que devastaram grande parte da Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho, a 438 km de Campo Grande, o monitoramento da fauna tem revelado que a anta aparece como a espécie mais registrada em todas as áreas analisadas.
RESUMO
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Monitoramento da fauna na Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho, registrou 21 mil imagens de 67 espécies, sendo a anta a mais frequente, com 425 registros. O levantamento, conduzido pelo projeto Vidas e Vozes Kadiwéu com 20 armadilhas fotográficas, também identificou onça-parda, lobo-guará e tamanduá-bandeira. O território sofreu incêndios em 2024, que atingiram 360 mil hectares, segundo o Inpe.
Até agora, o monitoramento já passou pelas aldeias Alves de Barros, Campina e Tomázia, reunindo 21 mil imagens de 67 espécies. Desse total, cerca de 5 mil registros são de animais silvestres, indicando intensa circulação da fauna mesmo na região impactada pelo fogo. Entre os maiores registros foram captadas 425 antas, 294 raposas e 276 veados.
O trabalho, que começou em outubro de 2025, atua com um conjunto de 20 armadilhas fotográficas que vem sendo instalado em diferentes pontos do território, de 538 mil hectares. As câmeras permanecem, em média, dois meses em cada aldeia antes de serem levadas a novas áreas, ampliando o alcance do levantamento conduzido pelo projeto Vidas e Vozes Kadiwéu.
Coordenador da iniciativa, o veterinário e pesquisador Diego Viana afirma que o protagonismo da anta nos registros chamou a atenção da equipe. Segundo ele, a frequência da espécie supera a de animais considerados comuns na região, como cotias e lobinhos, algo ainda não observado em outros estudos no Pantanal.
Além das antas, também foram identificados catetos e queixadas, espécies que desempenham papel importante na regeneração ambiental. Esses animais contribuem para a dispersão de sementes e ajudam na recomposição da vegetação em áreas degradadas.
A Terra Indígena Kadiwéu enfrenta um histórico recente de grandes incêndios. Em 2024, mais de 360 mil hectares foram atingidos pelo fogo, conforme dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). As queimadas alteraram a paisagem e pressionaram tanto a fauna quanto as comunidades locais.
Nesse contexto, o monitoramento tem reforçado a importância do território como refúgio para a biodiversidade e como área estratégica para a recuperação do Cerrado e do Pantanal.
Brigadistas - A instalação das câmeras conta com participação direta de brigadistas indígenas da ABINK (Associação de Brigadistas da Reserva Indígena Kadiwéu), que utilizam o conhecimento tradicional para definir os pontos de captura de imagens. A escolha leva em conta trilhas, rastros e áreas de circulação dos animais, especialmente próximas a fontes de água.
Com base nessa experiência, os próprios brigadistas acompanham os registros e relatam surpresa com a quantidade de animais. A percepção é de que, apesar dos impactos recentes, o território ainda mantém elevada riqueza de fauna.
“Nós conhecemos onde os animais passam, onde tem água, onde eles deixam sinal. A gente vai olhando pegadas, trilha batida, onde o bicho circula mais, principalmente perto das aguadas. Foi assim que escolhemos os pontos para instalar as câmeras”, explica o brigadista Laercio Ramos, da Brigada Kadiwéu 3, da aldeia Tomázia, que acompanhou a equipe durante as instalações.
Espécies - O monitoramento também já identificou outras espécies, como onça-parda, cervo-do-pantanal, lobo-guará, tamanduá-bandeira, jaguatirica e veado-mateiro, além de aves como garça-moura, mutum de penacho e garça-vaqueira. Nas próximas etapas, as câmeras devem avançar para áreas mais baixas, próximas ao Pantanal, onde há relatos da presença de onça-pintada.
Os dados coletados vão subsidiar a produção de uma cartilha educativa bilíngue, em língua Kadiwéu e português, voltada às escolas das aldeias. A proposta é fortalecer o conhecimento sobre a fauna local e contribuir para a preservação cultural.
O projeto Vidas e Vozes Kadiwéu é realizado pelo Instituto Terra Brasilis, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e seguirá com o monitoramento até 2028.
Confira a galeria de imagens:
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