Boletim mostra que julho teve chuva irregular e déficit em grande parte de MS
Capital registrou volume até 282% acima da média em um dos pontos de medição
As chuvas registradas em julho mantiveram o cenário de irregularidade em Mato Grosso do Sul, com forte contraste entre as regiões do Estado. Enquanto municípios do norte, nordeste, Pantanal e sudoeste enfrentaram volumes muito abaixo da média histórica, Campo Grande e parte do sul concentraram os maiores acumulados do mês.
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Julho registrou chuvas irregulares em Mato Grosso do Sul, com déficit nas regiões norte, nordeste, Pantanal e sudoeste, enquanto Campo Grande e o sul concentraram os maiores volumes, segundo boletim do Cemtec. Na capital, o acumulado ficou 282% acima da média em um ponto da UFMS. As temperaturas variaram entre 0,4°C em Iguatemi e 38,3°C em Corumbá. Para agosto a outubro, prevê-se chuva acima da média, mas irregular, com possível El Niño forte influenciando o período.
O diagnóstico consta no Boletim Mensal de Análise das Condições Meteorológicas, elaborado e divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), vinculado à Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
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De acordo com o levantamento, a análise de imagens de satélite mostra que as regiões norte, sudoeste, pantaneira e nordeste registraram precipitações entre 0 e 20 milímetros durante o mês, abaixo da média climatológica. Já as regiões central, leste e sudeste tiveram os maiores volumes, com acumulados variando entre 40 e 120 milímetros.
O boletim destaca que, considerando todas as estações meteorológicas monitoradas, os acumulados de chuva em julho oscilaram entre 0 e 136,4 milímetros. Apesar de alguns pontos com volumes expressivos, predominou o déficit de precipitação na maior parte do Estado.
Os maiores excedentes em relação à média histórica foram registrados em Campo Grande (+282%), Nhumirim/Nhecolândia (+245%), Mundo Novo (+123%) e Itaquiraí (+107%), localidades que também ficaram entre as que mais receberam chuva no período, ao lado de Iguatemi. Em sentido oposto, municípios das regiões norte, nordeste e do Pantanal apresentaram déficits entre 95% e 100% abaixo da média histórica, reforçando a persistência da estiagem nessas áreas.
A distribuição espacial das chuvas evidencia esse contraste. O extremo sul concentrou acumulados entre 90 e 120 milímetros, além de um núcleo isolado na região central, onde também foram registrados volumes entre 100 e 120 milímetros. No leste e sudeste, as precipitações variaram entre 40 e 90 milímetros. Já nas regiões norte, noroeste, oeste e em grande parte do Pantanal, predominaram acumulados entre 0 e 20 milímetros, com poucos pontos alcançando entre 20 e 40 milímetros.
Campo Grande teve chuva acima da média - Na Capital, julho terminou com chuva acima da média histórica. Segundo o boletim, considerando a estação meteorológica do Inmet instalada na Embrapa Gado de Corte, o acumulado mensal ficou 17% superior à climatologia do período de referência entre 1981 e 2010.
Quando analisados outros pontos oficiais de medição, o maior volume foi registrado no pluviômetro automático da UFMS, que contabilizou 136,4 milímetros ao longo do mês. Esse total representa 282% acima da média esperada para julho.
Em relação às temperaturas na Capital, o comportamento ficou próximo da normal climatológica, embora acima da média. A temperatura mínima média ficou 2,6°C acima do esperado e a máxima média apresentou desvio positivo de 1,5°C.
Estado teve calor de 38,3°C e mínima de 0,4°C - O levantamento também mostra grande amplitude térmica em Mato Grosso do Sul durante julho. Os extremos registrados variaram entre 0,4°C e 38,3°C.
A maior temperatura foi observada em Corumbá, com 38,3°C, enquanto a menor ocorreu em Iguatemi, onde os termômetros marcaram 0,4°C. A menor umidade relativa do ar chegou a 12% em Amambai e a rajada de vento mais intensa atingiu 88,2 km/h em Caracol, na Fazenda Ouro e Prata.
Segundo o Cemtec, mesmo com episódios de chuva intensa em algumas localidades, também foram registrados períodos de calor acentuado e baixa umidade relativa do ar.
Seca diminuiu, mas déficit ainda persiste - A análise do SPI (Índice Padronizado de Precipitação), utilizado para monitorar condições de seca em diferentes períodos, indica que houve uma atenuação das condições de estiagem em relação ao mês anterior, principalmente na região central do Estado.
Apesar dessa melhora, permanecem áreas com déficit de chuva, especialmente na região do Bolsão, onde o índice segue inferior a -1,3 nas escalas de seis e 12 meses, indicando persistência das condições de seca.
Próximos meses devem ter mais chuva, mas de forma irregular - Para o trimestre entre agosto, setembro e outubro, a previsão probabilística indica tendência de precipitação ligeiramente acima da média histórica em Mato Grosso do Sul. No entanto, o Cemtec ressalta que a distribuição das chuvas deve continuar irregular no tempo e no espaço.
A expectativa é de acumulados entre 200 e 300 milímetros na maior parte do Estado, chegando a 300 ou 400 milímetros no extremo sul. Já as regiões nordeste, extremo norte e noroeste devem registrar entre 150 e 200 milímetros no período. O órgão destaca que se trata de uma tendência probabilística, e não de uma previsão determinística.
Em relação às temperaturas, a previsão aponta predominância de valores acima da média climatológica durante o trimestre, indicando um período potencialmente mais quente que o normal em Mato Grosso do Sul.
O boletim também chama atenção para a possibilidade de temperaturas acima da média, maior frequência de ondas de calor, especialmente entre a primavera e o início do verão, além da influência prevista de um evento de El Niño forte a muito forte ao longo dos próximos trimestres. Segundo a projeção, há predominância de aproximadamente 90% para ocorrência de El Niño forte ou muito forte entre agosto e outubro, condição que deve permanecer elevada também nos trimestres seguintes.



