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Meio Ambiente

COP15 começa com destaque para o Pantanal e reforço de compromissos globais

Evento coloca o bioma predominante em MS no centro das discussões sobre conservação de espécies migratórias

Por Jhefferson Gamarra e Fernanda Palheta | 22/03/2026 15:33
COP15 começa com destaque para o Pantanal e reforço de compromissos globais
Autoridades reunidas em painel de abertura da COP15 (Foto: Juliano Almeida)

Entre os dias 23 e 29 de março de 2026, o Brasil sedia, em Campo Grande, a 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS). O evento posiciona o país como protagonista nas discussões internacionais sobre biodiversidade, com destaque para o Pantanal, apontado por autoridades como um dos ecossistemas mais relevantes e frágeis do planeta.

RESUMO

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A 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) acontece em Campo Grande, de 23 a 29 de março de 2026. O evento posiciona o Brasil como protagonista nas discussões internacionais sobre biodiversidade, com destaque para o Pantanal. O encontro reúne autoridades como o presidente Lula, a ministra Marina Silva e representantes de 132 países. A agenda inclui debates sobre conservação de espécies, mudanças climáticas e impactos humanos, além de eventos paralelos voltados à participação social e integração entre ciência e políticas públicas.

A programação foi antecipada neste domingo (22), com o Segmento de Alto Nível, que reúne o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva, a ministra do Planejamento Simone Tebet, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Ridel o secretário-executivo da pasta e presidente da COP15 João Paulo Capobianco. O encontro tem como foco o fortalecimento de compromissos políticos e a ampliação da cooperação internacional em torno da proteção das espécies migratórias.

Durante a abertura, o Pantanal foi destacado como símbolo da importância da conservação ambiental em escala global. A ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet enfatizou a visibilidade internacional proporcionada pelo evento.

“Vamos mostrar que o Brasil não é só a Amazônia, temos cinco grandes biomas, entre eles o Pantanal, que é o mais frágil, não só do Brasil, mas eu diria do planeta. Sediar aqui dá a oportunidade do mundo inteiro saber o que é Mato Grosso do Sul, o que é o Pantanal e também permite, no futuro, financiamentos externos, não só para a Amazônia, mas também para o Pantanal”, afirmou.

COP15 começa com destaque para o Pantanal e reforço de compromissos globais
Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) durante participação no painel (Foto: Juliano Almeida)

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), reforçou o papel estratégico do estado na conservação ambiental e destacou a presença de três biomas em seu território.

“Somos um Estado jovem, chegando aos 50 anos de idade, mas que carrega uma responsabilidade ambiental de escala global. Aqui convivem três grandes biomas, Cerrado, Mata Atlântica e o nosso Pantanal, sendo este último um dos ecossistemas mais preservados do planeta, com cerca de 84% de sua vegetação nativa mantida. Esse patrimônio não é apenas paisagem, ele abriga vida. São centenas de espécies migratórias e mais de 600 espécies de aves que encontram no nosso território, condicionando a nossa vida”, declarou.

COP15 começa com destaque para o Pantanal e reforço de compromissos globais
Ministra Marina Silva foi a primeira a discursar no evento (Foto: Juliano Almeida)

A ministra Marina Silva destacou os principais desafios enfrentados pelas espécies migratórias e a necessidade de ação coordenada entre os países.

“A perda de habitats, a mudança do clima, a poluição e as espécies invasoras são alguns dos fatores de pressão que devem ser repensados para assegurar a sobrevivência das espécies migratórias. Proteger espécies migratórias significa também proteger os ecossistemas e a coletividade que sustenta a vida no planeta, proteger os rios, a Amazônia, os oceanos e rotas aéreas que conectam essas espécies”, afirmou.

Ela também ressaltou a importância da COP15 como oportunidade para avanços concretos. “Nesta COP, temos a oportunidade de ampliar a proteção de espécies e fortalecer a cooperação internacional para que as rotas migratórias permaneçam seguras para as próximas gerações.”

A ministra destacou ainda ações do governo brasileiro, como o fortalecimento da Estratégia e Plano de Ação Nacional para a Biodiversidade e dos planos voltados às espécies ameaçadas, com metas estabelecidas até 2030.

Início oficial e agenda da COP15 - A abertura oficial da COP15 ocorre nesta segunda-feira (23), na chamada Zona Azul, espaço dedicado às negociações formais entre os países-membros da CMS. A programação inclui discursos políticos, definição da mesa diretora e adoção da agenda, além da apresentação de relatórios institucionais.

Ao longo da semana, os debates se concentram no Comitê Plenário e em grupos temáticos que tratam do estado de conservação das espécies migratórias, mudanças climáticas, conectividade ecológica e impactos das atividades humanas. Também estão previstas discussões sobre planos de ação para espécies marinhas, aves e terrestres, além da revisão das listas de espécies protegidas pela Convenção.

Eventos paralelos, reuniões regionais e grupos de trabalho complementam a agenda, ampliando o alcance das discussões técnicas e políticas.

Espaços paralelos ampliam debate - A COP15 também conta com iniciativas voltadas à participação social e à integração entre ciência, cultura e políticas públicas. Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, o Espaço Brasil reúne atividades e debates conectados à realidade nacional, com participação de instituições governamentais, organizações da sociedade civil e universidades.

Já o espaço “Conexão sem Fronteiras”, com entrada gratuita, busca aproximar o público das discussões sobre conservação e emergência climática. A programação inclui temas como proteção de aves migratórias, ecossistemas marinhos e resiliência do Pantanal, além de mostra de cinema socioambiental, exposições fotográficas e outras atividades.

Sobre a Convenção - A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres  é um tratado ambiental das Nações Unidas em vigor desde 1979. A COP (Conferência das Partes), realizada a cada três anos, é sua principal instância decisória, reunindo atualmente 132 países e a União Europeia.

O acordo busca promover a conservação das espécies migratórias, seus habitats e rotas em escala global. Atualmente, cerca de 1.189 espécies estão listadas nos anexos da CMS, incluindo aves, mamíferos terrestres e aquáticos, peixes, répteis e insetos.

Com a realização da COP15 em Campo Grande, o Brasil reforça seu papel nas negociações ambientais internacionais e coloca o Pantanal no centro das atenções globais, como símbolo da urgência em conciliar conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.