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Capital

Morte de menina em MS revela rede que promovia suicídios em transmissões ao vivo

Investigação aponta organização criminosa que recrutava adolescentes em plataformas digitais

Por Gabi Cenciarelli | 04/08/2026 13:54
Morte de menina em MS revela rede que promovia suicídios em transmissões ao vivo
Materiais apreendidos durante a Operação Lívia incluem bandeira associada ao movimento confederado dos EUA, capuz, facas, simulacro de arma de fogo e equipamentos eletrônicos que serão periciados. (Foto: Polícia Civil)

A morte da adolescente de 13 anos, registrada em julho em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul, levou a Polícia Civil do Estado a descobrir uma organização criminosa com atuação nacional suspeita de recrutar crianças e adolescentes pela internet para submetê-los à violência psicológica, desafios extremos, automutilação e, em casos investigados, indução ao suicídio.

RESUMO

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Lívia após a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, descobrindo uma organização criminosa nacional que recruta crianças pela internet para submetê-las à automutilação e indução ao suicídio. A operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão e uma prisão em cinco estados. O Ministério da Justiça pedirá à ANPD investigação sobre o Discord e o Telegram.

A descoberta deu origem à Operação Lívia, deflagrada nesta terça-feira (4) e coordenada nacionalmente pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), de Mato Grosso do Sul, em conjunto com o Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), da Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ao apresentar os resultados da operação, durante coletiva em Brasília, o secretário nacional de Direitos Digitais do MJSP, Victor Oliveira Fernandes, afirmou que a investigação revelou uma estrutura criminosa que utilizava diferentes plataformas digitais para promover desafios de violência extrema contra crianças e adolescentes.

Morte de menina em MS revela rede que promovia suicídios em transmissões ao vivo
Objetos apreendidos durante a Operação Lívia serão analisados pela perícia para auxiliar nas investigações sobre a organização criminosa. (Foto: Polícia Civil)

"Identificamos a articulação desses grupos de violência que funcionavam por meio de desafios de violência extrema voltados para crianças e adolescentes. Esse grupo atua simultaneamente no Telegram, fazendo comunicações e propagandas de eventos de automutilação e de induzimento ao suicídio de crianças e adolescentes, que são transmitidos em tempo real dentro da plataforma do Discord", afirmou.

Segundo o secretário, foi justamente uma dessas ações investigadas que culminou na morte da adolescente sul-mato-grossense.

"Num desses casos, infelizmente, veio a culminar numa situação de suicídio por parte de uma vítima do Estado do Mato Grosso do Sul."

Morte de menina em MS revela rede que promovia suicídios em transmissões ao vivo
Equipamentos eletrônicos apreendidos pela Polícia Civil serão submetidos à perícia para auxiliar na investigação da organização criminosa com atuação em plataformas digitais. (Foto: Polícia Civil)

Investigação começou em Mato Grosso do Sul

Conforme a Polícia Civil, as investigações começaram logo após a morte da adolescente, em Naviraí. As primeiras diligências realizadas pela DEPCA, em atuação integrada com o Ciberlab, mostraram que o caso não se tratava de um episódio isolado.

A análise das evidências digitais permitiu identificar uma organização criminosa estruturada, com atuação nacional, que utilizava plataformas digitais para localizar adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional, estabelecer vínculos de confiança e exercer controle psicológico progressivo sobre as vítimas.

Durante a investigação, a DEPCA identificou outra vítima em outro estado brasileiro e reuniu elementos que indicam a possível existência de outras vítimas ainda não localizadas.

Morte de menina em MS revela rede que promovia suicídios em transmissões ao vivo
Computadores, notebook e outros equipamentos eletrônicos apreendidos durante a Operação Lívia serão periciados para identificar novos envolvidos e possíveis vítimas da organização criminosa. (Foto: Polícia Civil)

Como o grupo atuava

Segundo a investigação, os integrantes mantinham atuação permanente em diferentes plataformas digitais, onde recrutavam crianças e adolescentes para grupos fechados destinados à manipulação psicológica.

Após conquistar a confiança das vítimas, os investigados passavam a impor um processo contínuo de coação, isolamento e violência psicológica. Entre as práticas identificadas estão desafios de violência crescente, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras exigências utilizadas para ampliar o controle exercido sobre os adolescentes, chegando, em situações extremas, à indução ao suicídio.

Operação alcançou cinco estados

A partir da coordenação exercida pela DEPCA de Mato Grosso do Sul e pelo Ciberlab, foram cumpridas simultaneamente seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes investigados e um mandado de prisão contra um adulto.

As ordens judiciais foram executadas em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará e Pará. Para acompanhar pessoalmente parte das diligências, equipes da DEPCA foram deslocadas ao Rio de Janeiro e ao Ceará, enquanto as demais ações ficaram a cargo das polícias civis locais.

Celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos foram apreendidos e serão submetidos à perícia especializada. Segundo a Polícia Civil, o material poderá auxiliar na identificação de novas vítimas, na individualização da conduta dos investigados e na responsabilização de outros integrantes da organização.

Plataformas também serão investigadas

Durante a coletiva, o Ministério da Justiça informou que encaminhará à Autoridade Nacional de Proteção de Dados pedido para apurar a atuação das plataformas Discord e Telegram.

Segundo a pasta, há indícios de que os ambientes digitais foram utilizados pela organização para recrutamento, comunicação entre integrantes e realização das práticas investigadas.

As investigações prosseguem e novas medidas poderão ser adotadas conforme a análise do material apreendido.

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Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.