MS tem área mais suscetível a tornados e El Niño acende alerta
Primavera, que começa no próximo mês, reúne condições atmosféricas favoráveis para o fenômeno
RESUMO
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Dourados, Eldorado e Ivinhema estão entre os municípios do sul de Mato Grosso do Sul mais suscetíveis a tornados. Em ano de El Niño, as condições para esses fenômenos aumentam, mas não há relação direta entre o fenômeno climático e a formação de tornados, segundo meteorologista do Inmet. A combinação de massas de ar distintas e forte cisalhamento de ventos são fatores determinantes. O Inmet não consegue prever tornados devido à sua rápida formação.
Dourados, Eldorado e Ivinhema estão entre os municípios do sul de Mato Grosso do Sul, região geograficamente mais propícia aos tornados. Em ano de El Niño, as condições para a formação desses fenômenos aumentam.
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Meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Itamara Parente confirma que a região é naturalmente a mais suscetível no Estado. “Por estar numa área de transição ao centro, perto do extremo do País”, justifica.
Outro motivo é a atividade agrícola expressiva na região ter substituído a vegetação nativa. “Sim, campos abertos aumentam as chances”, ela pontua.
Primavera - Há chances de um El Niño com intensidade média a forte ter efeitos como calor intenso e alteração no regime de chuvas em Mato Grosso do Sul, entre o começo da primavera e o fim deste ano, como já confirmou o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) com base em dados da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos).
A estação em que está previsto o início da influência do fenômeno sobre o clima está próxima e é justamente a mais favorável para formação de tornados. Mas Itamara explica que não existe relação direta entre o El Niño e a probabilidade de um tornado se formar e causar estragos no sul do Estado e nem nos estados do Sul do Brasil, que estão numa rota mais favorável ainda.
Embora seja capaz de alterar condições de temperatura, umidade e circulação atmosférica, o El Niño sozinho não determina a formação de tornados. Uma junção de fatores é necessária.
“Quando há um encontro de duas massas de ar diferentes, uma massa mais fria dos sistemas frontais com esse calor e umidade que vêm da Amazônia, a gente vê alguns sinais favoráveis para a formação de tornados, mas também tem que ter fortes alinhamentos de vento”, resume.
Chão - A meteorologista afirma que a formação de uma nuvem-funil no céu não pode ser considerada um tornado. O fenômeno só é chamado assim quando toca o solo.
“Ele precisa vir da base da nuvem. Se tocar o chão, ele é tornado”, frisa.
O acontecimento pode ser visualizado começando numa grande nuvem de extensão vertical. “Tendo todas as condições que eu falei, ele pode desenvolver o forte cisalhamento dos ventos, essa grande célula, e vira tornado se tocar o chão”, complementa.
Previsão - A meteorologista diz que o Inmet não consegue prever tornados devido à curta escala de espaço e tempo, já que o fenômeno acontece muito rapidamente. O que a população das cidades do sul de Mato Grosso do Sul pode fazer é acompanhar as previsões e os alertas de vendavais e chuva forte.
“O que a gente pode é dar as informações da previsão de fortes ventanias, tempestades, ventos muito intensos e um sistema ciclone chegando na região. Tudo isso é favorável para essas condições”, diz.
Histórico - O Inmet não tem um arquivo de quando e onde já houve tornados em Mato Grosso do Sul.
Um dos últimos fenômenos registrados e confirmados por meteorologistas foi o que atingiu a área rural de Taquarussu, em 21 de novembro de 2023. Ele destruiu o barracão de uma fazenda e destelhou um imóvel, conforme informou a Defesa Civil na época.
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