Refeição predileta de tuiuiú, peixe-cobra é engolido como "espaguete"
Registro foi feito pelo fotógrafo Maurício Abib durante período de cheia na região de Miranda
Ave símbolo do Pantanal, o tuiuiú impressiona não apenas pelo tamanho, mas também pela forma como captura as próprias presas. Vídeo registrado pelo fotógrafo Maurício Abib, na região pantaneira de Miranda, a 208 km de Campo Grande, mostra o momento em que a ave golpeia repetidas vezes um muçum, peixe também conhecido como “peixe-cobra”, antes de engolir o animal inteiro.
O registro foi feito no fim de novembro, início do período de cheias no Pantanal, durante um passeio com hóspedes na região da Pousada Caiman, no pantanal de Miranda. Nas imagens, divulgadas neste domingo (16), o tuiuiú aparece segurando o muçum com o bico e dando sucessivas bicadas antes de engolir a presa sem dificuldade. Segundo o fotógrafo, o comportamento faz parte da forma de caça da espécie.
RESUMO
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Vídeo registrado pelo fotógrafo Maurício Abib no Pantanal de Miranda, a 208 km de Campo Grande, mostra um tuiuiú engolindo um muçum, peixe de aparência semelhante a uma cobra. O biólogo Rudi Laps, da UFMS, explica que o muçum é item frequente na dieta da ave e que o tuiuiú é especialista em vertebrados aquáticos, alimentando-se principalmente de peixes e anfíbios.
“Esse bitchão é sinistro demais, não à toa que é a ave símbolo do Pantanal, pelamor! Não foi a vez do muçum, empalado e direto pra barriga da maior cegonha das Américas, igual um espaguete escorregadio, sem partir a massa”, postou o fotógrado.
Ele descreve a cena como impressionante. “Depois de garantir que o muçum, que lembra uma serpente, estava dominado, o tuiuiú o engoliu sem pestanejar e continuou procurando mais presas”, relata.
Maurício comenta que nas épocas de cheia e vazante ocorre uma migração bastante conhecida de aves pernaltas que dependem da água, além de peixes, caramujos e outros animais que estão se reproduzindo em grande número. “Nessa época elas se esbanjam, para depois se reproduzirem”, explica.
Segundo o biólogo e professor do Inbio/UFMS (Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Rudi Ricardo Laps, o muçum é um dos alimentos preferidos da ave pantaneira justamente pelas características do peixe. “É comum ele comer muçum. Inclusive, é um item da dieta dele, e ele é bem especialista em comer muçum, porque é um bicho bastante liso, mas é um peixe”, explicou.
Apesar da aparência semelhante à de uma cobra, o biólogo explica que o muçum é um peixe adaptado a ambientes alagados e pobres em oxigênio. “Ele consegue puxar ar da atmosfera quando não tem muito oxigênio na água. Tem um sistema na boca que permite essa troca gasosa, então é um animal muito resistente em banhados”, afirmou o pesquisador.
Ele também aponta que o formato alongado do muçum costuma causar confusão em quem observa a cena rapidamente. “Às vezes a pessoa olha de relance e pensa que ele está comendo uma cobra. Mas não, é um mussum. Quem conhece sabe que ele gosta bastante desse tipo de alimento”, explicou Rudi.
Embora o tuiuiú possa consumir pequenos roedores, serpentes e até carniça em situações extremas, o biólogo afirma que a ave continua se alimentando principalmente de peixes, anfíbios e outros animais encontrados em áreas alagadas do Pantanal. “O tuiuiú é especialista em vertebrados aquáticos, principalmente peixes e anfíbios. Também pega caramurus, que são invertebrados. É um animal carnívoro”, disse o biólogo.
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