Paineira da Índia colore avenida e chama atenção pela floração no inverno
Árvore exótica atrai aves e curiosos no Trevo Imbirussu; espécie é originária da Ásia e ornamental

Quem passa pelas avenidas Marechal Deodoro e das Bandeiras, no Jardim Leblon, em Campo Grande, dificilmente deixa de reparar na copa tomada por flores vermelhas. A árvore, que desperta a curiosidade de motoristas e pedestres todos os anos, não é uma paineira comum da região. Trata-se da paineira-vermelha-da-Índia (Bombax ceiba), espécie exótica que encontrou no clima da Capital condições ideais para florescer justamente entre junho e agosto.
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A paineira-vermelha-da-Índia (Bombax ceiba), espécie exótica de origem asiática, chama atenção nas avenidas Mal Deodoro e Bandeiras, em Campo Grande, com sua floração invernal de flores vermelhas entre junho e agosto. Segundo o biólogo José Milton Longo, a árvore produz grande quantidade de néctar, atraindo aves e abelhas, e pode atingir entre 20 e 30 metros de altura.
O biólogo José Milton Longo explica que, ao contrário da paineira nativa brasileira, que floresce principalmente entre fevereiro e maio e é encontrada na Avenida Ricardo Brandão, a árvore tem origem na Ásia, mais precisamente na Índia, perde as folhas durante o inverno e, nesse período, fica coberta por grandes flores vermelhas. "A nossa paineira nativa floresce no outono. Já a paineira-vermelha, exótica, floresce durante o inverno, de junho a agosto, chegando ao início de setembro", detalha.
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Além do impacto visual, a árvore também exerce papel importante para a fauna urbana. Ela foi introduzida no Brasil por causa do valor ornamental. As flores produzem grande quantidade de néctar, atraindo aves e abelhas em uma época do ano em que há menos oferta de alimento.

"Ela tem bastante néctar, o que atrai aves e abelhas. Deveria ser bastante valorizada na arborização urbana pelos benefícios e serviços ecossistêmicos que prestam", afirma Longo.
O biólogo acrescenta ainda que a árvore pode atingir entre 20 e 30 metros de altura, possui tronco grosso repleto de espinhos, característica semelhante à paineira brasileira, e, após a polinização, produz frutos com fibras parecidas com algodão.
Apesar de pertencerem à mesma família botânica, a paineira-vermelha e a paineira encontrada às margens dos córregos da cidade, ainda assim, ambas são utilizadas na arborização de diversos países.
Admiradores da paineira-vermelha
Há oito meses trabalhando diariamente em frente à árvore, o distribuidor de panfletos Alexio Gonçalves, de 74 anos, já espera pela floração. Morador de Campo Grande desde 1975, ele conta que a cena se repete todos os anos. "Todo ano eu vejo isso. Não sei o nome da planta, mas ela é muito bonita. Nessa época ela fica desse jeito mesmo, mas é muito lindo", diz.

Alexio aproveita a sombra da árvore enquanto trabalha distribuindo panfletos. "Eu gosto do que faço e gosto daqui. Já faz 51 anos que moro em Campo Grande. E nove anos que trabalho na região. É uma bela paisagem. De vez enquanto, algumas meninas passam aqui e ficam admirando também, querem vir aqui tirar foto".
Quem também acompanha a transformação da árvore é a vendedora Sara Galdino, de 26 anos. Criada na região entre os bairros Tijuca, Taveirópolis, Leblon e Buriti, ela diz que cresceu vendo a floração, embora nunca soubesse qual era a espécie. "Eu sempre vejo ela florindo, mas nunca soube que árvore era. Ela é muito bonita e bem antiga. Em setembro ela fica ainda mais cheia", comenta.

Sara observa que a árvore costuma reunir diversos pássaros durante a floração. "Sempre está cheia de passarinhos, papagaios e periquitos. É bem diferente. Deveria ter em outros lugares da cidade, porque ela é linda!"
Enquanto vende pães e roscas em um ponto próximo à lotérica, ela percebe que muitos clientes também param para admirar a árvore, que todos os anos transforma a paisagem da avenida em um dos cenários mais coloridos do inverno campo-grandense. “Durante o dia, vendo os pães, muitos clientes vão na loterica, e passam aqui para comprar pão. Então, essa é minha paisagem de trabalho, eu adoro”.
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